Quarta-feira, 28 de Maio de 2008
Este buraco no estômago!

Faltam exactamente 4 dias, 100 minutos, 6.000 minutos e 36.000 segundos.

Estou a ser ridícula eu sei, mas venho aqui quando preciso de desabafar ou se quiserem, pôr por palavras os meus medos.

Deveria falar alto, mas já o fiz com quem posso, o que quer dizer com quem está ao meu lado, que os meus filhos, quando lhes falo deste buraco no estômago que sinto com  a proximidade do lançamento do meu livro, riem-se de mim.

Ainda vivem com a certeza de que eu posso fazer tudo. Se calhar foi por eu os ter ensino que os únicos desafios na vida são connosco mesmos e que vale sempre a pena tentar superar o medo e voar.

Depois disto não posso esperar que digam outra coisa a não ser: Vai tudo correr bem.

Aliás, eles nem sequer percebem o que estou a dizer.

E será que o meu companheiro de vida o percebe?

E eu?

Não estou com medo que as pessoas não gostem do meu livro. Claro que preferia que algumas gostassem. Não estou a pensar se vou vender muito ou pouco., Claro que gostava de vender. Não estou em competição com ninguém. Mas não me saem da cabeça as palavras mágicas de Agustina, Lobo Antunes, e muitos mais.

A única forma que tenho de explicar este buraco no estômago é ...que parte de mim ficará para sempre naquelas paginas que vão andar pelas mãos das pessoas e é como se ...parte de mim passasse a ser pertença dessas mesmas pessoas.

A televisão é algo tão descartável, tão instantâneo. A rádio idem.

Mas os livros, ah! esses são aquilo que nunca desaparece, mesmo quando já ninguém se lembra deles a não ser quem escreveu aquelas palavras!



publicado por Luísa Castel-Branco às 23:43
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Terça-feira, 27 de Maio de 2008
A política precisa de jovens
 

Fui militante do PSD há muitos anos. Depois passei a simpatizante e depois desisti. Eu que considero que a politica é algo de que temos obrigação de nunca nos alhearmos.

Independentemente do que possamos pensar sobre a classe política, que muitas vezes não se dá ao respeito deixando-nos espantados com as guerrilhas e conversas sem substância em vez da apresentação de verdadeiros projectos para o futuro dos nossos filhos e netos, também a comunicação social passou para a tratar, com honrosas excepções, os políticos como meros figurantes dos supostos jet-set, perdendo-se em ridicularias em vez de investigação séria.

Não me dou bem com disciplinas partidárias, e quanto mais avanço na vida mais difícil é aceitar um mundo dividido por siglas partidárias, com os bons de um lado e os maus do outro. Ao longo dos anos, criei amizades em todos os partidos. O que me parece totalmente normal. Gosto de alguém pelo ser humano que é, pela rectidão de carácter, pela abertura de espírito. Acredito na necessidade da sociedade civil intervir, discutir e participar cada vez mais nos assuntos e decisões que tocam a vida de todos nós, porque esse é um dos pilares da democracia.

E para alguém que viveu no Portugal anterior à Revolução, que sentiu na pele o que é ser tratada como uma cidadã de segunda, sem os direitos mais básicos, é fácil não esquecer a importância de sermos livres de discordar, livres de falar abertamente.

Sou amiga de Pedro Passos Coelho há mais de vinte anos. E não concordei muitas vezes com as suas posições no PSD. Depois, como muitos portugueses, afastei-me mas nunca abdiquei das minhas opiniões, fossem elas secundadas pelo PS, pelo Bloco de Esquerda, e, infelizmente, raramente pelo PSD.

A democracia, para ser verdadeiramente forte de forma a poder enfrentar as crises económicas e sociais, para poder preparar o futuro, necessita, para além de um governo sério, de um oposição forte, e simultaneamente consciente das suas responsabilidades. Pedro Passos Coelho veio trazer à ribalta, nestas directas do PSD, temas tão politicamente incorrectos como o casamento homossexual, a liberalização das drogas, a cruel realidade do futuro do serviço nacional de saúde. Não tenho quaisquer dúvidas em dizer que Pedro Passos Coelho representa o futuro. Um futuro onde os jovens voltem a interessar-se pela política, e onde seja possível uma discussão de ideias e não de trivialidades.

