Terça-feira, 11 de Março de 2008
A insegurança na educação

Se na manifestação do passado dia 8 estiveram em Lisboa cerca de 100 mil professores, então significa que aqui se manifestaram dois terços da classe que trabalha em Portugal.

Quantos destes eram pais, quantos eram avós?

Quando falamos do ensino, todos nós, de uma forma ou outra, temos algo que ver com o assunto.

E podemos não saber ou não perceber quais são as políticas que o governo quer implementar.

Mas temos uma noção muito clara do que os nossos filhos, sobrinhos, netos estudam, do que se passa nas escolas, de quanto custam os livros que todos os anos têm que ser comprados, mesmo que eles repitam o ano escolar.

Longe vão os tempos em que o professor era uma referência na nossa vida futura, em que o respeito, que veio substituir o medo que muitos vivemos antes do 25 de Abril, a admiração por aqueles que nos ensinavam ou que instruíam os nossos filhos era uma certeza, e dava-nos segurança.

Não querendo discutir a política para o sector, o que mais me interessa é salientar aqui é o outro lado desta realidade.

A Linha SOS Professores tem recebido um número inacreditável de queixas e pedidos de ajuda de professores agredidos verbal e fisicamente.

Esta é a realidade portuguesa. Independentemente das discussões sobre os métodos de avaliação dos professores, para quando a avaliação dos pais?

O facilitismo que o Estado vem instaurando ao longo dos anos no ensino, é ultrapassado pela incapacidade dos pais em educarem os filhos, e muitas vezes, de eles mesmos saberem respeitar quem os ensina.

in Destak 11.03.08



publicado por Luísa Castel-Branco às 19:33
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2 comentários:
De gui a 11 de Março de 2008 às 20:25
Creio que os professores, pelo menos desta vez, ensinaram algo muito importante aos portugueses. Disseram-lhes que é preciso resistir à arrogância, à prepotência e à incompetência. Não sei se os professores têm razão ou não, mas sei que este governo é o mais prepotente e anti-social depois do 25 de Abril...e se calhar até mesmo de antes. Os portugueses têm que dizer a esses senhores que não os querem a desgovernar este país. Os professores deram o exemplo. Quem os segue?

NOTA: Não sou comunista nem sou de esquerda...mas não sou parvo.


De Sónia B. a 17 de Março de 2008 às 05:47
Olá Luísa.
Sou a Sónia, tenho 29 anos e sou Professora do 1º Ciclo do Ensino Básico desde 2003.
Concretizei um sonho de pequena, ser Professora! Sempre achei o ensino uma arte; fascinava-me a ideia de alguém conseguir ensinar a um ser tão pequenino, a ler, escrever, contar.... Dava comigo a pensar que devia ser tão difícil ensinar, que não sabia se algum dia seria capaz de o fazer, e como seria chegar ao fim do dia e ver que o que tinha ensinado, os meninos tinham aprendido...
O meu primeiro ano de aulas foi mágico! Eu conseguia realmente ensinar! Ao fim de umas semanas já podia saborear as pequenas vitórias dos meus meninos, e a minha também, de ver que realmente aquele sonho que eu tinha de ensinar, se estava a realizar, que eu era mesmo capaz de ensinar alguma coisa!
A esse ano seguiram-se mais quatro... Sempre felizes, por fazer aquilo que realmente gosto. Este ano finalmente fiquei perto de casa, a 14 Km, porque cheguei a uma altura em que pude concorrer para perto de casa. Adoro os meus meninos, como sempre. Não me imagino a fazer outra coisa além de ensinar. Amo a minha profissão! Adoro o cheiro do papel, dos lápis afiados, o pó do giz que me seca as mãos e me estraga as unhas, adoro quando os meus meninos se enganam e me chamam "mãe", e adoro principalmente quando chegam de manhã à escola bem dispostos com um sorriso lindo e dizem: bom dia Professora!
Agora sinto-me angustiada! Penso na Avaliação. Penso no exame que vou ter que fazer para poder ser Professora. Penso que andei quatro anos a tirar uma Licenciatura, a ser avaliada continuamente, a fazer testes, trabalhos, horas e horas de estágio, noites de estudo e trabalhos ao computador.... para ser candidata a Professora. Mesmo depois de dar aulas há quatro anos, mesmo depois de ter terminado a Licenciatura com média de 15 valores, sou uma mera candidata a Professora, porque alguém decidiu que para eu ingressar na carreira docente, terei que fazer um exame. Mesmo depois de 4 anos de curso. Depois de 4 anos a dar aulas. E essa mesma pessoa que diz que eu sou candidata a Professora, (e para a qual trabalho como Professora, diga-se a ironia), diz agora que vou ter que ser avaliada... Avaliação de Professores! Então mas não sou Professora e sou avaliada como Professora? Em que ficamos? Sou para umas coisas, não sou para outras?
Avaliação? Venha ela! Exame? Venham três ou quatro! Não me assustam, porque devo ser avaliada pelo trabalho que faço, devemos todos, e sei o que valho. O que me assusta e aborrece, é não me chamarem pelo nome! Não brinquemos!

Desculpe o desabafo, não a conheço e não me conhece, mas achei que talvez dando a conhecer um pouco do que é para mim ser Professora, o que sinto, como me sinto, talvez pudesse compreender um pouco deste lado. Do meu lado. Da falta de consideração da pessoa que acima de tudo, e pricipalmente, nos devia apoiar; que devia dar o exemplo em vez de nos desacreditar. Porque ser Professor não é uma vontade que se tem hoje, é uma vontade, uma obrigação que nasce connosco. Um dom, se quiserem....

Os melhores cumprimentos,
Sónia B.


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