Quinta-feira, 31 de Março de 2011
"PARA TI, DO FUNDO DO MEU CORAÇÃO"

E consegui! Este é o texto que queria partilhar convosco. É a introdução do meu ultimo livro "Para ti, do fundo do coração".O titulo é uma contradição com o post anterior, mas quem ler o texto vai perceber que estas "desculpas" são de outro teor.

 

                                                          Não pedirei  mais desculpas

 

Há muitos anos, tinha eu então três filhos bem pequenos, recordo-o como se fosse hoje, estava um dia em casa de familiares e de repente sai da sala e escondi-me no único sítio possível, a casa de banho.

Sentei-me, retirei da carteira um bloco que sempre me acompanhava e escrevi. Sobre o quê? Nada de importância, um olhar ou um gesto de alguém que tinha visto na rua, não sei.

Sei sim que toda a minha vida foi assim. Esta urgência da escrita que não se destinava a ninguém, que nunca seria lida mas nada disso importava, eu tinha que passar para o papel o que me ia na alma.

Foi assim a vida inteira. De noite, durante muitos anos, quando finalmente a casa estava em silêncio e os meus filhos dormiam, levantava-me e ia para a máquina de escrever, que os computadores vieram muitos anos depois.

Ao longo da vida deitei fora esses papéis, bocados de toalhas de restaurantes, não interessava o quê, apenas satisfazer aquela urgência.

Ao longo da minha vida, vejo-o agora claramente, sempre pedi desculpa por ser diferente, sempre tentei desesperada e pateticamente que gostassem de mim, toda a gente, e principalmente aqueles que me eram mais próximos.

Tentei também ser aquilo que era suposto, uma menina bem comportada, uma senhora cumpridora das suas obrigações sociais.

Falhei em todos esses objectivos. E fui andando pela vida, com a culpa nas costas e um sorriso nos lábios.

Nem o facto de a morte me ter lambido o corpo, me fez parar esta permanente demanda da aceitação, da compreensão por esta que sou.

Contudo, este livro marca uma importante viragem no meu percurso de vida.

Porquê agora?

Não sei, ou talvez saiba apenas que de repetente, um repente de 56 anos, de muitas lágrimas, risos, muitas desilusões, de repente algo dentro de mim quebrou como um vaso que cai no chão sem que ninguém, a não ser alma penada lhe tivesse tocado.

E chegada aqui, digo pela primeira vez que nunca mais pedirei desculpas de ser quem sou. De ser diferente. De não conseguir seguir os passos dos outros sem parar constantemente para me questionar sobre tudo, absolutamente tudo.

Quem me quiser amar, naquilo que o amor tem de lato, da amizade a tudo o mais, que me aceite como sou. Quem me ler que veja nestes textos o que lhe vier à alma.

Não existe aqui um fio condutor. São olhares dispersos. São pedaços de mim. São pedaços de vidas que roubei, uma mulher sentada no café com a tristeza estampada no rosto, os velhos no jardim a passearem de mão dada, enfim, milhares de pequenas coisas sem importância que para mim perfazem a vida.

 

Dedico este livro ao meu neto Simão, sabendo que quando ele o ler há muito que não estarei por cá.

Espero do fundo do meu coração que ele tenha recebido o mesmo que dei à sua mãe e aos seus tios: permissão para questionar tudo, para acreditar que podemos voar, mesmo que nos digam que não.

Aquilo que a minha filha lhe vai responder, isso, é um assunto privado entre os dois.

Tenho dentro de mim a certeza absoluta, que enquanto estiver lúcida continuarei assim. Diferente, estranha, e finalmente, sem mais pedir desculpas de ser quem sou.

 

 Novembro 2010

 

 


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publicado por Luísa Castel-Branco às 16:16
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Bem vindos ao meu novo Blog ( quer dizer, mais ou menos novo!)

Para começar, os meus pedidos de desculpas a todos que enviaram comentários e aos quais não só não respondi como não coloquei no Blog.

Eu sei que já anteriormente pedido desculpas mas...aqui são mesmo merecidas a todos quantos visitam este meu espaço que tem estado um bocado como eu: vazio!

Mas agora o meu blog aqui está de cara lavada e lindo!

Pedi ajuda para mudar o visual da pagina, e retirar aquela abençoada foto que tinha já uns anos em cima, e de cada vez que eu olhava para aquela mulher perguntava: quem é ela? Eu não seguramente que os anos mudaram-me o suficiente para eu hoje ser esta que aqui vêem, na praia,  no inverno, claro.

Mil beijos de carinho é o que envio à equipa do SAPO, como agradecimento deste fantástico "layout "( será que a palavra se aplica aqui?):

Á minha Ritinha Serrano, que há anos anda a tentar que eu aprenda a mexer no computador para poder utilizar como deve de ser o meu blog, mas sem êxito. Contudo, a Ritinha até hoje ainda não desistiu de mim, e por isso para sempre lhe estarei grata.

Depois ao Pedro Nevesque fez com apenas uma fotografia esta pagina lindíssima.

Finalmente, ao Rui Costa,  fotografo,  e à Revista VIP ( meus queridos falta colocar os créditos da foto!).

Vou tentar , notem bem, tentar, colocar aqui um texto para mim importante e que gostaria de partilhar convosco. O meu dia hoje é atarefado, amanhã o meu neto Simão vem dormir comigo pela primeira vez e pode parecer-vos pouca coisa, mas isto de ser avó é ás vezes assustador! Longe vai o tempo em que eu criava os meus filhos e parecia saber por intuição o que fazer, mesmo tendo feito seguramente muitas asneiras.

Portanto, de amanhã a Sábado à tarde não vou tempo para aqui vir. Mas Domingo prometo, isto escrito assim é terrível para a desorganizada que eu sou, mas está bem, prometo que se não acontecer algo de inesperado, aqui estou a colocar as dezenas de comentários "online" e respondidos.

Para todos um grande abraço, tão grande como a necessidade urgente que temos de que alguém neste momento da vida de Portugal nos abrace e nos conforte com um luz ao fundo do túnel.

 

P.S.

Pronto! Rendo-me! Vou mesmo aderir ao Facebook coisa que só utilizei há anos atrás quando a minha filha esteve a estudar nos Estados Unidos. Agora tenho  o meu filho mais velho em Madrid e já percebi que não tenho outra opção. Mas estou velha e continuo na minha: o Facebook pode ter muitas mais valias mas também é uma forma de perder tempo, e o tempo para mim é valioso.

 



publicado por Luísa Castel-Branco às 15:57
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