Quarta-feira, 30 de Julho de 2008
Boas férias!
 
 

«Na noite em que nasceste, madrugada adentro, coisas estranhas aconteceram. À hora exacta em que o teu corpo deixava, finalmente, o corpo da tua mãe, os galos desataram a cantar como se o Sol já tivesse nascido. Eram três horas da madrugada. Os animais do curral foram tomados por uma estranha inquietação e de um momento para o outro um barulho ensurdecedor tomou conta de tudo. O pessoal da terra saiu à estrada, todos sabiam que a tua mãe estava a parir, mas ninguém associou as duas coisas, não senhora. O que pensaram (...) era que vinha aí um tremor de terra, que a seguir aos animais seria a vez da besta que vive dentro da terra começar a rosnar. Mas não. As pessoas esperaram em vão e depois cada uma voltou para a sua cama. Eu, nos entretantos, cuidava da tua mãe com a ajuda da Ti Clotilde. Eras o sexto filho e a tua mãe estava já habituada às dores, aos sangues e ao resto. Amarrei o cordão umbilical, enrolei-o em serapilheira e enterrei-o, mais tarde, no fosso ao cimo do monte. Dizia eu que a tua mãe estava já habituada, o que não quer dizer que as dores fossem menores, e no meio daquilo tudo deve ter sido a única pessoa do lugar que não deu pela loucura dos animais quando a tua cabeça saiu dela. Puxei-te para fora das entranhas da tua mãe e a primeira coisa que vi foi uma juba cor de fogo. Confesso que me assustei. Não por ver um nascido com tanto cabelo, mas a cor era tão forte que parecia iluminar o quarto. Limpei-te e, pegando-te pelas pernas, mostrei-te à Joaquina, que olhou o teu corpo, a juba cor de laranja e disse apenas: - Mais uma cachopa para alimentar! Em cinco filhos, a tua mãe só tinha um rapaz e agora chegavas tu, mais uma fêmea. Depois, ainda a arfar, disse-me: - Ó Ti Maria da Graça, mostre-me ai o que é que ela tem na cabeça.»

in Alma e os Mistérios da Vida, Oficina do Livro, 4.ª edição

in Destak 29 | 07 | 2008 



publicado por Luísa Castel-Branco às 10:01
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7 comentários:
De Fátima a 30 de Julho de 2008 às 22:43
Li o seu livro em dois dias......adorei e chorei no fim!
Confesso que não esperava uma história como essa, tão envolvente e tão bem escrita, não que duvidasse das suas capacidades NUNCA, admiro-a muito, mas foi uma agradável e surpreendente surpresa.
Aguardo o próximo.
Beijinho


De Maria Eugenia Ponte a 31 de Julho de 2008 às 15:22
Luisa:
Foi por coincidência que vim aqui parar, andava a ver se descobria o e-mail do programa da Julia Pinheiro e, ao fazer pesquisa no goggle, "achei" o seu blogue.
Estive a ler alguns dos seus "posts" e fiquei agradavelmente surpreendida com a maneira como escreve.
Nunca li nada seu mas vou ver se compro ou se consigo emprestado o seu ultimo livro... fiquei muito curiosa.
Verifiquei que é precisamente da minha idade, também nasci em 1954... mais uma coincidência.
Além disso, também escrevo mas tenho apenas 1 livro editado e muitos sonhos e projectos para o futuro.
Este ano dos nossos 54 anos (já reparou que temos 54 anos e nascemos em 54?) tem de ser especial.
Penso que o está a ser para si e fico feliz por isso.
Parabéns pelo livro e pela pessoa que penso que é.
Não encontrei o endereço da Julia Pinheiro mas encontrei-a a si.
Beijinho grande e tudo de bom.
Eugenia Ponte


De Social mas Light a 1 de Agosto de 2008 às 10:36
Cara Luísa,

Tenho lido crónicas suas e adorava o programa que teve na televisão, mas tenho que confessar que não esperava que escrevesse tão bem.
Li a "Alma" durante estas recentes férias e soube-me mesmo bem. É de fácil leitura, com narrativa q.b. que nos transporta sem nos maçar, para o equandramento e ambiente das diversas épocas.
Parabéns e fico a agurdar um próximo desafio.
Social mas Light


De Telma Proênça a 5 de Agosto de 2008 às 21:33
Olá Luísa!

