Quinta-feira, 10 de Abril de 2008
Eu e eu mesma

Ontem, em noite longa de insónia, desabafei com um leitor sobre o meu novo projecto, não, não estou a ser exacta, porque seria um projecto novo se fosse de agora, mas tenho-o dentro de mim desde que me lembro, e a execução essa é que vai ser agora.

Estou a falar do livro que vou publicar, do meu primeiro romance, e apercebo-me de como é fácil conversar aqui neste cantinho.

Nem é ainda tempo para falar do assunto, mas sinto-me em casa, aqui convosco.

Daí o desabafo sobre o medo, a insegurança que é ver crescer um texto, as personagens tomarem forma, e de repente, quer dizer, mais de ano e meio, e só em momentos roubados ao dia a dia, ali está ele, o livro.

Agora ando na fase da revisão.

E podem não acreditar, mas não tinha lido o texto todo nestes quase, quase dois anos e quando o fiz por ser necessário, deu-me um aperto no estômago que nunca mais saiu. Nem vai sair.

Dêem-me os directos de televisão e rádio que quiserem, mas um livro, é coisa séria, coisa que fica para sempre e não, como tudo o resto, que não tem validade nenhuma, nem memória.

Estou com as dores de parto, segundo me diz a editora!

Uma leitora enviou-me um amável comentário.

Mas eu tenho um enorme medo de falhar, de ser incompleta, de desiludir as pessoas.

O que é que isto faz de mim senão um ser humano normal, igual a todos?

Conto os dias. Efectivamente parece que vou ter um filho ( com as devidas proporções, claro) mas conto os dias com os dedos e quanto mais se aproxima o dia em que o dito livro vai estar nos escaparates, mais insónias tenho!

Há dias li um cronista/escritor dizer que o seu livro estava a vender lindamente porque era excelente.

E pensei para mim: Aqui está algo que eu não posso dizer!

Excelência é a forma como a Agustina tricota as palavras. Como o Lobo Antunes nos agride na cara, enfim, talvez seja a idade, mas tenho a perfeita noção da minha pequenez.

Obrigada por me aturarem os desabafos!



publicado por Luísa Castel-Branco às 18:51
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3 comentários:
De Il Conte a 10 de Abril de 2008 às 19:16
Nao tenha medo de publicar o seu livro, so esta autorizada em ter medo de guerras, terrorismo,violencias e poucas outras coisas,doenças,acidentes...mas de publicar um livro nao tenha medo. nunca pode falhar,so pode obter resultados,e se o resultado nao é bastante interessante para a senhora, a senhora aprende,muda e vai escrever outro livro, nao vou dizer "melhor" mas sim "diferente".
E por amor de Deus nao acredite nunca que : muitas vendas = bom livro. O harry potter vende muito, mas acha que isso seria o maximo da literatura mundial em termos de qualidade? eu sou italiano e vivo na italia, aqui ninguem le o pessoa nem o camoes, e nem sequer leem o dante alighieri ou o alessandro manzoni,mas sim compram grisham ou follet. Minha querida Senhora, as vendas nao tem nada a ver com a qualidade literaria dum livro (infelizmente).
Para a Senhora nao quero desejar de ter muitas vendas,e sim desejo-lhe muita saude e amor e tb de escrever um livro COMO A SENHORA GOSTA E QUER,SEM SE IMPORTAR MUITO COM AGRADAR OS LEITORES ,desejo-lhe publicar o livro que gosta.
tudo de bem para a senhora.
um abraço desde Italia
Enrico


De Maria Rita a 11 de Abril de 2008 às 23:38
Cara Luísa, acredite que as palavras que lhe são escritas não são forçadas ou em vão. São sempre sentidas, ainda que nao tenhamos qualquer relação senao a virtual. Acompanho o seu blog com a regularidade possivel e acredite que ao saber que vai lançar um livro, isso me fez ter imediatamente a certeza de que terá qualidade e será bom. É que sabe, apenas as grandes mulheres conseguem ter a capacidade de escrever o que os outros nao conseguem expressar. Apenas com as palavras, consegue fazer pensar, criar turbilhões de sentimentos e emoções.
Confie em si. Nós também confiamos.
Aguardo ansiosamente, o lançamento desse seu "novo filho".

Força. Coragem. Confiança.
Até Breve, Maria Rita


De Patrícia a 12 de Abril de 2008 às 10:14
Estou ansiosa por ler o seu livro. Ainda gosto mais de si por perceber " que é normal". Que tem os mesmos medos , receios, insónias que todos nós temos perante fases da vida. Sinceramente estranho quem não tem medo, é sinal que nem são humildes nem estão com " os pés na terra".
" O estar a vender" é relativo. Tem várias influências. Um dos escritores que mais me tocou nem se quer entrou nos " tops" e no entanto adoro-o e conheço mais pessoas que sentem o mesmo.
Eu acho que a Luísa tem um talento enorme e acho que também por isso tem essa responsabilidade " de estar a colocar mais um filho". Porque tem jeito, gosta de fazer as coisas bem, gosta do seu público.


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