Terça-feira, 30 de Outubro de 2007
Devia ser assim

Os meninos nasciam e, quando os papás os fossem registar, receberiam os seguintes diplomas:

- Certificado com aprovação do exame do primeiro, segundo e todos os ciclos que vierem a inventar;

- Carta de condução;

- Certificado de curso superior (e, de acordo com Bolonha, seria então bacharelato) para qualquer curso (o espaço ficaria em branco para o jovem escrever a sua escolha).

Enfim, desta forma poupava-se muito trabalho, despesa e sofrimento. Ao Estado, aos pais e professores, e aos "velhos do Restelo" que olham atónitos para as leis, cada uma que é promulgada, mais absurda do que a anterior.

Pensam que estou a brincar? Mas vejam bem: os trabalhos de casa, segundo os especialistas (!), traumatizam as crianças. Ninguém pode chumbar a não ser que os pais deixem. Se não lhes apetecer ir às aulas, que, como se sabe, são uma grandessíssima chatice, o Estado providencia exames especiais, tantas vezes quantas as que forem necessárias até os pobrezinhos passarem.

Passarem para onde? Para lado nenhum! Temos, cada vez mais, licenciados analfabetos, convencidos de que sabem tudo, com a agravante de uma sociedade que apenas faz uma coisa: pedir desculpas! Desculpas de quê?

Mas, afinal, quando é que conseguimos ultrapassar estes complexos pós-revolução e perceber que autoridade não é o mesmo que o autoritarismo e que NÃO SOMOS TODOS IGUAIS!

Para além do respeito devido a todos os seres humanos, existem pessoas cuja posição na vida dos jovens carece de respeito por inerência: os pais, os professores, os mais velhos, etc., etc.

Pena é que sejamos nós a não saber ocupar o nosso lugar!

 

in Destak 30.10.07



publicado por Luísa Castel-Branco às 09:28
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12 comentários:
De Luar_Amigo a 30 de Outubro de 2007 às 11:26
Menina Luísa, este seu post não podia ser mais autentico da triste realidade que se vive nos dias de hoje, neste país de ninguém...

Bjnhs


De anjoselvagem a 30 de Outubro de 2007 às 17:32
Os jovens de hoje têm muito poucas ou nenhumas referencias e quase ou nenhuns sonhos. Vêm a vida de uma maneira muito igual, ao grupo de amigos, vestem-se todos da mesma maneira e até o corte de cabelo é quase igual, resumindo parecem quase todos da mesma familia, uma pena. Acho que hoje a maior parte dos jovens têm medo de ser eles proprios,muitos até vao para a universidade porque os pais querem e até o curso é escolhido pelos pais e depois o resultado é o que se vê porque eles muitas vezes nem vontade têm de continuar ou demoram mais tempo e nem vontade têm de lutar pelos seus verdadeiros objectivos, pois de lhes fizeram sempre a papinha toda sempre dá no que dá. Nao estao muito à vontade para assumirem os seus fracassos apenas as suas vitorias. Hoje a confiança no outro e a propria intimidade entre duas pessoas é algo um pouco raro, é pena porque nós existimos para partilhar e não para andarmos um para cada lado. Um abraço do tamanho do mundo.


