Terça-feira, 25 de Novembro de 2008
Para onde vamos?
 
 

O estudo que revela o número assustador de jovens agredidas pelos namorados pode ter apanhado de surpresa grande parte dos portugueses, mas não todos.

Sei dessa realidade e desenganem-se os que os pensam que este tipo de situações ocorrem unicamente nas classes mais desfavorecidas. Muito pelo contrário, parece que a aceitação da violência por parte duma elite tornou-se já algo normal.

Mas porque nos surpreendemos? Numa sociedade em que nada é imputável aos pobres dos meninos, o que se pode esperar?

Ninguém chumba, por isso para quê estudar, não podem ser condenados por desacatos por serem menores e os pais vivem no pavor de perder o controlo (ou o amor) dos filhos oferecendo tudo e mais alguma coisa não vão eles ficar traumatizados por não terem o último modelo de telemóvel!

O que esperar de uma sociedade que promove a falta de responsabilidade, o facilitismo, o consumismo a todo o custo?

Se as leis fossem aplicadas, a maior parte da noite de Lisboa parava. Porquê? Porque os bares e discotecas estão cheios de menores a consumirem álcool! Educar é uma tarefa cada vez mais difícil. Os pais têm hoje que lutar para sobreviver à crise económica, muitos enfrentam o desemprego, muitos mais a precariedade do trabalho.

Simultaneamente, têm filhos que exigem como se fossem donos do mundo, como se tudo lhes fosse devido.

E, na verdade, onde estão os deveres desta geração?

Às agressões aos professores, entre alunos e a pais junta-se agora esta vertente. E enquanto discutimos a avaliação dos professores, onde está a discussão séria sobre o futuro àqueles que um dia governaram o país?

Porque a culpa é de todos nós!

Luisa Castel-Branco

in Destak 25 | 11 | 2008  



publicado por Luísa Castel-Branco às 10:16
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3 comentários:
De Anónimo a 25 de Novembro de 2008 às 11:33
Luísa

-Concordo com o que diz no seu artigo sobre a violência entre namorados ..., excepto no último parágrafo, quando diz que a culpa é nossa.., pode ser também sua, minha não é de certeza, nomeadamente porque não me identifico com um regime que tem fomentado as condicionantes que originam a muita corrupção, a pedofilia, a violência doméstica, a criminalidade e a violência contra professores e/ou namoradas(os).
-há mais de trinta anos, entregaram o poder, no geral a cadastrados de uma época em que havia justiça.., de que estavam à espera? -Do chegar ao Éden?

Cumprimentos.

M. Lima


De Maria Neves a 25 de Novembro de 2008 às 12:15
Concordo 100%. Ainda mais angustiante. Nesta sociedade em que a perda de valores é assustadora, o suicídio entre jovens (dos 9-23 anos) nos ultimos 5 anos é em média 3,75/mês isto é, quase 1 por semana. Como as estatísticas normalmente funcionam por defeito, a situação real é possivelmente diferente.
Gosto muito das suas escritas e intervenções.
È uma pessoa frontal, desempoeirada...
Somos mesmo TUGAS , o que vale são as excepções
Cumprimentos


De Dylan a 30 de Novembro de 2008 às 00:26
Este é o meu artigo, também publicado no "Destak" na eddição de sexta-feira:

"Como já não bastasse o número crescente de mulheres vergonhosamente agredidas pelo seu cônjuge, fisicamente e psicologicamente, surge agora também um estudo surpreendente e revelador de jovens entregues à mesma sorte. São os novos libertinos oriundos das gerações de 80 e 90 - energúmenos sem referências culturais e civilizacionais mas com o gosto pela ostentação, do exibicionismo de potentes bólides dos papás ao som de música estridente e na companhia dos famosos e colunáveis do burgo, tendo no bolso as últimas tecnologias de comunicação. Nas suas vidas desregradas escondem a cobardia dos seus actos contra a mulher pois obedecem a todos os estratos sociais. Infelizmente, a flexibilidade da lei não ajuda nem tampouco a reacção da mulher violentada - não denuncia pois confunde a agressão como sendo uma prova de afecto por parte do homem que promete não voltar a repetir tal acto. Não seria urgente mudar a lei no sentido de proteger a mulher do número galopante de vítimas, ainda para mais quando existe o envolvimento de crianças?"




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