Segunda-feira, 10 de Dezembro de 2007
Hoje

Escreve texto felizes, dizem-me. Coisas alegres. Escreves sempre sobre o mesmo, apontam-me.

Faz de conta que és outra pessoa, alguém me dizia outro dia.

Mas é isso mesmo que faço todos os dias, fora deste espaço de liberdade.

Transporto-me pela vida sem carregar os outros com as minhas dores, ou tristezas, ou estados de alma, ou simplesmente reflexões sobre a justiça da ordem das coisas. Porque tenho tantas perguntas por responder e tantas mas tantas revoltas interiores.

Portanto recuso-me aqui, pelo menos aqui, a ser a outra que sorri porque ninguém tem que carregar com as minhas queixas de alma ao desbarato, desorientada sem saber bem para onde ir ou porque questiona a todo o momento tudo.

As historias felizes não tem historia.

Haverá efectivamente pessoas felizes ou apenas momentos na vida em que sentimos esse estar especial de quem voou para as nuvens e lá se deixou estar?

Conheço tanta gente, se calhar a maior parte das pessoas com quem me relaciono, que não questionam o porquê do dia a dia ser como é, para elas próprias , para os outros.

Mas eu vivo como uma criança que não passou a fase de perguntar permanentemente porque.

E não escrevo só sobre mim, muito pelo contrario.

Muitas vezes roubo historias de vida a gente que mal conheço, ou um simples olhar perdido do homem sentado no café.

Tudo serve para conjecturaras sobre os seres humanos.

E se a minha janela dá directamente para o recreio dos meninos que brincam e pulam e riem, eu não consigo deixar de pensar na noticia que li hoje da criança de três anos espancada que aguarda no hospital que a justiça determine para onde vai.

Os meus filhos dizem que eu não sei ser feliz. Mais gente que me ama ou me amou o disse.

Mas para mim isto é apenas estar viva.



publicado por Luísa Castel-Branco às 15:53
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8 comentários:
De Luar_Amigo a 11 de Dezembro de 2007 às 09:24
Olá Menina Luísa. Vou comentar a última parte deste seu Post, pois preocupa-me a felicidade de pessoas como a Menina Luísa.
Na minha modesta opinião, por aquilo que leio no seu blog, acho que neste momento a sua felicidade se resume em ajudar os outros com a sua experiência de vida. Mas acho que precisa de mais, precisa de um tempo de reflexão só para si sem mais ninguém à sua volta, para colocar os ditos pontos nos "is" e redescobrir a felicidade. Porque não tira umas férias num cruzeiro até às ilhas gregas?!!
Desculpe esta minha maneira invasiva de achar o que deve ou não ser o melhor para si, mas sou assim, tenho o coração perto da boca e digo tudo aquilo que penso.



De paula_tavares a 11 de Dezembro de 2007 às 14:10
Luísa:
sermos ou não sermos o que somos na realidade ou no mundo virtual, talvez para uns sejam um passo de gigante e para outros um passo de bébé! Sermos ou não felizes, será para uns uma realidade virtual e para outros uma realidade. Para mim, a felicidade constrói-se, como quem trata de um campo ou de um jardim e até sabermos ou aprendermos que a felicidade é um estado de espirito construtivo leva muito tempo e assim, vamo-nos contentando com momentos que nos dão a sensação de felicidade. Depois, vivermos um eterno carnaval, durante o qual a máscara nunca é tirada pode tornar-se um hábito e apesar do hábito não fazer o monge, podemos ficar presas a uma imagem que não é a nossa! Para o bem e para o mal devemos ser nós mesmos, para que esta imagem de sociedade falseada e hipócrita acabe e dê lugar a pessoas verdadeiras. Todos temos coisas boas e menos boas e no cômputo total do que somos, formamos um corpo imenso, interligado entre si. É tempo de mostrarmos a verdadeira natureza que há em nós, sem termos medo das criticas ou comentários dos outros. Porque os outros de uma maneira ou de outra, sempre utilizarão ideias e comentários mais ou menos pouco lisonjeiros. Porém, o procurarmos o espaço virtual para sermos aquilo que não conseguimos ser no espaço real, talvez seja um inicio ou prenúncio de que um dia conseguiremos ser no mundo real, aquilo que realmente somos! Quando isso acontecer, acabasse o nosso eterno carnaval! E já é tempo!
Fique bem, procure ser feliz, faça alguém feliz. Paula Tavares


