Terça-feira, 19 de Fevereiro de 2008
Onde estás?

A saudade sabe a ti, transporto na minha boca o teu sabor, que se desfaz devagarinho, como se fosse um doce, caramelo que se pegou aos dentes. O teu corpo, esse ficou colado ao meu para sempre. Já desisti de tentar libertar-me dele.

Os meus passos solitários nas escadas, na calçada, esses vivem assombrados pelos teus passos.Acordo todos os dias a dizer que é hoje. Que vou conseguir começar de novo. Mas toda a casa tem ainda o teu perfume, a almofada perdeu a tua forma mas eu vejo-a lá.
Oiço as tuas palavras sussurradas nos meus ouvidos, e não estás aqui, ninguém está aqui a não ser eu e a minha solidão. Ah! Doem-me partes do corpo que eu não sabia ter, a alma fugiu-me e nunca mais a vi. Estou tão nua como a criança acabada de nascer e erro pelos dias, pelas noites, numa enorme confusão entre as memórias do que fomos e o que nunca aconteceu e eu sonhei.

Estou tão cansada, amor, tão prostrada que não tenho alento para as coisas mais simples e pergunto-me como vou continuar viva. Se tu partiste e levaste um pedaço de mim tão grande que me sinto cortada ao meio, metade de mim foi contigo e por isso que faço eu agora aqui?

in Destak 19.02.08



publicado por Luísa Castel-Branco às 21:33
link do post | comentar

8 comentários:
De a 20 de Fevereiro de 2008 às 09:58
Saudades... as recordações do coração...e quase sempre dolorosas.


De EU a 20 de Fevereiro de 2008 às 16:15
A saudade de alguém que partiu e deixou a saudade em seu lugar...
Acho que esse é o retrato do verdadeiro amor, quando duas pessoas se tornam uma só, unidas como quando colamos duas folhas de papel, que ao descolar rasgam.
O amor não é dor nem sofrimento, é a partilha dos sonhos, de momentos bons e menos bons, planear a vida em conjunto.
Dor é quando o nosso amor acaba ,ou por infelicidade da vida parte.
As suas palavras fizeram-me chorar, talvez porque ainda acredito nos sentimentos mais valiosos e verdadeiros do ser humano.


De josgar a 20 de Fevereiro de 2008 às 17:13
Vai em frente não olhes para trás, sê tu mesma tal qual como acreditas na vontade que te manteve na luta permanente que nos é reservada, Maria tu és a mãe, a filha, a avó mais querida como diz o poeta Maria Luísa, não sejas vaidosa deixa para trás as imperfeições que nos fazem todos iguais e todos diferentes. Eu vejo em si a força que falta por vezes a muitos de nós, como seres imperfeitos, infelizes, mas vai em frente não olhes para trás.
O admirador dos tempos do canal de noticias de Lisboa


De muguet a 21 de Fevereiro de 2008 às 02:35
beijo...sabor a um único aroma...o que falta.


De João Cordeiro a 21 de Fevereiro de 2008 às 17:59
A saudade... a dor de ver alguém que nos é querido, não se explica, vive-se, ou morre-se.

Morreste-me naquele dia. Tinhas os olhos rasos de água quando te encontrei naquele dia.
Passei um bálsamo calmante sobre as tuas pálpebras, que já estavam fechadas, e com dor, de tanto choro, e disse-te que tudo iria correr pelo melhor.
Que eu estava aqui. Que eu estava do teu lado. Que a morte poderia esperar mais cem séculos para te levar para junto dela, pois ainda não havia chegado a tua hora. O pão mal tinha começado a levedar. Nem o fermento havia ainda sido transformado. O meu forno já ardia esperando pelo teu corpo.
Disse-te que contemplarias o mar daqui a mais cem séculos, quando as rosas do jardim murchassem e eu me picasse mortalmente num dos seus espinhos. Que o tempo seria multiplicado por sete e alcançarias a imortalidade.
Isso acalmou-te. Passei de novo o bálsamo nas tuas faces que se encheram de alegria. A alegria momentânea dos moribundos. O forno tinha sido aberto para receber o teu destino.
Apesar de saber que dali a instantes serias levado no carro de Apolo em direcção ao sol, não me importei.
Falei-te do mais belo que havíamos vivenciado no mundo, e que tudo o mais era sem importância.
Disse-te…
Disse-te que estarias sempre comigo, e que guardaria o teu coração num frasco de alabastro branco, como o mármore das igrejas, e que serias sempre habitante das profundezas do meu ser.
Acalmou-te.
Foi então que o espírito do tempo chorou e entrou no teu corpo e cortou as últimas amarras, que te prendiam ao navio da vida. Morreste-me, naquele dia. Era dia do meu aniversário. Mas aconteceu assim... e, onde estiveres avó, peço-te que me acompanhes sempre e me ajudes nesta encruzilhada.




De A-de-Azul a 22 de Fevereiro de 2008 às 15:34
É por isto que eu gosto muito da forma como escreve!!! Denota-se muita sabedoria e expressividade. Também a admiro pela força pessoal que a demarca. Parabéns! :)
Bejos e felicidades.


De isabel a 24 de Fevereiro de 2008 às 16:22
A saudade é algo que nos corrói, em silêncio, levando consigo pedaços de nós que se desagregando lentamente.
A nossa força interior é forte e cada um de nós, à sua maneira, vencerá a cada dia que passa um pouco dessas brechas abertas.
Força Mulher/Mãe coragem.

Bjnh


De rosita a 19 de Março de 2008 às 23:49
Gostei, sofri uma grande perda e sei bem o que é sentir-se metade de um todo.


Comentar post

.links
.pesquisar neste blog
 
.mais sobre mim
.tags

. todas as tags

.arquivos

. Março 2013

. Janeiro 2013

. Setembro 2012

. Maio 2012

. Janeiro 2012

. Dezembro 2011

. Novembro 2011

. Outubro 2011

. Setembro 2011

. Abril 2011

. Março 2011

. Outubro 2010

. Setembro 2010

. Julho 2010

. Junho 2010

. Maio 2010

. Abril 2010

. Março 2010

. Fevereiro 2010

. Janeiro 2010

. Dezembro 2009

. Novembro 2009

. Outubro 2009

. Setembro 2009

. Agosto 2009

. Julho 2009

. Junho 2009

. Maio 2009

. Abril 2009

. Março 2009

. Fevereiro 2009

. Janeiro 2009

. Dezembro 2008

. Novembro 2008

. Outubro 2008

. Setembro 2008

. Agosto 2008

. Julho 2008

. Junho 2008

. Maio 2008

. Abril 2008

. Março 2008

. Fevereiro 2008

. Janeiro 2008

. Dezembro 2007

. Novembro 2007

. Outubro 2007

. Setembro 2007

. Agosto 2007

. Fevereiro 2007

. Dezembro 2006

. Setembro 2006

blogs SAPO
.subscrever feeds