Quinta-feira, 24 de Julho de 2008
Ódio online
 
 

O ódio, os insultos, as infâmias que encontramos no Destak online sobre o meu último texto foram para mim uma surpresa total. Não me passava pela cabeça que existisse tanta raiva, tanta maldade sobre seres humanos, que nascem com uma cor diferente da nossa, ou uma crença, ou orientação.

Se, por um lado, como diz o povo "casa em que não há pão todos ralham e ninguém tem razão", e perante a crise tão profunda que o País atravessa alguns se revoltem contra apoios dados a certas etnias, enquanto tanta gente não consegue fazer face às despesas mínimas, por outro lado, como se justificam os insultos, a pura maldade ao atacar alguém de outra cor, ao deturpar a história ao ponto de afirmar que a raça negra é toda igual, não trabalha e é a causa de conflitos onde quer que esteja, em qualquer país?

Defender a expulsão pura e simples de todos os emigrantes, nós que fomos e somos um país de emigrantes? Atacar a orientação sexual diferente da nossa, e uma vez mais considerando que quem escreve os comentários é detentor da verdade, da rectidão?

Afinal o que é que se passa? Porque é tão difícil encontrar uma palavra agradável, simpática ou elogiosa, uma notícia realçando algo de positivo, não grandioso mas positivo? Quantas pessoas por este país fora não lutam com dignidade pelo seu futuro, e ainda conseguem ser solidárias e de coração limpo? Que aconteceu a Portugal?

Fez-se uma Revolução para que o povo tivesse liberdade, os mesmos direitos a todos e a cada dia é maior o fosso entre os ricos e os pobres e a classe média desaparece? As imagens que nos chegam das sociedades em permanente violência e confronto são o resultado do caminho que o nosso país leva.

É com enorme tristeza que escrevo estas palavras. O que será do futuro dos meus filhos e da minha neta?

 

 In Destak 22 | 07 | 2008  



publicado por Luísa Castel-Branco às 09:29
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14 comentários:
De a 24 de Julho de 2008 às 10:13
Não é justo generalizar...há bons e maus caracteres em todas as raças.


De vanutte a 24 de Julho de 2008 às 12:05
olá D.Luísa,como está?
Gostei de ler o seu blog,o qual encontrei por acaso.
De facto é este o país que temos...
eu já pensei diversas vezes em deixar este país mas talvez por cobardia,ainda não o tenha feito...sou uma jovem de 25 anos recém licenciada e sem perspectivas de arranjar trabalho na área e talvez tenha de procurar lá fora o que o meu pp país não me dá....
enquanto paguei propinas fui portuguesa,para arranjar trabalho parece que já não sou...ridiculo não???
mas bem, não adianta cruzar os braços.

Gosta de poesia?visite o meu blog www.mimolandia.blogspot.com

Beijinho


De Turista a 24 de Julho de 2008 às 18:45
O seu típico mal carácter.
Nunca soube aceitar críticas ao longo da sua carreira.
Respeite as opiniões dos outros, eles respeitam a sua.
Cada um tem o seu ponto de vista, a sua opinião.


De Diogo a 24 de Julho de 2008 às 21:18
O artigo era sobre o quê?

Visite o meu site!

***


De emvooplanado a 25 de Julho de 2008 às 15:46
Cara Luísa
Não li o texto em causa, mas não estranho o teor de certos comentários nesse e noutros sítios A verdade é que Portugal está moribundo. O cerco á classe média asfixia tudo, seca como os Eucaliptos. Essa classe que tudo paga e tudo compra, dinamizando assim a economia. Sendo assim, como se pode assistir impávido e sereno a um delapidar de recursos, recursos esses sugados até ao tutano , e que leva a ter neste País uma nova classe de pobres, os pobres envergonhados , aqueles que têm vergonha de pedir subsídios e casas e tudo o mais. È contra essa gente que é especialista a pedir, pedir, pedir sem nunca terem contribuído com nada, que alguma opinião publica se insurge. Eu também me incluo nessa onda. Isto não tem nada a ver com raças, credos ou sexo, é antes o resultado de politicas de subsidiodependência, com que os "nossos" governos resolvem as questões. Haveria muito mais a dizer, mas fico-me por aqui.
Grato pelo espaço para esta consideração.
Se quiser pelo meu estaminé terei muito gosto. emvooplanado.blogspot.com


De ceuávista a 25 de Julho de 2008 às 21:51
faz-me muita confusão as pessoas se odiarem sem motivo nenhum, aliás só se prejudicam a elas próprias e estão cada vez mais azedas.
Sabe Luisa. eu nasci e criei-me no meio de muita pobreza, não tinhamos nada de nada, mas mesmo assim eramos felizes, então quando tinham-mos um brinquedo ou uma roupinha nova o que nós nos divertia-mos.

