Sexta-feira, 8 de Abril de 2011
Quem foi a fada que me esqueceu?

 

Quem foi então que me fadou, que cobriu o dia com a noite, engolindo o sol e as estrelas desapareceram também quando alguém me pariu?

Quem me cobriu de véus escuros, sombreando os dias e as noites, misturados numa amalgama de sons misteriosos, sombras que fazem desenhos pelo céu e pelo chão de cavalos com bocas abertas sedentos de sangue?

Quem se esqueceu de mim e para ali me deixou aos ventos, marés e tempestades sem coberta de amor ou carinho?

Que forças me empurravam pela vida fora, e me puxaram para cima sempre que cai, mas nunca me iluminaram o caminho, me abriram a mente e a alma à realidade?

Em que outros mundos vive eu já, que deles guardo lembranças sem nada me lembrar, mas tenho na pele a marca dessas vidas, os medos dessas vidas, o terror do final dessas vidas?

Porque encobriram o sol, taparam a lua, deitaram fora as estrelas e calaram todos os seres e me deixaram nua, perdida, sem memórias e com tantas recordações de criaturas terríveis, dragões com olhos maldosos, colos com raiva, beijos que nunca recebi?

Por onde anda o meu anjo da guarda, de tão distraído não deve saber que já nasci, e agora que a morte está muito mais próxima do que o amor, que viria ele fazer, sim, que poderia ele fazer para eu recuperar a vida?

Quem foi que nunca me suspirou ao ouvido doces canções de embalar, me pegou ao colo e jurou que tudo estava bem, que tudo acabaria bem e que isto era a vida? Quem foi que me deveria ter beijado e faltou ao compromisso?

E agora, quem me anda a roubar as memórias doces que ainda persistiam e a substitui-las pela realidade: eu em frente ao espelho e a minha vida a correr como um filme e eu sem poder saltar lá para dentro e gritar com aquela criança, aquela jovem, aquela mulher e gritar-lhe bem alto: PÁRA! NÃO VÁS POR AÍ!

Ah! A dor veste-me a pele, molda-me os dias e sustem-me a respiração?

Mas dor de quê se sempre foi assim, o espelho e eu, os erros e eu, a tristeza e eu?

 

 

 

 

 escrito em 28.02.11

 



publicado por Luísa Castel-Branco às 10:12
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Bom dia e até logo

Não posso deixar de agradecer os comentários sobre os meus livros. Quando os leio assemelho-me à minha neta quando a estamos a elogiar por alguma coisa. Fica com um rosto vestido  por um sorriso envergonhado, olha para baixo e disfarça.

Não digo isto por falsa modéstia, é mesmo modéstia verdadeira! Os livros deixam de me pertencer, e seguramente a todos os escritores quando os lançamos e depois andam para ai de mão em mão, quiçá por onde e com quem. E quando alguém perde o seu tempo para escrever o que sentiu ao ler um deles, é como alguém que nos elogia um filho!

 

E eis que recebo um telefonema da minha filha a pedir ajuda. Coisa tão rara! E por aqui vou ficar, nesta conversa.

Prometo  que volto mas já não digo quando, que as promessas levas o vento.

 

P.S.

O livro "Para ti, do fundo do meu coração", é da editora Clube do Autor e saiu em Novembro. Vai na segunda edição, se não me engano. Só para responder a esta pergunta colocada por várias pessoas.

 

P.S.2

Estou em negação. Quer isto dizer que não quero ouvir ou ver noticias. Ah! Se fosse possivel acreditar!



publicado por Luísa Castel-Branco às 09:53
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Quinta-feira, 7 de Abril de 2011
quinta-feira, 7 de Abril, 16h00

Ligo a televisão pontualmente.

Primeira noticia: 13 ou mais crianças mortas numa escola no Brasil, quando  um ex-aluno entrou numa sala onde decorria uma festa tendo-se suicidado em seguida.

