Terça-feira, 23 de Outubro de 2007
O custo da desilusão

Acredita que sei o quanto doem as desilusões. Nem falo sequer daquelas que pontuam a nossa vida, entre homem e mulher, nessa contabilidade do amor que faz pender a balança, uma vez para um lado, outra para o outro até que um dia tudo se desmorona dentro do nosso coração com um silêncio ensurdecedor.

Não. Falo de outros afectos, das relações de sangue que deveriam perdurar toda uma vida, que crescemos a acreditar que são sagradas e imunes a todos os males. Mas é mentira! A vida corrói a relação entre os adultos, porque quando somos crianças assemelhamo-nos aos animais, somos de quem nos dá carinho e comida. Depois, com o passar do tempo, vem a memória, vem o registo permanente desse deve e haver que, no final de contas, é tudo aquilo em que se resume a vida.

As pessoas crescem de formas diferentes e envelhecem muitas vezes com amargura, raiva e frustração. É triste mas é verdade. Mas também não deixa de ser menos verdadeiro, que existem jovens que são velhos e velhos que são jovens. Mas tudo isto para te dizer que tenho cada desilusão que a vida me trouxe cravada na pele como se fossem cicatrizes.

E tu, ainda tão novo, mas já há tanto tempo confrontado com o lado menos belo da realidade, só tens que lutar, com força, com orgulho, para não deixares que esse lado negro te tape a Luz e os milhares de coisas boas de que os outros são capazes. Todos os dias devemos registar mais uma história linda dentro de nós. Assim como quem alimenta a alma com o adubo da esperança na humanidade.

in Destak 23.10.07



publicado por Luísa Castel-Branco às 18:04
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11 comentários:
De Patrícia a 23 de Outubro de 2007 às 20:40
A vida por vezes tem sabor amargo e sinceramente no meio de tanta coisa injusta e incorrecta continuo a acreditar no lado doce, tentar agarrar-me a esse lado e acho que todos devemos tentar. Pode até ser uma ilusão mas infelizmente a desilusão todos nós a temos, uns por questões bem graves outros por questões meramente fúteis.Mas sinceramente o mais importante é viver embora por vezes achemos que o que fazemos é sobreviver.


De Luar_Amigo a 23 de Outubro de 2007 às 21:13
Conforme deve saber, Menina Luisa, a vida é feita também de desilusões, que doem sempre mais quando as mesmas vêm de quem menos se espera. Mas temos é de aprender com elas, pois não passam de mais uma lição de vida.
Não se esqueça: para a frente é que é caminho, pois não devemos perder tempo a remoer algo que, infelizmente, faz parte do nosso dia-a-dia.


Bjnhs...................... :)


De João Cordeiro a 24 de Outubro de 2007 às 14:52
Cara Luisa,
que esperar de um/a jovem perante as atitudes de que somos vitimas diariamente?
Eu proprio escrevi, por coincidência, um post sobre os "ferimentos" provocados pela chamada amizade.

Percebo, entendo, descubro e lamento a ignóbil natureza do Homem.
Cada segundo martela-me a alma na longevidade que a vida me impõe. Sinto o sufoco do ser perante o arresto do corpo.
As grilhetas do quotidiano arrastam-se a meus pés, implorando-me que fique, para que massacrem ainda mais o corpo. Cansada, a alma perde as asas, entrega-as, devolve-as, para não mais visitar as ilusões dos sonhos de que se alimentava.
Quero devolver o corpo, qual fato alugado em vésperas de festa, mas ninguém o quer receber. Quero partir, comprar um bilhete de ida, para não mais voltar, mas a realidade nega-me a vantagem de poder voar para lá do horizonte, nega-me a tranquilidade que o corpo clama, nega-me tudo, porque afinal apenas me cabe nada.
O tempo pára, entre cada segundo, para me recordar que tenho de senti-lo passar, na pele, na vida, na dor que provoca ao riscar-me a face, ao quebrar-me o corpo, deixando-me curvado sobre o próprio peso da realidade.
Esta noite não sonhei, apenas não dormi, porque a alma sangra ao perceber que este não é o meu.
Tenho amigos que não sabem ou não querem saber o quanto são meus amigos.
Não percebem a verdadeira amizade que lhes devoto e a absoluta necessidade
que tenho deles.
A amizade é um sentimento mais nobre do que o amor. A amizade podemos compartilha-la, enquanto o amor tem intrínseco o ciúme, que não admite a rivalidade.
E às vezes, quando os procuro, noto que eles não tem noção de como me são fundamentais, de como são indispensáveis ao meu equilíbrio vital, porque eles fazem parte do mundo que eu, tremulamente, construí e se tornaram alicerces do meu encanto pela vida.
Por vezes, mergulho em pensamentos sobre alguns deles.
Se alguma coisa me consome e me envelhece é que a roda furiosa da vida não me permite ter sempre ao meu lado, os meus amigos, e,
principalmente os que só desconfiam ou talvez nunca vão saber que são meus amigos!

Cumprimentos
JC




De a 25 de Outubro de 2007 às 11:21
Ás vezes é tão difícil encontrar essa força, para continuar em frente...


