Quarta-feira, 9 de Julho de 2008
A recusa em desistir
Cristina disse sobre Não aceite migalhas! na Sexta-feira, 4 de Julho de 2008 às 09:20:

     

 

 

Não sei o seu nome mas reconheço bem a sua história. O meu marido decidiu que já não me amava quando estava no quarto mês de gravidez do nosso segundo filho e após 8 anos de casada. Saiu de casa no dia seguinte! Dor insuportável, desilusão... fiquei desesperada, como ia aguentar viver sem ele, com um filho na barriga e outro que chorava por ele? Já passou ano e meio, não lhe posso dizer que é ou foi fácil e tb não passou de um dia para o outro mas o tempo ajuda, acredite! Não desista de si nem dos seus filhos, nunca! Uma das coisas que me deu força foi pensar que os meus filhos (principalmente o mais velho), estava sempre a ver-me triste e eu não queria que ele sofresse mais, por eles ponho um sorriso e esforço-me a cada dia. E se me permite um conselho não arraste a situação, quanto mais tempo estiver a conviver lado a lado com alguém que sabe que não a ama, só vai estar a adiar, a adiar o principio da sua cura. Desejo-lhe o melhor e não desista de si!

 

 

Escolhi este comentário porque talvez seja o que melhor pode ajudar a nossa amiga com quem temos vindo a conversar, sim porque este canto é isso mesmo, uma conversa que mantemos eu, quem aqui deixa relatos da sua vida, e os outros que trazem experiências e palavras de apoio.

A ultima mensagem da leitora que nos expôs os eu problema, é de uma tristeza tão grande, de um desnorte tal, que preferi dar a palavra à Cristina, na expectativa que ela encontre aqui a força de alguém que já viveu a mesma situação.

Tantos comentários aos meus textos com tanta gente infeliz!

Mas a realidade é que vivemos rodeados por gente só e despedaçada a quem a grande cidade condena ao silêncio.

Nasci com uma revolta dentro de mim. É coisa que me faz dizer não a tudo e a todos os que não me respeitam. Pode demorar muito tempo mas um dia, corto para sempre, como se o outro ou outra tivesse morrido.

Não aceitem que alguém tenha tal poder sobre vós que possa determinar a vossa vida.

Somos mais do que isto, somos capazes de muito.

Basta tentar, um passo de cada vez!



publicado por Luísa Castel-Branco às 09:58
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3 comentários:
De nossocaminho a 9 de Julho de 2008 às 11:52
Bom dia, minhas amigas
Não sei como contactar com a Cristina, por isso aqui deixo o meu agradecimento pela força transmitida e pela transmissão da experinecia dela, espero que ela me leia. Deve ter uma força brutal para ter suportado tal mal que um homem pode fazer... Parabéns por isso! Provavelmente não estava sozinha, perdida nesta cidade tão grande e tão desconhecida para mim... porque é isso que me leva ainda mais ao desespero: O não poder gritar a alguém o quanto me doi o coração!
Parece-me tudo tão estranho, como se estivesse ele pussuido por uma força que o faz ir contra mim, contra a familia que temos (ou tinhamos). Não consigo perceber, não encaixa... como é possivel um pai que até há bem pouco tempo amava a mulher da vida dele e os filhos eram tudo para ele... e hoje... simplesmente destroi tudo à sua volta.
Sabem o que me consome ainda mais... é que assim que despacho a vida doméstica (jantar, banhos, "tetinho" e crianças na cama) ele sai e vai dar uma "voltinha", mas... e esta é a parte estranha... sai sempre com uma lágrima no olho: Porquê? Porquê... se foi ele que decidiu o que queria!
Ontem depois de despachada a lida da casa, pedi-lhe para não sair para podermos conversar... e conversamos...
Ele pura e simplesmente, cada vez que lhe tentava mostar (com a minha razão) que ele não podia estar bem... simplesmente (dizia eu...) acusava-me de o estar a acusar e desencadiava uma discussão. Com a minha calma pedia-lhe que baixasse o tom de voz e voltava a pedir-lhe para conversarmos.
Conclusão... Fiquei na mesma, nao percebo, aliás... é impossivel perceber!
Nunca em toda a nossa vivência o impedi de ter a sua própria vida, aliás até muitas vezes o incentivava a isso... Penso eu... no meio da confusão que esta na minha cabeça... Se é apenas isso que ele quer, porquê destrui-me, destriuir uma familia?
Perguntas! Muitas... Resposta! Não encontro nenhuma...
Sinto-me mesmo no limite, preciso reagir, levantar-me, erguer a cabeça e seguir em frente... mas e esse é o meu mas... estou desesperadamente só.
Tenho medo de tudo...
Tenho medo que os meus filhos percam o sorriso, como eu perdi...
Tenho um nó no estomago, na garganta, na cabeça... estou incapaz de tudo... sinto-me impotente...
Estou de tal maneira desesperada que penso todos os dias em desaparecer... pegar no carro de desaparecer, tentei, mas passados poucos kms feitos voltei a trás para abraçar os meus ricos filhos... Por eles não sou capaz de desistir como ele desistiu! Não quero!

