Segunda-feira, 18 de Agosto de 2008
O Feitiço da Lua

Estava na planície alentejana quando vi o eclipse da Lua de há duas noites.

A magia daquela imensidão de terra plana que se mistura com o azul do çeu estrelado, permitiu-me ficar ali, suspensa daquele jogo de sombras, acompanhada mas ao mesmo tempo como se fosse um ser único naquele pedaço de universo, naquele momento em que o tempo parou.

Sei que é absurdo mas uma estranha acalmia cai sobre mim, embalando-me, como se eu e a lua vestida de negro, um xaile que a encobria cada vez mais e mais, deixando sempre um pedaço de luz bem visível, nos escondêssemos as duas do mundo e mantivéssemos uma conversa privada.

Vem-me à memória quando era pequena, e se cantarolava uma modinha assim: Porque tu tens os destino da Lua que todos adoram e não és de ninguém!"

A vida veio mostrar-me que longe estava essa realidade de uma adoração colectiva, ou mesmo e simplesmente uma adoração em momento de paixão.

Não que não tivessem existido mas o problema era meu, porque a paixão, o amor, as danças de acasalamento tudo isto e muito mais sempre me pareceram ridículas e desprovidas de dignidade.

E ao mesmo tempo, como eu era romântica (será que já não o sou?) tão estupidamente romântica, sempre sentada num muro qualquer, numa esquina qualquer, numa janela qualquer os olhos em alvo tentando desesperadamente encontrar o meu cavaleiro andante no seu corcel branco.

Ah! O Verão é mesmo tempo para idiotices e percas de energia.

Talvez porque não tenho férias há tantos anos, e nunca gostei de calor, esta estação do ano é para mim um compasso vagarosa e demorado na espera do Outono e de tudo o resto.

Mas o calor este ano deu tréguas e o  pais parece ter sido coberto por um vento filho do danado, que rodopia e se enrola nas nossas pernas, na roupa e leva as nuvens no c éu e velocidades vertiginosas.

Enfim, o telemóvel tem finalmente o descanso merecido porque o pais está de férias e tudo o que eu necessito de fazer tem que ficar adiado até mais tarde, até a cidade voltar a ser um desassossego, entre gentes e carros e gritos.

E vejam só onde eu fui parar, só por causa de uma lua cheia e de um eclipse que parecia um vvéu transparente!



publicado por Luísa Castel-Branco às 22:17
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