De carla susana a 11 de Dezembro de 2007 às 23:21
Olá, Luisa (penso poder trata-la assim!), de vez em quando passo por aqui, e devoro as palavras que escreve com sentimento, de coração aberto... e tantas vezes me identifico com aquele sentimento, aquela sensação, aquele viver que tão bem descreve, e tenho apenas 27 anos; mas não e preciso ter a mesma idade para partilhar experiências, todos nos somos seres humanos e ontem ou hoje passamos pelo mesmo! Sobre este texto em particular: Ai como a percebo! quantas vezes sorrio na rua ou no trabalho sem querer transparecer que no fundo me caem as lágrimas, me ecoam os gritos no silencio do meu ser, mas ninguem tem culpa e todos carregamos os nossos fardos sem querermos maçar ninguem... mas é dificil, e doloroso nao partilhar não gritar bem alto! Talvez a vida me ensine a gerir isso melhor! As pessoas dizem que eu tenho o coração na ponta da lingua ... bem já fui bem pior; mas tenho o hábito/defeito de dizer o que penso (eu chamo-lhe feitio) com as palavras certas e na altura certa claro mas nao gosto guardar para dentro e tenho o problema de ser demasiado observadora e de apanhar as coisas no ar e se me perguntam se??? eu respondo prontamente foi!!! talvez nao me esteja a saber explicar mas fica aqui o esforço de tentar!
prometo ir escrevendo com mais clareza, mas queria apenas agradecer por estes bocadinhos de partilha que tao bem sabem depois de um dia sem parar!! Beijos
Susana


De Tiago a 12 de Dezembro de 2007 às 14:24
Parabéns Luísa, muito bom texto. Felicidades.


De João Cordeiro a 13 de Dezembro de 2007 às 17:09
Cara Luísa,
eu tenho a mesma "doença"... mas, que fazer?
A mim, já nada me resta.

Já nada me resta esta noite, será mais uma, sento-me nas escadas, a chuva cai ruidosamente molhando-me, que caia cada vez mais de modo a disfarçar a dor e as lágrimas que assolam a minha face.


Espero-te como na noite anterior, rosto cravado no chão de onde os pingos de chuva vão levantando pedaços de terra, mãos frias recebendo a chuva, abertas, prontas para te receber a ti se vieres...


Se vieres esta noite, meu eu embutido, estranho ser que julguei ter, se vieres hoje o meu madrugar fará sentido senão que mais de mim restará senão a memória feliz de ter-te a sussurrar-me ao ouvido só por uma vez um "Gosto-te!"?


Já nada resta esta noite, só me vejo nos charcos, a cara disfarçando a dor com um pouco de esperança que o vento frio ainda me traz.

Andarás perdida?

Não saberás o caminho até mim?

A rua é a mesma, o caminho é o mesmo.

Esta noite já não me presta e se algo nesta noite resta é esta espera desassossegada que enlouquece deveras.

Premi-te que te diga, pela última vez que seja.

Gosto-te simplesmente amiga, ser desconhecido que encontrei no meu caminho...

Gosto-te porque conseguiste chegar até mim.

Uma vez mais imploro-te, se esta dor que hoje sinto for para continuar, rogo-te que não mais venhas trazer-me a esperança que me faz hoje enfraquecer e resfriar gemendo de dor.


Sabes que estarei aqui, mesmo que diga que não, mesmo que implore que vás, sabes que estarei sempre aqui e aí, no teu coração, para onde quer que vás.

Felicidades


De Patrícia a 15 de Dezembro de 2007 às 21:40
Mais um belo texto seu, adoro saber que posso vir sempre aqui refugiar-me nas suas palavras


De Taninos a 17 de Dezembro de 2007 às 13:09
Cara Luisa,

Sempre me despertou a curiosidade como mulher, como mãe, como contadora de histórias e mais recentemente, depois de ter adoencido como ser humano, de carne e osso. Partilho consigo este vício do cigarrinho que também gostava de abandonar e pelos vistos também um cepticismo em relação á felicidade, ou melhor, a esse estado de eleição do ser feliz.
Quanto aos pedidos dos seus simpáticos leitores que lhe pedem que escreva coisas felizes, releve...são formas de manifestar esse desejo intimo que têm de que seja feliz.
Eu por mim, que também escrevo mas sem o sei jeito, acho que deve escrever como sente, como deseja, como é, como respira, sem encomenda, com todos os recados, risos e lágrimas que lhe escorregarem da alma para os dedos.
Cada vez acredito menos em acasos e considero mesmo que o universo me tenta dizer algo, e hoje foi em si que me revi.

Um abraço e se quiser apareça...

Taninos

www.nofundodagarrafa.blogspot.com


De Paula Cordeiro a 3 de Janeiro de 2008 às 18:23
Luísa
Descobri o seu blog e não digo ter sido por acaso, porque na verdade não acredito em coincidências...
Vi recentemente um programa de televisão, em que foi abordada sobre a polémica Lei anti-tabaco e quero desde já felicitá-la, pela abordagem que deu enquanto fumadora (tal como eu) ao problema.
Sinto neste momento que seria no minimo engraçado, que os fumadores deste país, de repente sofressem uma grave depressão e se vissem forçados a meter baixa médica, dado que no seu local de trabalho, não podiam "matar o vício". A verdade é que ser fumador neste momento é pior que ser assassino, drogado, bebado, ou qualquer coisa pior!
Boa proposta, não acha?


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