Desculpem mais este desabafo... OBRIGADA por me ouvirem... se calhar nao estou sozinha... afinal vocês estão aí...


De Sofia N. a 10 de Julho de 2008 às 15:31
Querida Cristina,

De facto não está sozinha, eu pelo menos estou aqui, e decidi sair do anonimato da leitura para passar a minha mensagem.
É de facto uma situação que nos rasga a alma e nos estilhaça o pensamento. E assim, muito de repente, soa-me a uma depressão, a do seu marido!
Quando eu decidi separar-me com um filho pequeno nos braços, e emociono-me a admitir tal coisa, vieram-me ao pensamento, o desaparecer, mas desaparecer de vez, desta vida, e aguardar pela próxima, onde doa menos a alma! Logo a seguir, lembrei-me do sorriso do meu filho. Do quanto ele havia de ficar triste e perdido sem mim. Esbofetiei-me mentalmente, enxuguei as lágrimas e fui para casa. Larguei o trabalho, parei tudo e fui ter com a minha razão de viver. Quando o vi, a sorrir quando me viu, amaldiçoei-me por ter pensado em deixá-lo, nem que fosse por um segundo. Mas é que doía tanto, era tudo tão difícil e indescritivelmente complicado que os meus pensamento deram para esse lado. Até cheguei a pensar que era melhor para ele não ter uma mãe como eu, deprimida, sem sorrisos, cansada, exausta e sem auto-estima. Mas felizmente, foi coisa de uns minutos, e lembrei-me de mim, de mim mesma, a real MIM! De como eu era feliz, enérgica e cheia de força, antes da depressão e do divórcio.
Chegou a uma altura que só consigo imaginar esta analogia. Numa gruta, a tentar passar uma ponte muito estreitinha, que estava partida no fim, quando quase chegava ao outro lado da ponte. Atrás de mim um dragão e á minha frente o abismo. Das duas uma, sou tentava um salto, que não sabia se conseguia chegar ao outro lado, ou era devorada pelo dragão. Á espera do Dragão, morria com toda a certeza, mas se tentasse saltar e chegar á outra margem, salvava-me. Havia uma hipótese de me safar! Eu prefiro essa % do que ser uma morte certa! Respirei fundo, rezei, pedi MUITO, mas mesmo muito a Deus, que me apoia-se naquele salto para o escuro. E agora só lhe posso dizer uma coisa. Aqui estou eu, do outro lado da margem, a tentar recuperar de tamanho salto que me parecia impossível. Mas Voilá consegui, sobrevivi, e estou mais forte que nunca.
Minhas amigas, com o Dragão é que não!


De Cristina a 10 de Julho de 2008 às 20:29
Cara Amiga, estou a meio das férias mas estava desejando ter acesso à net para aqui vir ter consigo e com a Luísa. Confesso que fiquei preocupada consigo, percebo tão bem o que está a passar que não consigo parar de pensar o que posso dizer para a ajudar. A dor ainda cá está mas já não pesa tanto, o aperto no peito ainda o sinto mas já não sufoca, a dor da solidão e de abandono tb mas hoje estou um pouco mais forte e você também vai estar, por favor acredite! Quando fiquei sozinha, tentei viver hora após hora, pensava "já passou mais uma hora...", só mais tarde comecei a pensar em dias, dias que passo menos agoniada. É a fase onde estou, de férias sozinha com os miúdos, o mais velho a chorar porque vê todas as crianças a brincar com os pais e ele não têm o dele...
Mas hoje já passou mais um dia e a si desejo-lhe força, muita força, não desista dos seus filhos mas acima de tudo não desista de si!


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