Segunda noticia: Novo sismo 7.4 no Japão. Aviso de Tsunami.

Terceira noticia: Portugal faz hoje por escrito o pedido de ajuda à CE. Seguem-se vários economistas a comentarem o facto.

Quarta noticia: o  Banco Central subui  a taxa de juro.

Desligo a televisão e volto á tentativa de escrita.

Mesmo a minha incapacidade de retomar a vida das minhas personagens é melhor que esta realidade.

 

P.S.

O Presidente da Republica reagiu no Facebook. Paulo  Portas também. O problema é meu.



publicado por Luísa Castel-Branco às 16:14
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Quarta-feira, 6 de Abril de 2011
As minhas personagens fugiram e eu para aqui fiquei

Está um vento forte mas quente. Sai para o jardim e fui regar as flores e o cheiro da terra molhada, juntamente com o vento e aquele perfume a quentura banharam-me os sentidos.

Desde que vim viver para aqui e cada vez mais raramente ligo a musica. É quase uma ofensa porque o cantar dos pássaros é tão grande e tão alto que qualquer outra melodia parece desnecessária.

Vivo numa bolha. Não sei nunca o dia da semana ou do mês, e é com espanto que ligo o computador e vejo quanto tempo passou.

Esta reclusão  sabe-me bem. Sem vozes humanas, sem qualquer espécie de ruído, é fácil flutuar.

Contudo, os tres meses que por razões de saude fui obrigada a passar em casa roubaram-me a estabilidade que tanto demorei a conseguir.

Coisas da vida. Nada de importante, nada de grave mas o resultado foi um buraco que tenho cá dentro e não consigo preencher.

Claro que me sobra os magnificos tons de verde, os meus passaros e as minhas cadelas, mas a escrita está bloqueada.

Não sou daquele tipo de escritores que se sentam em frente à folha branca e ali ficam até escreverem. Nem consigo disciplinar-me para a uma hora certa, ou durante horas certas estar em frente ao computador.

O meu editor diz me que cada um tem a sua forma diferente de viver a escrita e a minha é assaz diferente.

Mas quando se inicia esta nova fase da vida aos 50 anos, aprendemos a respeitar a ordem das coisas, por mais estranha que ela seja.

Escrevo dentro da minha cabeça muito antes de chegar ao papel. Tenho que estar ocupada para que as personagens me visitem, e não pensem que isto é uma forma de expressão, porque se passa assim mesmo. Sou visitada durante a noite, enquanto durmo e quando acordo tenho bem fresco na memória coisas que aconteceram e que ainda não escrevi. Depois durante o dia tenho que me ocupar. Ocupar as mãos, o corpo, não em conversas com outros porque isso afugenta as minhas personagens. Não a lidar com os problemas do dia a dia, não nesta fase.

É por isso que é tão complicado este nascimento do livro. A trama está lá mas não é o momento de ir para o computador.

E contudo, quem pode fugir dos problemas do dia a dia? Conjuga-los com esta evasão é impossível.

Quando  finalmente tudo se conjuga, os longos dialogos na miinha cabeça, os sonhos , noite após noite e a visualização de locais ou momentos que nunca vivi, é então chegado o momento de ir para o computador e entrar num outro mundo, numa realidade paralela que passa a ser muito mais verdadeira do que esta onde vivo.

Infelizmente, neste momento as minhas personagens fugiram. Tenho mais de cem paginas escritas do novo romance e é agora que decidem desaparecer!

Deram-se mal com a clausura forçada e o medo, sim, o medo, não vale a pena fingir.

Espero-as em desassossego e sei que assim não voltam.

Vão aparecer sorrateiramente quando eu menos esperar.

Até lá, até a escrita neste blog é difícil.

Mistérios sobre mistérios. É exactamente por isso que escrever é um algo de tão fantástico e se torna insuportável viver sem essa parte de mim.



publicado por Luísa Castel-Branco às 09:43
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