De João Cordeiro a 31 de Outubro de 2007 às 11:14
Cara Luísa,
é sempre expectante que leio-o a sua coluna no Destak.
Ontem, ao lê-la fez-me reflectir mais uma vez num tema que penso todos os dias.
Realmente para onde caminhamos? Que sociedade estamos a criar? Onde ficam os valores humanos no meio disto tudo?
Que é feito das cabeças partidas, nas brincadeiras da escola primária?
Sem dúvida que estamos a criar autómatos que se regem pela valia do mais forte.
Concordo com a leitora que diz que todos parecem iguais… é verdade. Onde trabalho, existem vários jovens em estágio. Alguns trabalham comigo directamente. De facto as ideias, os métodos a roupa e os vícios são idênticos. Até os erros ortográficos são semelhantes.
O que seria Leonardo Da Vinci se hoje fosse vivo? Algum stressado com alguma patologia clínica, que andaria de rastos, com as drogas que eventualmente lhe receitasse qualquer psiquiatra. Um pintor talvez sem grande valor de marchandise, um presumido inventor que acabaria por ver as suas ideias serem comercializadas e vendidas por grandes fábricas e possivelmente a sua homossexualidade ser esquecida se fosse importante, ou um factor de discriminação se ninguém lhe ligasse nenhuma. Esta teoria é baseada por escritos históricos da época portanto vale o que vale... aliás o sexo naquela altura era visto de forma algo diferente.
Nascemos todos nus, mas ao morrermos vamos todos vestidos. Já viram o que seria um bebé nascer com uma fatiota pré neófita?
Existe até uma empresa que está a preparar drageias para acompanhar o desenvolvimento do feto para vir já vestido... com fraldas e tudo. Fantástico!
Que pressupostos tão parvos e descabidos. Será que algum dia irei ter cura?

Um abraço
JC


De anjoselvagem a 31 de Outubro de 2007 às 13:10
Pensei que fosse a unica a ver tudo como descrevi no meu comentario mas afinal alguém me acompanha... coitado do Leonardo da Vinci diria "tirem-me daqui" e refugiava-se nas montanhas até morrer. Estamos a precisar de mudança, de um abanão,saudavel é claro, quem sabe... Um abraço do tamanho do mundo.


De Susana a 31 de Outubro de 2007 às 16:04
Concordo plenamente com tudo que aqui foi dito. Aliás, vi a Luísa na SIC Mulher há bem pouco tempo e já tinha abordado levemente este assunto - gostei muito de a ver e ouvir.

Eu confesso que a minha geração, os novos trintões, também sofrem de alguns males que agora se parecem ter agravado para proporções epidémicas na geração posterior à nossa - os filhos dos anos 80 e 90.

Os meus pais e os dos meus amigos não eram ricos mas insistiam que um curso superior era necessário, fosse ele qual fosse. Ora, as regalias que a minha geração já teve veio trazer muitas falsas expectativas, muitos sonhos, que devido a problemas sociais e económicos (ou ambos) se transformaram em frustrações. Os pais, por sua vez, não estavam preparados para nos preparar para possíveis dificuldades de percurso. A vida deles tinha melhorado depois do 25 de Abril, a nossa nunca chegaria a conhecer dificuldades...Pois!

Enfim, a nível pessoal posso dizer que os meus "anos 20" foram anos para re-aprender quem eu era, o que queria e como afastar a opinião dos outros das minhas decisões pessoais. O trabalho continua, mas mais de metade do caminho já foi percorrido. Espero eu!

A nível de ensino nunca vivi o descalabro que agora se fala e que a Luísa aqui apresenta, mas ouço pais a queixarem-se que os professores não prestam ou que não gostam dos filhos deles e por isso é que os miúdos têm dificuldades na escola.

Se a minha geração já pagou o preço das regalias que teve o que será da que ai vem: a geração telemóvel, iPod, internet. Livros, nada!


De Anónimo a 1 de Novembro de 2007 às 20:03
Ler o que escreve é para mim uma lufada de ar fresco. Sempre que posso espreito o seu blog na esperança de ver novidades. Quando acabo de ler sinto-me melhor. Obrigada!