Deixe que lhe diga, que depois que soube pela TVI que tinha editado um livro, soube de imediato que esse mesmo livro teria que ser bom.
Ao iniciar a leitura do mesmo constatei que a Luísa a> estava cheia de ideias, de personagens, de locais...
Como leitora, senti que na sua cabeça deviam fervilhar um jorro de ideias.
Um sem número de personagens, deviam espreitar de quando em quando em sua mente, á espera de poder actuar.
Devo lhe dizer que comprei o livro ás 11:00h da manhã e que por volta das 19:00h já o tinha lido. Tal como eu suspeitava, o seu romance tomou vida e de imediato dei por mim a querer saber do que seria a vida de Alma, o seu futuro, as suas alegrias e as suas tristezas.
Devo confessar que também eu fiquei triste quando "vi" as maldades que os fracos de espírito tinham para com uma inocente criatura, principalmente a mãe (se assim se pode chamar, a tal criatura). E, com o destino que a personagem toma no final.
Quando a vida a presenteou mais tarde com amigos e com o Pedrinho, fiquei feliz por ela (é como se a personagem tomasse vida e passasse a ser alguém dos meus conhecimentos).
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Olá Luísa! <BR><BR>Deixe que lhe diga, que depois que soube pela TVI que tinha editado um livro, soube de imediato que esse mesmo livro teria que ser bom. <BR>Ao iniciar a leitura do mesmo constatei que a Luísa a&gt; estava cheia de ideias, de personagens, de locais... <BR>Como leitora, senti que na sua cabeça deviam fervilhar um jorro de ideias. <BR>Um sem número de personagens, deviam espreitar de quando em quando em sua mente, á espera de poder actuar. <BR>Devo lhe dizer que comprei o livro ás 11:00h da manhã e que por volta das 19:00h já o tinha lido. Tal como eu suspeitava, o seu romance tomou vida e de imediato dei por mim a querer saber do que seria a vida de Alma, o seu futuro, as suas alegrias e as suas tristezas. <BR>Devo confessar que também eu fiquei triste quando "vi" as maldades que os fracos de espírito tinham para com uma inocente criatura, principalmente a mãe (se assim se pode chamar, a tal criatura). E, com o destino que a personagem toma no final. <BR>Quando a vida a presenteou mais tarde com amigos e com o Pedrinho, fiquei feliz por ela (é como se a personagem tomasse vida e passasse a ser alguém dos meus conhecimentos). <BR class=incorrect <a name="incorrect">Luisa.</A> a&gt; , continue a apresentar-nos personagens como a Alma, como D. Sofia, como a Ti Isménia , como a Maria da Luz (cuja história me apaixonou e de quem tenho pena de não ter ficado a saber mais) e de tantos outros. <BR>Uma das coisas que eu mais gosto de fazer na vida é ler. Adoro Eça, Júlio Dinis, Sarah Beirão... (muitos dos clássicos portugueses e não só). Além destes, gosto de ler livros de História (História portuguesa e não só). <BR>Sabe Luísa a&gt; , eu também escrevo! <BR>Escrevo contos infantis e romances. Tal como a Luísa a&gt; , também a minha cabeça fervilha de ideias e de personagens. Tenho 6 contos infantis e 3 romances e sempre que escrevia, era como se os personagens tomassem vida e eles mesmo me dissessem qual deveria ser o seu destino, a sua sorte. <BR>Espero um dia também poder editar os meus livros e com isso dar a conhecer os meus amigos (personagens) e ouvir as pessoas a tratá-los pelo nome (tal como acontece com a Alma, Ricardo, Dom Sebastião...). <BR class=incorrect <a name="incorrect">Parabens</A> , pela escrita! Parabéns pela simplicidade! Parabéns pelos personagens! Parabéns pela originalidade! <BR>Continue! Continue, que tal como eu, muitos estarão á espera de conhecer os próximos personagens. <BR>Só tenho pena de não ter encontrado uma 1ª edição do mesmo. E, de não estar autografado. <BR>Como diria alguém meu amigo, um bem haja pela sua criatividade e pela demonstração de afectos (ou para Alma, da falta deles) de alguns personagens que muito nos fizeram lembrar alguém que conhecemos, ou que ouvimos falar! <BR class=incorrect <a name="incorrect">Parabens</A> , Luísa a&gt; . <BR><BR>Telma


De sanandinha a 5 de Setembro de 2008 às 01:03
Olá Luiza C. Branco,
Quero apenas, felicitá-la por ser quem é! depois digo que estou a ler o seu livro, depois de o ter oferecido como prenda de anos a uma amiga, ela passou a outras pessoas, todas gostaram, agora espero que o comprem tambem e vão passando a outros(as), eu estou a gostar bastante da história, considero inédito, falar-se nos livros sobre as "Marias", elas que só eram conhecidas pelas sopeiras, que namoravam com os magálas, foi preciso a Luiza, chegar com uma história sobre elas que penso que irá supreender quem a lê, já constatei que a narrativa é profunda, sobre o aspecto humano e espiritual, não tivesse a Luiza estes ricos requesitos. Na verdade estou contêntissima por encontrar nas livrarias, um livro seu acompanhado com uma foto de uma pessoa bonita, que neste caso tanto por dentro , como por fora. só espero que continue a escrever, porque o livro está, a meu ver muito bem escrito. PARABÊNS POR SER QUEM È!!!!!!!!!!
Anabela Bento-Lisboa


De Tanea a 5 de Abril de 2009 às 23:09
Olá.

So para dizer que adorei o Livro e terminei de o ler há dias.

Muitos parabéns. Fico à espera do proximo!

Felicidades.


De Rosa Helena Carvalho P Moura a 6 de Dezembro de 2009 às 23:04
Olá, Luísa:
Li com agrado que é conhecedora da vida e obra de Sarah Beirão. É curioso ler nas informações biográficas desta autora , o importante papel que o sr . Igrejas Caeiro tem desempenhado, uma vez que sou sobrinha bisneta de Sarah Beirão por parte do seu marido, o Comendador António da Costa Carvalho. Como é q este senhor é quase perpétuo no cargo de presidente da Fundação Sarah Beirão / António da Costa Carvalho, com tanta família que é directa ainda viva?Será q existe explicação?Eu e a minha família gostaríamos de saber. Se souber de algo, peço-lhe o favor, se possível, de entrar em contacto comigo e responder-me. Sou Professora de Português e Francês e gostaria de saber mais sobre esta situação, se eventualmente souber. Desde já, o meu muito obrigada. Saudações


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