Sexta-feira, 13 de Fevereiro de 2009
Para onde vamos?

É como se estivéssemos à beira do abismo, tentados pelas forças mais negras a saltar ou então, pura e simplesmente a encolhermo-nos dentro de nós mesmos, sem respirar, sem mover um músculo, como se hibernássemos até a tormenta passar.

Perante as notícias de um mundo inteiro em desagregação económica, olhamos à nossa volta a aguardar o dia em que nos vai bater à porta o desemprego, ou então, já ai estamos com os olhos vazios de esperança.

E contudo, mais do que estar em causa todo o sistema em que assenta a sociedade dos nossos dias, o que se nos deparara é a urgência de efectuar mudanças profundas.

É fácil de dizer e muitíssimo difícil de concretizar.

Habituamo-nos a viver no mundo com múltiplas seduções, numa voragem de consumismo que se tornou a normalidade e não o contrário.

Quando converso com os meus filhos como era a vida quando me casei, tinha então 23 anos, eles olham para mim com um espanto total.

E faz-me bem voltar a rever esses tempos para poder olhar os dias de hoje com verdade.

Pertenço a uma geração que lutou para viver. Mas comprado com os tempos dos meus pais e avós a nossa vida era fácil.

A minha mãe começou a trabalhar com doze anos. Doze.

Ficou tuberculosa com quinze e quando oiço o que foi a vida dela, tenho vergonha de pensa que a minha foi difícil.

O mundo como o conhecíamos acabou?

Não acredito.

Vamos continuar a comprar o desnecessário por necessário, a viver nesta urgência de ter para parecer.

Ainda não é desta que voltamos ao respeito que a Terra e a Natureza nos merecem.

 

 



publicado por Luísa Castel-Branco às 10:04
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3 comentários:
De romar a 13 de Fevereiro de 2009 às 11:42
Bom dia,

Talvez não seja o lugar oportuno, mas acabei agora mesmo de ler ALMA e senti necessidade de informar que adorei!
Desejo um bom dia e espero por outro romance.

Rosinda


De Fulano a 14 de Fevereiro de 2009 às 20:24
Não parece Portugal: uma portuguesa, figura pública, assumindo que a mãe começou a trabalhar aos 12 anos. Normalmente as figuras públicas portuguesas põem-se em bicos de pés, fazendo notar nas entrevistas que «... a família da minha mãe era gente fidalga, mas perderam tudo em 1856... » (Vítor Castelo); ou « ... em casa, tinhamos 2 cozinheiras, "chauffeur"(cito) ...» (Ana Salazar). Manuela Moura Guedes, não via desenhos animados, via "os comics!", Pelo menos foi o que disse que gritavam lá em casa aquando da hora infantil na TV.
Sendo verdade, que são muito "finos", não tem mal nenhum, cada um vem de onde vem. Mas como não lhes perguntam directamente qual a sua origem, usam uma linguagem subliminar, "como quem não quer a coisa", para informar a maralha da sua especial condição, para que se saiba. Poderão chamar-lhe snobismo, eu chamo-lhe pelintrice.
Também lembro o desdém manifestado por alguns jornalistas pelo facto de o pai de Cavaco Silva, (note-se o quanto é desprestigiante), ser,agricultor e proprietário de uma bomba de gasolina. Era isso prova da origem humilde do senhor e usado como forma de apoucar o homem. O que, aliás, prova precisamente o contrário, além de que quando muito seria prova do seu valor por ter transcendido uma condição à partida desfavorável.
São de facto os verdadeiros parôlos e não sabem!


De Beguinha a 18 de Fevereiro de 2009 às 13:29
Há uma expressão muito repetida que diz, quando olhamos para os dramas alheios, "isto é que são problemas". A racionalidade deve dizer-nos que são problemas mas não são os nossos; a emoção leva-nos por outros caminhos, fazendo-nos reviver na pele a dor que outros trazem, que outros conhecem.
Perante o pior de tudo, prefiro acreditar que há sempre um lado bom, um lado que nos faz crescer, mesmo que doa, que nos faz aprender, mesmo que recusemos à primeira tal lição.
Para onde vamos? Em frente. Sempre em frente. Só assim faz sentido.


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