Não é a minha amizade de longa data que me leva a escrever este texto. Enquanto cidadã, mãe e avó, espero que ele ganhe as eleições no PSD para depois poder-lhe exigir o cumprimento dos seus princípios.


in Destak 27.05


publicado por Luísa Castel-Branco às 09:04
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Quarta-feira, 21 de Maio de 2008
Palavra mágica: Mãe

Dirigiu-se uma vez mais para a clínica. O ritual era sempre o mesmo. E, mês após mês, quando fazia a análise e descobria que não tinha engravidado, não conseguia deixar de se esconder e chorar baixinho.

Estava um dia lindo. O sol começava a aquecer as ruas, e havia o bulício normal das primeiras horas da manhã.
Mesmo ao lado da clínica, por coincidência, havia um jardim-de-infância.

E sempre que ela chegava, lá estavam os carros a pararem em segunda fila, as mães aceleradas a subirem a calçada, com os pequeninos numa mão e os cestos na outra.

A ironia da situação não a deixava indiferente. E, a maior parte das vezes, ia um pouco mais cedo só para ficar parada na rua a vê-los entrar no pátio da escola, aos gritos, a correrem, cheios de vida.

Vida. Palavra mágica.

Para uma mulher, a maternidade era algo tão natural, tão... simples. Pelo menos era assim que ela pensara até ao dia em que descobrira que com ela o caso era diferente.

E quando pela primeira vez foi à consulta, e entrou na sala repleta de mulheres de rosto ansioso e esgotado, percebeu que, afinal, ser mãe não era para todas.

Mas recusava-se a desistir. O marido começava a dar sinais de saturação. Para ser verdadeira, era bem mais do que isso.

Havia nele um afastamento cada vez maior. Dela, do projecto de ter aquele filho tão desejado. Quiçá deles mesmos e do seu casamento.

A ela, o que a alimentava eram aqueles dias em que se dirigia à clínica, e ficava parada na rua, encostada à parede de um prédio e sonhava acordada o dia em que seria ela a passar aquela porta, com o seu filho pela mão e o cesto de verga.


in Destak 20.05
 


publicado por Luísa Castel-Branco às 20:07
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Terça-feira, 13 de Maio de 2008
Os Domingos

O pior de tudo era mesmo os domingos. Não sabia explicar porquê, mas ao sábado ainda conseguia passar o dia ocupada, eram as compras da semana, um filme na televisão, enfim, não custava tanto.

Mas os domingos eram terríveis. A solidão doía mais. Ia ao café e por todo o lado famílias, crianças a correrem, namorados de mão dada. E ela tentava preencher o dia. Tentava limpar a casa já limpa, sentar-se em frente ao televisor, ler um livro, mas nada resultava. Da rua chegavam até à sua janela risos e conversas. Portas que abriam e fechavam, um corrupio que só acalmava com a noite, menos no Verão, que as gentes ficavam por ali, na cavaqueira, sem pressas. Acordava à mesma hora de todos os dias, como se fosse trabalhar.

Mas não. Não havia trabalho, o telefone não tocava nunca e o dia escorria mais devagar que o pingar de uma torneira. Lembrava-se então de outros domingos. Quando ela e o marido saíam para passear, ele a ler o jornal na esplanada e ela uma revista. Ela a cozinhar para ele, ele sempre tinha gostado da sua comida: «Tens dedo para a cozinha, Manuela, sim senhor!» Ele que gostava pouco de conversar, ainda menos de saídas nocturnas e sentia-se bem em casa, naquele lar confortável.

E hoje, que era domingo, o sol aquecera a cidade de repente e na rua os carros enchiam-se de famílias a debandarem para as praias, a ela só lhe vinha à cabeça o quanto ele detestava o calor, a praia e as enchentes e ela, em mais de vinte anos não se recordava de ter pisado a areia uma vez. E agora, que havia sempre gente boa com informações frescas para lhe depositar no colo, agora ele gostava de praia, e até de sair à noite.