De Patrícia a 1 de Novembro de 2007 às 22:41
Como sempre aqui estou eu a comentar os seus textos. Tenho 25 anos e achei muito interessante abordar este tema. Eu tive de trabalhar para pagar os meus estudos universitários num país onde as leis que supostamente deveriam proteger os trabalhadores-estudantes apenas protegem as entidades empregadoras que tratam de fugir à sua responsabilidade. Decidi prosseguir os meus estudos pós-licenciatura não porque està na moda mas porque sinto necessidade de continuar a aprender. Não trabalho na àrea mas também não baixo os braços ,trato de trabalhar para sustentar os meus estudos, os meus sonhos e sei o quanto custa tentar ser alguém neste país. E por alguém refiro-me a querer melhorar a minha pessoa em todos os níveis. Troquei muita coisa própria para alguém jovem pelos estudos ,não sou melhor nem pior que os outros mas tento melhorar o que sou. Hoje em dia o que as pessoas querem é ser famosas, e em vez de investir na formação investem em silicone, o que de facto até ajuda a sua auto-estima mas pouco ajuda no crescimento intelectual deste país. Só para dar um exemplo para se ser actriz interessa estar numa agencia de modelos em vez de se ter uma boa base. As pessoas acomodam-se, não vão à luta e o que sabem é criticar o vizinho do lado. Muitos dos maus exemplos que vejo na juventude ,a meu ver ,partem do que a sociedade lhes està a passar , partem da educação ou da falta dela que tiveram, partem dos exemplos mais velhos que tiveram. Quero acrescentar que consigo reconhecer bons exemplos nos jovens de hoje e que para mim os seus textos são essenciais. Desejo-lhe muita inspiração. beijinhos.


De Antero Ferreira a 3 de Novembro de 2007 às 20:03
Os miudos deviam ser todos registados nas conservatórias de Lisboa!!!!! não era????, assim o resto do país não tinha ninguem, e podiam fazer os grandes, médios e pequenos eventos em Lisboa, pois só em Lisboa é que havia gente. Sabe do que estou a falar, não sabe????


De chamarrita a 4 de Novembro de 2007 às 18:57
Olá!
Gosto de ouvir o que diz e de ler o que escreve. há algum tempo que frequento o seu blog sem deixar comentários, mas desta vez tinha que ser.
Sou professora e concordo totalmente consigo.
Infelizmente penso que a geração que agora está na fornada não tem ídolos - e entenda-se por ídolos pessoas com vivências que ultrapassaram a barreira do comum dos mortais - elevados como referência e pelos quais possam pautar a sua conduta.
Não há ídolos, não há ideais e não há deveres... direitos todos os temos!
Obrigada pelo seu espaço.


De Nero_Azurra a 5 de Novembro de 2007 às 14:24
Olá é a primeira vez que cá venho... Parabéns pelo Blog, Dona Luisa :-P.

Este Post chamou-me a atenção porque tenho 21 anos e não me identifico em nada do que Vcs Exas. referem... somos todos iguais?? Sem Ideais??
Eu não me vou por aqui a falar da minha vida, mas....
Por amor de Deus, somos assim gente tão burra e Analfabeta???

Se caso a minha geração for assim tão néscia...não se preocupem.... Em terra de cegos quem tem olho é rei ;-)



De Paula a 5 de Novembro de 2007 às 18:29
Boa Tarde
À poucos dias, pensei neste assunto é que quase que parece que o 25 de Abril foi em vão!! Temos liberdade, mas que tipo de liberdade?? Essa liberade está tão condicionada, por tantas obrigações, que nos esqueçe-mos que somos indivíduos, temos o direito de agir e ser diferentes!!! Não sermos com alguém acha que devemos ser...
Paula


De Anónimo a 7 de Novembro de 2007 às 18:11
Tenho um filho em pleno vulcão em erupção que são os 16 anos. Irreverente quanto baste, hiperactivo, levitando sempre que possível, enfim vivo e saudável! Por isso, quero partilhar este episódio para reflexão geral:
- O aluno x chega atrasado à aula y- o Professor não aceita a justificação verbal, marca a falta e o aluno assiste à aula. No final do mês, o E.E . recebe no domicílio a falta injustificada.
Que ilações poderemos tirar?
1-O aluno é punido por chegar atrasado à aula. Contra factos não há argumentos.
2- Que critério utiliza o Professor para marcar falta ao aluno que chega atrasado e o aluno que falta efectivamente?!?
3- O critério é o mesmo!!!
4- Conclusão: vivemos com um sistema de ensino, idêntico ao sistema de saúde!
Os Professores são como os Médicos que prescrevem receitas, sem fazer um diagnóstico correcto. Exercem uma profissão, não uma vocação! A desmotivação não é levada para Escola, nasce na Escola.
Até logo...

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