Sexta-feira, 22 de Dezembro de 2006
Que o futuro seja doce e suave como as palavras oferecidas

Querida Lara,

Recebi o seu comentário aqui neste meu espaço da Net e confesso que chorei.

Soube-me tão bem ler as suas palavras, relembrar o tempo que trabalhámos  juntas, em equipa, numa descoberta tão tardia para mim, do mundo da Rádio .

O sabor doce daquilo que escreveu, será sem dúvida um dos melhores presentes do meu des Natal.

E ao responder-lhe, permita-me que o faça também, a todos aqueles com quem trabalhei ao longo da vida, quer nesta fase mediática, quer anteriormente.

Ás vezes, querida Lara, bate aquela solidão dos anos, aquela sensação de que falta tanto para fazer e o tempo escasseia e as forças também.

Ás vezes, olho para trás , para as opções que fiz na vida, e questiono se não teria sido muito melhor ter ido pela outra estrada, ter sido quem esperavam de mim em vez de quem sou.

Mas mesmo não merecendo as suas palavras, e sabe que o afirmei sempre, elas têm o poder da cura. Porque, minha querida, o mundo, os outros, os amores e desamores, as amizades perdidas, os sonhos desfeitos, tudo isto são marcas que nos ficam na alma.

Chegada aos 52 anos, tenho essas cicatrizes e luto para não me transformar numa pessoa amarga e zangada consigo e com a vida.

E as suas palavras, e as de muitos que desconheço, são como que a raiz de uma árvore pequena e tímida que teima em sobreviver contra ventos e marés.

Por tudo isto, o  meu obrigada. A si, à equipa do Rádio Clube que esteve envolvida no projecto Rádio  Portugal e me acolheu com tanto carinho,  a todos os que me escrevem, falam na rua, a todos o meu sentimento de profunda humildade perante a vossa doçura.

Um Santo Natal. E que 2007 traga a todos saúde e paz, porque o resto vem por acréscimo .



publicado por Luísa Castel-Branco às 14:55
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Quinta-feira, 14 de Dezembro de 2006
Princesa

Desenhei-te umas asas e tu levantaste voo.

Pintei o céu de rosa, as estrelas de verde e a lua vermelha e tu para sempre os acreditaste assim.

Expliquei-te o mundo devagarinho para que não tivesses medo do escuro, do som das palavras dos outros porque o silêncio era e é em ti uma segunda pele.

Inventei um mundo só nosso, onde tu, os teus irmãos e eu vivíamos como se habitássemos uma ilha mágica e apenas visitávamos o mundo dos outros nas horas de expediente.

Lambi as tuas lágrimas, apreendi a tua forma de ser como parte desse mistério fantástico de ver crescer um ser humano.

E tu pegaste nisso tudo, embrulhaste as nossas memorias, os nossos risos e lágrimas e transformaste-te nesse ser humano poderoso que és.

E cantas, e danças e sobes ao palco e transformaste e eu sei, bem dentro do meu coração de Mãe, que apenas ali te permites a ti mesma ser aquela.

A outra, minha filha, continua a aninhar-se nos meus braços, mesmo quando aqui não estás, a pedir ajuda, mesmo quando as palavras não saem e com o mesmo medo do mundo que sempre teve.

Apenas o amor de Mãe tem o poder dos deuses , anjos e arcanjos.


música: My Baby just cares for me- Nina Simone

publicado por Luísa Castel-Branco às 23:47
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Terça-feira, 5 de Dezembro de 2006
AMANHÃ PODE CHOVER QUE O DIA CONTINUARÁ BONITO DE SE VIVER

Pode parecer, não sei o quê, e na verdade não me importa.

Porque o que importa é dizer-vos obrigada, a todos os que gastaram o seu tempo a enviar comentários e emails sobre este Blog, sobre esta proposta de mudança, minha e dos outros.

Sabe sempre bem ler palavras elogiosas sobre nós, sobre o nosso trabalho, sobre as palavras que escrevemos.

Mas, existem momentos na vida em que cada uma dessas palavras vale ouro, vale um sorriso na face, um olhar mais doce sobre os dias, como se cada um de vós fosse responsável pelo dia de amanhã.

Por favor, não quero que ninguém corra o risco de se sentir enganado por mim.

Ao longo destes poucos anos de exposição publica, muitos, a grande maioria tem-me definindo como uma mulher forte, cheia de certezas e em paz consigo mesma.

Mas aqui me confesso e na verdade não sou essa que me vêem , mas outra que procura isso tudo.

Tenho algumas certezas inabaláveis, como seja o amor pelos meus filhos e pela minha neta que ultrapassam tudo, todos, até a mim.

Mas quem não tem?

Tenho mais duvidas do que certezas, mais perguntas do que respostas, medo de falhar e vivo o dia a dia numa busca da tal paz interior que me juram que existe.

Todos vós que me escrevem, me falam na rua, me ralham pelo cigarro na boca, enfim, pessoas que não esperam nada de mim e contudo me perguntam se a minha saúde vai melhor, fazem-me sentir acarinhada.

A todos obrigada. A todos o meu compromisso de continuar a ser eu mesma, com todos os defeitos e limitações e medo da vida



publicado por Luísa Castel-Branco às 23:52
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