Terça-feira, 7 de Outubro de 2008
Vamos falar de violência?
 

Mas qual violência?

A dos roubos a caixas multibanco, a bancos, ourivesarias, todo o tipo de comércio por grupos profissionais (pelo menos assim parecem) encapuçados e com armas de canos serrados? Ou a violência do assalto a particulares, a velhos, a jovens, a pessoas que estão dentro de suas casas e de repente são sequestradas? Ou o carkjacking que faz com que nos assemelhemos a uma qualquer cidade brasileira? E os bandos de jovens que amedrontam os passageiros dos comboios, metro ou autocarros a qualquer hora do dia? E os alunos que batem impunemente nos professores, e os pais dos alunos que batem nos professores? E as mulheres assassinadas, vítimas de violência doméstica cujo número de mortes até Agosto ultrapassou o de 2007?

Claro que existem ainda outros tipos de violência. Os recibos verdes que conduzem qualquer trabalhador em qualquer profissão ao medo constante do desemprego, de despedimento sem justificação. As reformas compulsivas de homens e mulheres com cinquenta anos, na melhor fase da sua vida, naquele momento em que são mais valiosos à sociedade porque têm memória, passaram por muito para alcançaram o que lhes é retirado sem apelo nem agravo.

Se vamos falar de violência, então temos que gritar em nome de tantas crianças maltratadas, por exemplo aquelas que vemos em cada semáforo ao colo de uma mulher que tinha bom corpo para trabalhar mas ali anda, impunemente com bebés ao frio. As crianças violadas e os milhares de crianças que crescem em instituições porque o processo de adopção demora, ou pura e simplesmente não funciona.

Se querem falar de violência, então temos também de falar da violência verbal do simples condutor de qualquer veículo, do colega de trabalho, enfim, uma longa e triste lista.

A conclusão é que chegou o momento de parar e repensar a Nação. E, partidos à parte, tentarmos encontrar uma solução para o futuro dos nossos filhos.

in Destak 07 | 10 | 2008  



publicado por Luísa Castel-Branco às 19:11
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