Terça-feira, 23 de Junho de 2009
Lágrimas de mãe
 

Ninguém tem a capacidade de nos magoar como um filho.
Não necessita sequer ser por actos, bastam as palavras e omissões.

Desde o primeiro momento em que os pegamos nos braços e olhamos espantadas para aquele milagre que colocamos no universo, até ao último pensamento da nossa vida, eles estão sempre presentes, sempre em primeiro lugar. E é uma viagem maravilhosa mas árdua, em que muitas vezes duvidamos do que fazemos porque não existe um manual de instruções para a forma correcta de educar, e por outro lado, cada filho é diferente do outro e necessita de uma linguagem também diferente. Passamos dos dramas das cabeças partidas no recreio, para num ápice nos preocuparmos com as saídas nocturnas e depois com os filhos deles.

Num simples piscar de olhos cabe a nossa vida inteira, nesta relação de amor incondicional, sem limites e sem fim.
Quando crescem descobrem que sabem tudo. E as asas que lhes demos levam-nos para outras paragens.

Estão cheios de certezas, os nossos filhos. Também já fomos assim quando pensávamos que tínhamos todo o tempo do mundo e podíamos fazer qualquer coisa.

Opinam sobre a nossa vida, sobre tudo como se fossem os únicos detentores da verdade e da sabedoria. Nós, os pais para eles somos velhos desde a primeira vez que nos olharam.

Velhos e cheios de erros.

Quando um filho com uma simples afirmação nos corta o coração, desculpamos de imediato.

É isso mesmo este amor infinito. Mas as palavras ficam para sempre cravadas no nosso coração.

E dói tanto! Uma dor que não passa e nós a fingirmos que está tudo bem.

Se eles soubessem que um dia vão sofrer a mesma dor!

 

in Destak 23 | 06 | 2009  



publicado por Luísa Castel-Branco às 09:19
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Segunda-feira, 22 de Junho de 2009
Etc

 

Quando ligo o computador vejo a imagem. "Donde vimos; o que somo, para onde vamos". O quadro de Gaugin continua para mim a ser uma janela sobre a minha própria alma.
Chegada aos meus 55 anos contínuo sem respostas.
Pelo contrário.
Cada dia que passa tenho mais duvidas, mais perguntas, mais remorsos do que fiz.
Tantos erros!
Mas como podia eu saber?
E porque razão existem outros que passam por aqui sem estes desassossegos de alma e coração? Pessoas que parecem não necessitar de respostas ou sequer de equacionar as perguntas.
E contudo, a vida está prenhe de mistérios.
Sorte duns, azar de outros.
O bem que não compensa, o mal que parece florir, cobrir os dias e dar frutos doces, eternos.
Como percorrer este caminho? Como lidar com as desilusões que a idade nos traz?
Acreditar cada dia em menos pessoas, não saber a razão das coisas.
Como eu gostaria de ser outra!
Sem conflitos e perguntas! Sem este vazio que nada preenche!
Porque viemos aqui?
Que deixarei eu de mim quando o meu corpo tiver desaparecido senão o que transmiti a quem amei?
E se esses refutarem essa minha herança?
Afinal, de que serviu tanta luta?
Só sinto o silêncio, as sombras e as saudades.
 
 


publicado por Luísa Castel-Branco às 13:00
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Terça-feira, 16 de Junho de 2009
Que fazer com tanto progresso?
 
 

Em poucos anos o mundo modificou-se totalmente. Talvez os mais jovens não tenham essa noção. Para eles do computador ao telemóvel, dos múltiplos canais de televisão à câmara digital, tudo é normal, rotineiro.

O progresso surge para facilitar a vida ao ser humano, para lhe dar mais qualidade, mais opções, mais hipóteses de ultrapassar quaisquer fronteiras. E contudo, parece que o tempo diminuiu. Chamar-se-á qualidade de vida ao que a grande maioria dos portugueses tem? A publicidade encarrega-se de transformar em indispensáveis produtos que verdadeiramente são completamente supérfluos. É quase como se tivéssemos que arranjar tempo para utilizar toda a parafernália que injectam no mercado a uma velocidade impressionante. A Televisão substitui a conversa em família, e hoje em dia crianças com seis anos já têm no seu quarto jogos electrónicos, além do Magalhães, que também vem com jogos!

O isolamento dentro de casa tornou-se um dado comum e muitas vezes, a comunicação via Net é a base da vida de jovens e adultos. Nos tempos livres, o destino escolhido são os centros comerciais, e passear num jardim é coisa do passado.

Porém, todos nos queixamos de falta de tempo.

Se pensarmos que tudo o que mencionamos contribui para o endividamento das famílias, que não são capazes de recusar aos filhos cada novidade que aparece porque os outros jovens já o possuem, o resultado é uma mistura de sufoco e preocupação.

