Sexta-feira, 9 de Maio de 2008
Como se não bastasse!

São nove e trinta da manhã do dia 30 de Abril. Em Telheiras, um casal atravessa a rua, e dirige-se à paragem de táxis.

Ele com 75 anos empurra a esposa na cadeira de rodas. Ela tem 72 e está confinada àquela cadeira vai para 8 anos, após um AVC.

Quando chegam ao veículo, o motorista recusa transportar o casal. A razão: Não quer estragar o seu carro ao colocar a cadeira de rodas no porta bagagens. Uma senhora assiste a tudo e fica de tal forma revoltada que disponibiliza-se a chamar a polícia.

Mas o casal agradece, dirige-se ao próximo táxi e pede o favor de os conduzirem até ao local pretendido.
Eles estão habituados. Não a uma recusa tão frontal, mas à falta de educação, aos maus modos, enfim, aquele penoso sacrifício em que se transformou qualquer deslocação na cidade.

Como se não bastassem os carros em cima do passeio. Os edifícios sem acesso próprio, até nos consultórios médicos.
Mas nesse dia, a ela doeu-lhe mais. E pela primeira vez, utilizando o único braço que ainda tem com vida, telefonou para a Antral.

Foram muito simpáticos. Claro que o motorista não podia recusar-se a fazer o serviço. Claro que sim, a senhora tem razão.

Mas quanto a apresentar uma queixa, que ela tinha anotado a matrícula, lá isso, não valia a pena. Era só trabalhos e maçada. Para a próxima é chamar a autoridade.
E ela agradeceu, desligou o telefone e para ali ficou que o marido afinal, tinha razão.

Não valia a pena. O melhor mesmo era aguentar!

P.S.
A situação relatada é verídica. Podia acontecer com qualquer um. Pode vir a acontecer com qualquer um.
Portugal é isto.

 

 

in Destak 6.05



publicado por Luísa Castel-Branco às 07:52
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3 comentários:
De leonor a 9 de Maio de 2008 às 13:43
A situação é lamentável mas situações do tipo são frequentes. Compreendo que as pessoas não se queiram maçar com participações mas assim, quem desrespeita, quem corrompe, quem rouba, quem é malcriado, quem ofende, ..., fica a rir-se.

Gosto dos seus escritos e deste vício de escrever.


De a 9 de Maio de 2008 às 14:47
É verdade, pode acontecer a qualquer um de nós, é tão revoltante esta impotência de não podermos fazer nada...sei lá, umas chapadas no estúpido do motorista já era um consolo...


De PELAGIA a 9 de Maio de 2008 às 22:59
Se a minha fonte não me engana, Thomas Edison terá dito algo como isto: "A nossa maior fraqueza está em desistir. O caminho mais certo de vencer é tentar mais uma vez."
Eu diria também que o caminho mais certo de lograrmos o respeito é de não desistirmos de o merecer.
Já apresentei duas reclamações na ANTRAL, também tentaram desanimar-me quando contactei a Associação, mas em ambos os casos acabei por ser levada a sério, porque eu não desisti nem desanimei. Num dos casos, inclusivé, o taxista foi mesmo a minha casa apresentar-me desculpas pessoalmente. E aí, então sim, eu desisti da queixa. (Percebi que ele percebeu a mensagem).
Se desistimos de reclamar, o nosso próprio silêncio legitima aquilo de que reclamamos incialmente! Anulamos a nossa própria razão.
Saudações.


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