Agora só vejo, ódio e falta de interesse pelo próximo. por isso o nosso pais está deprimido e tem muita miséria de espírito


De nanda a 26 de Julho de 2008 às 23:49
Cara Luísa, concordo que a atitude mais digna, a mais correcta, seria acreditarmos numa sociedade igual, onde raças, crenças e orientações, de qualquer espécie, fossem respeitadas. Esta foi a minha educação, foram os valores que me foram transmitidos desde sempre. Hoje, infelizmente, não posso concordar, plenamente com a questão acima colocada. Já assisti e soube de casos que me levaram a não acreditar em utopias, creia que para quem convive de perto com certas situações são mesmo utopias...
Conheço pessoas de todas as raças e orientações fantásticas, os meus filhos têm um imenso e diversificado grupo de amigos. Temos, porém de ser realistas, por alguma razão os seus filhos, os filhos de uma classe socialmente mais favorecida, não moram perto nem frequentam as mesmas escolas "problemáticas". Peço que "desçam" ao mundo real e aí, sim, tirem as percentagens correctas. Talvez não seja por causa de pessoas como eu, ou como os meus filhos, que se nasça estigmatizado, atraído pelo lado negro da vida. Serão pessoas, que apenas conhecem relatos de livros, estudos psicológicos ou sociológicos, que terão a culpa de terem criado uma classe insatisfeita, sem esperança, uma classe que se vê relegada para segundo, terceiro plano. Frequentem e convivam em determinados locais, sem escolta policial, ou outra e depois falarão mais sabiamente dos factos.
Discurso demagógico é fácil, estuda-se na escola, nas universidades, sou igualmente "catedrática" nele, difícil é viver e sobreviver no terreno onde se passa a acção.
Até sempre!


De Sónia Pessoa a 29 de Julho de 2008 às 12:35
está nas nossas mãos mudar tudo aquilo de que fala, não?...


De Nehanda a 27 de Julho de 2008 às 20:13
Diz o povo que em casa onde não há pão todos ralham e ninguém tem razão. Em minha opinião este ditado aplica-se perfeitamente ao estado da Nação.
É sabido que os portugueses estão cada vez mais endividados, recorrerem ao crédito, que já não chega, para pagar as dívidas mas mesmo assim passam o tempo de olho na galinha da vizinha, a cobiçar e a desejar o que não têm.
Lamentavelmente nos seus confortáveis poleiros, muitos se esquecem que a ambição humana não conhece etnia, nem status social, o consumismo desenfreado, arrogante e materialista toca a todos.
A pobreza é, hoje e cada vez mais, uma séria ameaça à paz.
Na Europa, e Portugal não é excepção, só tem lugar quem vier contribuir, de preferência de boca calada e de olhos no chão, para manter a competitividade das economias, pagar impostos e engordar o PIB, sem direito à diversidade, ou por outras palavras sem direito a SER.
A corda rebenta sempre pelo lado mais fraco porque poucos estão dispostos a ir à raiz dos problemas e cortar o mal pela raiz, não vá o diabo tecê-las e ficarmos ainda com menos do que já temos, pois para chegar a parte iguais é inevitável dividir.
Como dos fracos não reza a história, a criminalidade, as fraudes financeiras, a corrupção, os crimes de desobediência e o terrorismo vão continuar na ordem do dia. Feitas bem as contas: olho por olho, dente por dente!


De Sónia Pessoa a 27 de Julho de 2008 às 21:37
Olá, passei aqui por acaso, nas minhas incursões por quintais alheios e não resisti a deixar uma palavrinha. Parabéns pelo espaço. Espero que me visite lá no meu cantinho.

Abraço,
Sónia Pessoa


De paula_tavares a 28 de Julho de 2008 às 14:03
Luísa:
faz muito tempo que já não passo por aqui, mas o seu tema chamou-se atenção.
As pessoas são espelho do que lhes vai no coração! E no coração vai muita insegurança, muita raiva, revolta, ódio até! Não haverá paz no mundo enquanto as pessoas não trouxerem paz para o seu coração!
Há falta de conhecimento e a ignorância é mãe de todos os medos. Os negros são maus, os homossexuais são tarados, e por aí adiante. Errado! Mutio errado! Porque debaixo da cor da pele somos todos iguais e dentro do coração todos temos os mesmos anseios, sonhos, desejos e sentimentos. A mentalidade ainda tem muito que mudar e no aspecto sexual então nem se fala! A maior parte ainda acha que o nornal e natural é ser-se heterossexual! O que é natural e normal é ser-se sexual! A orientação não importa!
Eu não li o que escreveu no Destak, mas imagino! E se calhar ainda vou dar uma espreitadela, mas penso que mesmo não tendo lido, não estarei muito longe do tema abordado ou temas abordados.
O meu filho foi trabalhar para a Catalunha e ao fim de alguns dias dizia-me: Mãe isto é outro planeta! As pessoas são agradáveis, simpáticas, generosas! Não há discriminação, todos nos tratamos por tu! Não há Sr. Dr.! Aqui não se repara nos casais homossexuais, andam de mãos dadas e convivem entre si. Aqui há montes de raças e nem fazes ideia a quantidade de árabes! Parece que não mudei de país, mas de planeta!
É isso Luisa, é a mentalidade, enquanto as mentes não se abrirem, não passaremos da cepa torta como se costuma dizer. A nossa política é péssima, a educação está manipulada e todos estamos a ser manipulados indirecta ou indirectamente. Mas não passamos de um bando de "carneiros", de "Maria vai com as outras", não somos capaz de dar a volta, porque a mudança, o novo sempre assustou!
Não tenha medo! Escreva o que acha que deve por a nu e quem não gostar que não leia! Parece que estamos num fascismo globalizado!
Um abraço de Luz e Paz.


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