Perante a crise económica mundial, será que vamos reavaliar o que realmente é indispensável? Duvido.

Enquanto adultos, jovens e crianças se emaranham em tantas solicitações, a palavra, falada, escrita vai perdendo o seu valor.

 

in Destak16 | 06 | 2009  



publicado por Luísa Castel-Branco às 09:56
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Quarta-feira, 10 de Junho de 2009
Medo do amor?
 
  

Vejo com espanto quantos jovens estão sozinhos na vida.
Rapazes e raparigas entre vinte e trinta anos, ou já se divorciaram, ou já tiveram uma união de facto que terminou, ou simplesmente ainda vivem em casa dos pais.

Por muito que a noite da 24 de Julho se encha, os bares, as discotecas, os passeios e as ruas cheias de gente com um copo na mão, a verdade é que elas se queixam que eles não se querem comprometer, e eles queixam-se que não as percebem. Nunca se falou tanto de sexo, nunca se discutiu tanto os afectos e contudo, a solidão é cada vez maior. Os homens e as mulheres sempre falaram línguas diferentes e sentiram o mundo de formas diversas. Mas é exactamente a união destas discrepâncias que produz o todo.

Encontramos no outro o complemento de nós mesmos. E contudo, hoje sem tabus, sem repressões parece que a felicidade anda mais longe do que na minha geração. Claro que muitos de nós errámos e tentámos de novo, mas não é isso a vida? Seguramente que as múltiplas dificuldades quer financeiras, falta de emprego, realização pessoal ou outras tornam difícil sonhar o futuro. Mas não será melhor sonhar a dois? É por medo de sofrer que não se arriscam a amar, ou por egoísmo? Não sei. Mas cada dia mais tudo incluindo as relações entre as pessoas se tornam descartáveis. O prazer tem que ser imediato, o retorno imediato. Mas o amor não é isso nem se compadece dessa urgência egoísta e efectivamente triste.

Estou quase a dizer que dantes era melhor. Deus me livre de um dia chegar a tal coisa mas nunca se sabe!

in Destak 09 | 06 | 2009



publicado por Luísa Castel-Branco às 11:31
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Quarta-feira, 3 de Junho de 2009
Sniqper disse sobre Estranho mas verdadeiro

 

     
 
Na realidade este texto descreve o que em milhares de relações acontece, o tal funeral antecipado. Mas claro que são milhares a sustentar o socialmente correcto e assim vamos vivendo em cemitérios de sentimentos e cidades de zombies.
Belíssimo Texto.
 
 
Sniqper,
 
Existem diversos tipos de situações pessoais que levam a este estado de
Resignação.
Há muitas e muitas mulheres que não têm independência económica que lhes permita partir e depois para onde? As famílias dizem-lhes que devem aceitar o inevitável e nada mais.
Como um exército de criaturas tristes, frustradas, sem esperança e sem futuro.
Que mensagem passam aos filhos? Principalmente às raparigas? A aceitação ou esta transformasse em pequenez de espírito, e a mesquinhez toma-lhes conta da alma?
Não sei.
Mas por todo o lado elas existem, são uma realidade.
Depois, há quem não abdique do status que a relação lhe dá ou pura e simplesmente se esconda atrás daquela máxima repudiável de que os filhos precisam de um lar!
Será que acreditam que as crianças são estúpidas?
Como um dia me disse um professor, o difícil não é viver, é saber viver.
E muitas vezes dói!
 

.

     
 


publicado por Luísa Castel-Branco às 14:22
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Desconhecido disse sobre Estranho mas verdadeiro

 

 

E para os que o fazem fica a doer tudo. Porque o medo da solidão pode falar mais alto... às vezes grita.
Só muito depois se entende que o copo já tinha, mesmo, transbordado e não havia como conter tanta àgua. A àgua que nos leva a certeza do corpo quente e, esperemos, que leve também o coração ferido.
Tem muita razão no que diz, é mesmo isso.

 

Desconhecido,

Li um dia a seguinte afirmação:" Todas as lágrimas são iguais". Fiquei com a frase na cabeça e conforme a vida foi passando parece-me ter encontrado um significado para tal afirmação.

Todos nós sofremos de igual forma, em momentos diferentes, por razões diversas. Mas a morte do amor, o desaparecimento da pessoa amada que está ali deitada a nosso lado, que vive portas adentro da mesma casa, é uma dor profunda e que talvez quase todos a tenham sentido de uma forma ou de outra.

Claro que a vida me mostrou que existem excepções. Gente sem grandeza de alma, gente que não tem nada para dar nem se interessa verdadeiramente por alguém que não o próprio.

Mas até estes seres são importantes naquilo que é a ordem e a desordem da vida humana.