De paula_tavares a 25 de Outubro de 2007 às 12:45
As desilusões, esses momentos dolorosos, inesperados, devem-se a meu entender, a muitas expectativas que fazemos da vida, das pessoas que nos rodeiam, familiares, colegas de trabalhos, amigos e alguém que amamos! Fazemos muitas expectativas! Esperamos demasiado dos outros e quando eles não nos correspondem ao nível que queremos, ficamos decepcionamos, magoados, desiludidos! A expectativa não faz parte do amor! Porque o amor nada espera, nada exige, não se vangloreia, não se envaidece! Tudo dá, tudo espera tudo agradece! Amamos pela metade como filhos que somos, porque esperamos algo dos nossos pais que nem sempre eles nos dão; amamos pela metade como pais, porque não correspondemos aos anseios dos filhos, na compreensão, no afecto, na partilha; amamos pela metade como comprometidos com alguém, com um amor, que se torna reivindicativo, cobrador, ciumento, possessivo; amamos pela metade os nossos amigos, porque exigimos muitas vezes deles aquilo que eles nem sonham que necessitamos! Desilusão, desilusão, somos nós que a semeamos com a nossas expectativas e falta de Amor!
Fiquem bem, sejam felizes, façam alguém feliz. da Mª. Paula Tavares


De tete3 a 25 de Outubro de 2007 às 15:25
a felicidade éúm perfume, com que não podemos aspergir os outros sem que caiam algumas gotas em nos mesmos por isso eu tou a´´espera .bjins gostei de a ver hoje na rtp .


De anjoselvagem a 25 de Outubro de 2007 às 16:44
A vida realmente é feita de coisas boas e más,pois é assim que o ser humano evolui para bem ou para o mal.Mas mesmo nas desilusões existe o lado positivo, são com elas que aprendemos mais, a ser-mos mais maduros e a ver-mos a vida de um ponto de vista mais profundo e simples.Como o dia de amanha, nunca se sabe, aprendamos a ser 'nós', a receber o que a vida tem para nos dar sem expectativas muito elevadas porque "quando a porta da felicidade se fecha, outra se abre.Mas estamos tão presos aquela porta fechada que não somos capazes de ver o novo caminho que se abriu." Deixe-mos de alimentar odio e raiva e outros sentimentos negativos e aprendamos a perdoar do fundo do coração.A vida é apenas uma experiência, que deve ser bem aproveitada nas coisas boas e nas más.Um abraço do tamanho do mundo.


De marecheia a 26 de Outubro de 2007 às 19:42
Luísa
Recebi o endereço do seu blogue através de uma amiga que me acha tremendamente parecida consigo. No estar, naturalmente. Você é linda e eu, mesmo sendo já portadora de um bilhete de identidade que me afirma nascida em 1953, também vivo um pouco na minha "terra do nunca" e dou ao mundo as mesmas queixas que a minha amiga. Mas não sou tão bonita.
Vivo na ilha mais ocidental dos Açores, a ilha das Flores, para mim, a mais bonita do arquipélago. Também escrevo, publiquei este ano o meu 10º livrinho, fui deputada nos Açores e fui fazendo coisas toda a vida. Mas primeiro fui professora primária. Antes de tudo.
Talvez a Luisa gostasse de conhecer a minha ilha. E mesmo não tendo nenhum palácio, na minha casa há sempre lugar para pessoas especiais como a Luísa.
Gostava de a trazer à minha terra do nunca!!! Tenho a certeza que ia gostar.
Tenho estado a acompanhar o seu desempenho no juri porque acho que é linda a sua forma de participar. Olhe que também acho o Isaac Baltazar, um homem de peso!!! O Manuel Luís Goucha é a minha paixão mais nobre há muitos anos.
Luísa, um beijo e um abraço de espuma detas ilhas de sonho.
Gabriela Silva


De Nanda a 28 de Outubro de 2007 às 21:47
Cara Luísa, a vida é assim... Esta é uma frase feita que encerra toda a pequenez de um povo submisso, que sofre e, ironia terrível, gosta de sofrer! As desilusões da vida são os alicerces que precisamos para cimentar uma personalidade forte. Precisamos acreditar que ninguém merece o nosso sofrimento, as nossas lágrimas. A traição dos que considerávamos serve para crescermos emocionalmente e cada vez gostarmos mais de nós, incapazes de fazer o que nos vitimou.
Eu já estive com um pé dentro do poço, quase que acreditei que merecia o que me ia sucedendo. Felizmente acordei para mim, a pessoa mais importante do mundo a seguir aos meus filhos. Por eles redescobri o meu ego, sacudi as pingas de água que ainda persistiam e tentei desculpar e perceber todo o mal que me fizeram. Confesso que nem entendi nem desculpei, também não me importa, não preciso de quem não precisa de mim.
Beijinho


De Color a 29 de Outubro de 2007 às 02:21
Passo por aqui quase todos os dias.
Hoje atrevo-me a escrever: é tudo tão verdadeiro!!!


Ps: Ousei colocar um link para o seu blog no meu! Caso considere um abuso por favor diga-me para eu o eliminar.

Cumprimentos.
Bell


De Diogo a 30 de Outubro de 2007 às 03:07
Tanta banalidade junta...

Tem o telefone da sua filha que me dê?


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