Terça-feira, 8 de Janeiro de 2008
Tira-me daqui

Não importa para onde, mas tira-me daqui. Finge que sabes para onde me levas. Mas tira-me daqui. Finge que queres levar-me, mas tira-me daqui. É só até descermos as escadas. É só até à esquina da rua. Depois podes partir, ir à tua vida não interessa, não tem importância. Mas, por favor, tira-me daqui. Não oiças as perguntas, não queiras saber dos olhares. Só quero mesmo sair a porta e fugir. Tira-me daqui para que eu possa respirar, não vês que morro sufocada? Não vês que minguo na tua frente?

Eu sei que tens pena de mim. Por isso, tira-me daqui. Deixa-me chegar à rua e desatar a correr como uma louca, sem destino, sem futuro. Preciso de sentir o vento na cara, a noite fria a lamber-me o corpo e só isso. Não te preocupes comigo. Podes ir. Eu não sei para onde vou e o que é que isso interessa? Também não sei porque estou aqui. Vou direita ao rio, Talvez vá direita ao rio, lá em baixo no cais onde termina o casario, e me sente com o casaco a lamber o chão e as lágrimas a lamberem-me o rosto, e o Tejo a lamber as pedras.

Tira-me daqui, por favor. Não me deixes morrer assim, rodeada de gente que me ama mas não sabe quem sou, rodeada de amor cego que esqueceu tudo o que fiz, rodeada por uma enorme memória dos tempos em que eu existia. Tira-me daqui que mais nada me interessa e não te vou pedir mais nada, prometo. Quando te voltar a ver, se um dia me cruzar contigo, fingirei que não nos conhecemos poupando-te o desagrado de me olhares. Também não me reconhecerás. Não sei como serei então. Não sei como é o rosto de quem é livre.

in Destak 8.01.08



publicado por Luísa Castel-Branco às 13:24
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4 comentários:
De Carolina Vaz-Pires a 8 de Janeiro de 2008 às 19:56
Admiro imenso a garra das suas palavras e a determinação de todos os seus textos!
Sendo apenas uma rapariga de 16 anos também com vontade de brincar com as palavras, encontro muitas vezes essa necessidade de partilhar aquilo que sinto, aquilo que vivo com as pessoas que me rodeiam.

Um sincero obrigada por partilhar comigo e com todos um pouco de si e das suas palavras.
E lá vou eu, de Destak em Destak procurando por palavras boas de serem ouvidas, como as suas.


De faty_27@msn.com a 9 de Janeiro de 2008 às 17:05
Olá D.Luisa Castel-Branco.Sou uma leitora atenta da sua escrita aki.Encontrei-a por mero acaso pesquisando neste mundo imenso que é a net.Parei na sua página e decidi le-la,surpresa absoluta.Deparei-me com uma mulher que em nada tem a ver com o que transmite na tv.E isso é que me prendeu ainda mais á curiosidade de ler suas crónicas.Deixe dizer-lhe que na tv transmite uma imagem,uma maneira de estar que em nada me gusta,autoritária,com a mania que sabe tudo e por ai fora.Decerto q ja nao será a primeira pessoa a dizer-lho,no entanto nao me leve a mal,é a minha modesta opiniao que por si vale o que vale.Mas nao vim até aqui para lhe fazer valores pejurativos mas sim,mas lhe dizer q realmente e como muitas vezes diz,tirando a máscara,acredito que seja uma pessoa muito bem instruída,com valores nobres,um ser humano que de todo terá muito a dar q quem por si escolher ser descoberta. um beijo,fatinha.


De carla susana a 10 de Janeiro de 2008 às 00:15
Ola de novo e "TIRA-ME DAQUI!!"; se não parecesse tão irreal dir-lhe-ia que me lera o pensamento!!
Aqui estou eu saida do trabalho à apenas 1 horinha, depois de 13 horas de trabalho e de já ter feito uma data de coisas em casa, e de ter levado o dia todo a a gritar para dentro "TIREM-ME DAQUI, EU QUERO FUGIR, EU QUERO DESAPARECER!!" e venho ver se desanuvio e o seu texto começa com o mesmo pensamento!! Irónico não?! Coincidência?! Talvez! O que fazer quando nos sentimos assim mesmo, com vontade de desaparecer, não penso no Tejo, mas o Sado engole-me as lágrimas e embala-me a angustia nas suas ondas, nestes dias em que sinto fraca e oprimida, com medo de tudo e de todos, em que qundo deito a cabeça na almofada não descanso, suspiro e as lágrimas caem-me; tento nao fazer barulho, para que o meu companheiro não oiço os soluços e passado pouco tempo o dia já se levantou... O que fazer quando a tristeza nao tem motivo aparente e no entanto encontro razões em tudo! Confuso? Talvez! mas mais que isso angustiante e frustrante nao conseguir rir como é costume, ficar calada todo o dia para que ninuem perceba, ninguem questione e no entanto com vontade que alguem me dê o ombro e me diga que amanha sera melhor!!! Desculpe este "Grito", mas valeu a pena!!!
Beijos carla Susana


De Cristina a 16 de Janeiro de 2008 às 16:54
Quando encontrar boleia, seja ela qual for, dê-me o contacto também eu anseio por sair daqui....


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