Só os que têm alma choram, gritam., sofrem.

Deus nos proteja dos outros!

Um abraço e volte aqui para falarmos



publicado por Luísa Castel-Branco às 13:55
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Carla Matilde disse sobre Insónias. E hoje não há luar!
     
Cara Luísa, como me revejo neste seu texto! Também devo ter nascido na cidade por engano! E, por isso, vou amiúde à minha aldeia! "Minha"... Sim, já a considero minha, quanto mais não seja pelo amor que tenho àquela terra. Foi lá que passei a maior parte da minha infância, entre galinhas e outra bicharada, corri pelos campos, brincadeiras com os primos (sempre com a avó em cuidados, que a garotada era traquina), banhos no tanque, histórias e lenga-lengas à lareira, pintar a cara com o carvão!! Que belos tempos esses... Vou lá sempre que posso, como fuga ao stress da cidade e porque me reconforta toda aquela natureza envolvente. Como é bom acordar com o som dos chocalhos das cabras e abrir a janela e ver o Douro que se estende à minha frente!
Por vezes, sinto-me como se lá pertencesse, como se a cidade fosse só um local emprestado... A vida lá passa-se tão bem, tão serena e repleta de pequenas coisas simples que nos consolam a alma. E em cada passeio algo para (re)descobrir... despertar os sentidos... o aroma das madressilvas, o sibilar do vento entre a folhagem, o paladar de uma amora colhida do arbusto... Sou mesmo bucólica!
Já tenho pensado, "um dia destes, mudo-me para lá"... Quem sabe?! Há tempos alguém disse que a vida é uma busca. Busca do conhecimento, do sentido da nossa existência, da sabedoria... Tenho de admitir que lhe dou uma certa razão...
Parece-me que já estou a divagar e, tal como a Luísa, deve ser da insónia. A noite está amena e estrelada, embora os candeeiros citadinos não permitam ver os milhares de pontinhos no céu; não convida ao sono! Lá fora está silencioso, mas imagino o som dos grilos e dos raros, a água a correr nos riachos... A noite convida a que a contemplemos em toda a sua beleza!

Um abraço
 
 
 

 

Carla,

Li e saboreei o seu texto como se estivesse a reviver a minha infância e inicio de juventude.

Sei que é o tempo tão marcante na nossa vida, mas a natureza deixa garras, sons, perfumes dentro de nós para todo o sempre.

Pena tenho eu das crianças que brincam agarradas ao computador ou a uma das múltiplas invenções tecnológicas de que nunca se separam, na praia, no restaurante, sei lá.

Quando escrevi o meu primeiro romance "Alma e os mistérios da vida" muita gente pensou que eu teria vivido na província. Mas não. Apenas peguei nesses momentos de que fala, roubados às minhas memórias das "férias grandes", como então se chamavam, e inventei uma história com alguns rasgos de verdade.

Também eu gostaria de partir para o campo e ai viver para sempre., Contudo, tenho os meus filhos e a minha neta em Lisboa e por isso...quiçá. um dia!

Um abraço grande e por favor nunca se esqueça de tudo o que viveu.

 

 

 

 



publicado por Luísa Castel-Branco às 13:36
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joao disse sobre O SEGREDO DO SEGREDO

 

 

 

 

 

ola,admiro mt este tema mas acho k nao é tao simples assim de tornar uma vida feliz,por ex: uma pessoa k nada tenha na vida vaguei pelas ruas pedindo pra se alimentar e se tapar do frio,como podera essa pessoa tornar o dito segredo em realidade pra essas pessoas o segredo ou a leia da atracao jamais na vida fara sentido,essa pessoa nunca tera pensamentos positivos e mesmo k os alcance como conseguira uma casa se ninguem lhe dara um trbalhao pra k tal aconteça,essa pessoa tera sim de se esfolar pra sobreviver,jamais pode ser feliz com aquilo k tem ai tudo isto de segredo perde sentido, olhando para o mundo ...respeito as opinioes acerca do tema mas acho k este so se aplica a quem ja tem algo para poder semear algo mais,a terra nao da se nao houver semente o mendigo nao o deixara de ser se ninguem lhe der a mao,pois nao basta trabalhar a sua mente com energia positiva.......com tudo quero dizer k a admiro mt luisa,boa noite.

 

João,

Partilho das suas duvidas. E contudo seria óptimo poder acreditar nessa capacidade de visualização de algo positivo e da sua correspondente na nossa vida! A mim sobram-me perguntas para as quais não encontro respostas. Mas vou tentando todos os dias encontrar um pedaço por menor que seja de algo, alguém que valha a pena. Um abraço e volte sempre.

 

 



publicado por Luísa Castel-Branco às 13:30
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