Quarta-feira, 19 de Dezembro de 2007
Natal não era assim

Os dias escurecem muito cedo, o frio chegou finalmente e a natureza voltou ao seu ritmo normal, com a folhagem das árvores a cobrirem os passeios como tapetes. Lisboa este ano está pobre de luzes. Os enfeites que adornam noutros anos as avenidas e as ruas quase que desapareceram. Sinais dos tempos, da crise, mas a verdade é que a cidade assim despida fica mais triste e não nos deixa esquecer os tempos que correm.

Longe vão as festas natalícias em que os presentes eram poucos e simbólicos, quer se tivesse dinheiro ou não. Não havia consumismo porque não havia onde consumir. Ou talvez porque éramos ainda virgens nesta vertigem das compras por atacado, por obrigação, a longa lista de presentes obrigatórios, e o dinheiro que não chega! Quantos na grande cidade ainda confeccionam a sua ceia de Natal e fim de ano? Quem tem tempo? Quantos ainda o sabem fazer? As tradições vão desaparecendo com a voragem do tempo, e sobra o resto do País, onde por essas cidades, vilas e lugarejos se comemoram as festas de uma forma bem mais verdadeira.

Porque a questão não é só financeira, é também do próprio espírito da quadra que desapareceu dos nossos corações no meio de tantos problemas, tantas listas de obrigações. E depois, o Natal de quem não tem Natal. Dos sem-abrigo, das crianças pobres. O outro lado da realidade aqui tão perto de nós que preferimos ignorar. Mas por mais que isto tudo nos venha à cabeça, basta olhar uma criança com um ar espantado e um sorriso imenso nos lábios especada perante um Pai Natal qualquer, para que tudo valha a pena.

in Destak 18.12.07



publicado por Luísa Castel-Branco às 11:21
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7 comentários:
De Estupefacta a 22 de Dezembro de 2007 às 17:09
Querida amiga
Que Jesus, a verdadeira razão do Natal, lhe traga tudo o que mais deseja. Um Santo e Feliz Natal são os votas das amigas
Estupefacta e Maria

Tenho acompanhado todos os seus posts , obrigada pelo seu testemunho, obrigada por toda a herança que nos deixa


De isabel a 31 de Dezembro de 2007 às 01:26
Que a viagem até 2008, seja com rumo à felicidade e que na bagagem leve alegria, saúde, amor e amizade.

Bjt


De joão marinheiro a 28 de Dezembro de 2007 às 17:40
OLá Luisa, gostei de "descobrir"o seu blog por aqui, uma vez que só a conheço da tv, que é uma coisa assim muito distante de longe para se conhecer as pessoas do outro lado, o humano. Gostei de saber das memórias do natal, as questões que nos ficam hoje, porque tudo tem de ser assim tão rápido frio e impessoal. O tempo que temos.
Tambem escrevo, às vezes, e um dia destes tambem me lembrai de escrever de memória sobre os dias antes do natal.
Fica o convite à visita por lá
Abraço e bom 2008
João marinheiro


De João Cordeiro a 31 de Dezembro de 2007 às 13:52
Cara Luisa, embora não tenha respondido ao meu desafio, desejo-lhe um 2008 repleto de esperança, embrulhado em sonhos e enfeitado com um laço de ternura.


Beijo sonhador


De rúben leitão a 3 de Janeiro de 2008 às 12:46
É triste apercebermo-nos desta perda de significado... tudo o que, em tempos, era puro, doce, mágico... torna-se, agora, em época de compras, dinheiros, pura ilusão momentânea...

E sim... um único sorriso de uma criança, "perdida" ainda num mundo de fascínio, mostra valer a pena...

Sabe bem... recordar um sorriso semelhante... num tempo já passado...


rúben leitão


De daisy a 3 de Janeiro de 2008 às 18:35
O Natal já não é como era de facto. Eu posso dizer que o Natal é a pior época do ano para mim. Pode não acreditar, mas raramente na minha vida tive um natal feliz. Esse facto deixou um rasto de melancolia dentro de mim. O espírito de Natal, não passa de uma hipocrisia, o Natal pode ser todos os dias. Todos os dias podemos ajudar alguém, fazer alguém um pouco mais feliz... e custa tão pouco! Mas confessemos, somos um pouco cegos com o que se passa ao nosso lado, é mais fácil preocuparmo-nos com o que se passa noutros paízes, mais longínquos. Longe da vista, longe do coração... O consumismo venceu... há dias marcados no calendário para sermos solidários, para orerecer flores a quem gostamos, para dar um presente ao pai ou à mãe... todos os dias podem ser dias disso tudo, porque afinal de contas, também é mais fácil oferecer flores nos dias marcados, do que investir todos os dias na nossa relação, na relação com os nossos... dá muito trabalho... e as pessoas arranjam a desculpa da falta de tempo! É assim que eu vejo tudo isto, estes dias... uma hipocrisia pegada...


De Filomena Bastos a 10 de Janeiro de 2008 às 13:57
Olá, Luísa!

Por favor altere a cor de fundo, preta, que me dificulta a leitura dos seus textos.

Bom Ano para si!

Filomena Bastos


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