E, mesmo tendo já passado dois anos desde o dia em que ela chegara a casa e antes de despir o casaco ele dissera com uma voz tão normal: «Manuela eu vou-me embora» e ela com o casaco meio a cair e ele já porta fora, ela continuava sem perceber. Apenas tinha uma certeza: Os domingos eram o pior.

 

in Destak 13.05



publicado por Luísa Castel-Branco às 10:08
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Sábado, 10 de Maio de 2008
Esta coisa chamada virus

Hoje em dia, sempre que estamos doentes com qualquer tipo de patologia, é porque temos uma virose.

Como diz o meu médico, chamamos vírus ao que desconhecemos mas tentamos tratar por aproximação!

Claro que estou a falar de coisas menores. Como esta gripe/constipação/vírus que me atacou, e sei de muita gente que está na mesma.

Dores de cabeça, tosse, dores de ouvidos e garganta, nada de grave mas chato, lá isso é!

O corpo fica dorido como se tivesse levado uma tareia, os olhos doem e temos vontade de morder a alguém

Engraçado como o nosso corpo quando não está em forma nos imite sinais que ignoramos e depois...é um vírus que ai vem.

Eu, o que me apetecia realmente, era enfiar a cabeça por de baixo do lençol, obliterar todos os sons e hibernar até estar bem.

E depois, o mais irritante é que isto é de ondas. Uma manhã acorda-se realmente melhor, o dia parece indicar que já estamos quase bons e no dia seguinte voltou tudo ao principio!

Este desabafo tem duas intenções, primeiro desculpar-me pela minha falta de respostas aos vossos comentários, e depois para me solidarizar com todos os outros que por ai andam a espirrar.

 

Esperemos que mais um fim de semana em casa leve o dito vírus para longe (parei para espirrar!!!) e que eu esteja de volta ao meu próprio corpo o mais breve possível!



publicado por Luísa Castel-Branco às 09:35
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Sexta-feira, 9 de Maio de 2008
Como se não bastasse!

São nove e trinta da manhã do dia 30 de Abril. Em Telheiras, um casal atravessa a rua, e dirige-se à paragem de táxis.

Ele com 75 anos empurra a esposa na cadeira de rodas. Ela tem 72 e está confinada àquela cadeira vai para 8 anos, após um AVC.

Quando chegam ao veículo, o motorista recusa transportar o casal. A razão: Não quer estragar o seu carro ao colocar a cadeira de rodas no porta bagagens. Uma senhora assiste a tudo e fica de tal forma revoltada que disponibiliza-se a chamar a polícia.

Mas o casal agradece, dirige-se ao próximo táxi e pede o favor de os conduzirem até ao local pretendido.
Eles estão habituados. Não a uma recusa tão frontal, mas à falta de educação, aos maus modos, enfim, aquele penoso sacrifício em que se transformou qualquer deslocação na cidade.

Como se não bastassem os carros em cima do passeio. Os edifícios sem acesso próprio, até nos consultórios médicos.
Mas nesse dia, a ela doeu-lhe mais. E pela primeira vez, utilizando o único braço que ainda tem com vida, telefonou para a Antral.

Foram muito simpáticos. Claro que o motorista não podia recusar-se a fazer o serviço. Claro que sim, a senhora tem razão.

Mas quanto a apresentar uma queixa, que ela tinha anotado a matrícula, lá isso, não valia a pena. Era só trabalhos e maçada. Para a próxima é chamar a autoridade.
E ela agradeceu, desligou o telefone e para ali ficou que o marido afinal, tinha razão.

Não valia a pena. O melhor mesmo era aguentar!

P.S.
A situação relatada é verídica. Podia acontecer com qualquer um. Pode vir a acontecer com qualquer um.
Portugal é isto.

 

 

in Destak 6.05



publicado por Luísa Castel-Branco às 07:52
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