Terça-feira, 23 de Junho de 2009
Lágrimas de mãe
 

Ninguém tem a capacidade de nos magoar como um filho.
Não necessita sequer ser por actos, bastam as palavras e omissões.

Desde o primeiro momento em que os pegamos nos braços e olhamos espantadas para aquele milagre que colocamos no universo, até ao último pensamento da nossa vida, eles estão sempre presentes, sempre em primeiro lugar. E é uma viagem maravilhosa mas árdua, em que muitas vezes duvidamos do que fazemos porque não existe um manual de instruções para a forma correcta de educar, e por outro lado, cada filho é diferente do outro e necessita de uma linguagem também diferente. Passamos dos dramas das cabeças partidas no recreio, para num ápice nos preocuparmos com as saídas nocturnas e depois com os filhos deles.

Num simples piscar de olhos cabe a nossa vida inteira, nesta relação de amor incondicional, sem limites e sem fim.
Quando crescem descobrem que sabem tudo. E as asas que lhes demos levam-nos para outras paragens.

Estão cheios de certezas, os nossos filhos. Também já fomos assim quando pensávamos que tínhamos todo o tempo do mundo e podíamos fazer qualquer coisa.

Opinam sobre a nossa vida, sobre tudo como se fossem os únicos detentores da verdade e da sabedoria. Nós, os pais para eles somos velhos desde a primeira vez que nos olharam.

Velhos e cheios de erros.

Quando um filho com uma simples afirmação nos corta o coração, desculpamos de imediato.

É isso mesmo este amor infinito. Mas as palavras ficam para sempre cravadas no nosso coração.

E dói tanto! Uma dor que não passa e nós a fingirmos que está tudo bem.

Se eles soubessem que um dia vão sofrer a mesma dor!

 

in Destak 23 | 06 | 2009  



publicado por Luísa Castel-Branco às 09:19
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9 comentários:
De Adriana Eugénio a 24 de Junho de 2009 às 14:39
Simplesmente fantástico.
Ainda não tenho filhos, mas este texto define muita coisa.
Cada vez mais tenho a certeza que amo os meus pais, com todos os defeitos e virtudes e todos os erros que cometeram na minha educação. Faz parte, pois ninguém nasce ensinado e agora compreendo não só a eles, mas aos seres humanos.
;) Beijos


De Eloísa a 24 de Junho de 2009 às 15:31
Olá. Há muito que acompanho o seu blogue, talvez porque, por inerência da profissão, goste de estar atenta a tudo o que se diz e faz, BEM!
Sempre que leio as suas palavras fico com um aperto no peito e assustada com a veracidade das suas palavras e o quanto elas me tocam, parecem ter sido escritas propositadamente para mim, tal letra de canção...
Desta vez, porque sou mãe e, actualmente, não vivo com a minha filha, senti-me na obrigação de lhe dirigir algumas palavras para lhe dizer o quanto eu compreendo estas linhas que postou!!
Mas sei que um dia tudo vai valer a pena!! Espero chegar aos 50 com a força de vontade que tenho aos 28.
Um beijo para si e até ao próximo post !
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Olá. Há muito que acompanho o seu blogue, talvez porque, por inerência da profissão, goste de estar atenta a tudo o que se diz e faz, BEM! <BR>Sempre que leio as suas palavras fico com um aperto no peito e assustada com a veracidade das suas palavras e o quanto elas me tocam, parecem ter sido escritas propositadamente para mim, tal letra de canção... <BR>Desta vez, porque sou mãe e, actualmente, não vivo com a minha filha, senti-me na obrigação de lhe dirigir algumas palavras para lhe dizer o quanto eu compreendo estas linhas que postou!! <BR>Mas sei que um dia tudo vai valer a pena!! Espero chegar aos 50 com a força de vontade que tenho aos 28. <BR>Um beijo para si e até ao próximo post ! <BR class=incorrect name="incorrect" <a>Eloísa</A>


De padeiradealjubarrota a 25 de Junho de 2009 às 20:01
Eu acho que um filho ou filha não tem essa noção. Só se for um dia pai ou mãe. Mas pode vir a não ser.
Por conseguinte, é difícil fazê-los compreender.
Mas todos nós nos magoamos uns aos outros. Os pais também muitas vezes exasperam os filhos, como diz S. Paulo. As relações humanas são complicadas. Geralmente magoamos quem mais queremos.


De luísa lopes a 26 de Junho de 2009 às 22:48
Este texto é lindo. Parabéns!
Sou mãe há pouco tempo, mas já pressinto o que vou sentir.

Luísa Lopes, Viseu


De zarco a 30 de Junho de 2009 às 19:56
Ola Luisa, quero só lhe dizer que gosto mt de si e que tenho saudades dos seus programas na TV. Identifico-me consigo.
Gosto de a ouvir e sinto que é uma pessoa simples.
Bem haja
Tudo de bom.
Gusty


De Paula C. a 3 de Julho de 2009 às 17:34
Luísa,
Comecei há dias a ler o seu livro "Alma e os mistérios da vida". Estou agradavelmente surpreendida com a sua escrita. Já a conhecia dos meios de comunicação, já seguia o seu blogue e já tinha estado com o seu livro na mão sem me decidir a adquiri-lo, até há poucos dias atrás quando passei por uma livraria com o intuito de comprar um livro para dar lugar ao que eu acabara de ler. Adoro ler, tenho sempre que ter um livro para ler e desta vez, lá me decidi, até porque alguém já me tinha sugerido a sua leitura. Deixe-me dizer-lhe que estou a adorar, há muito tempo que eu não lia um livro assim, ávidamente, sem vontade de o largar, apetece lê-lo de um fôlego. Parabéns!

Paula


De irene a 26 de Julho de 2009 às 16:31
Cada vez mais penso como somos parecidas na forma de pensar, agir, ganhar forças, lutar ...
Adoro a sua escrita e escrever um livro também faz parte do meu projecto de vida.
Já concretizei o meu maior sonho de ser mãe e olhar para os meus filhos e pensar que são melhor da nossa vida.
A nossa felicidade tem como base a forma como encaramos todos os desafios que a vida nos dá. O saber ultrapassar as derrotas para viver com toda a alegria as vitórias é fundamental.
Beijinhos e obrigada pela luz que transmite...


De ana ribeiro a 11 de Agosto de 2009 às 17:21
É bom saber que outras mães sentem o mesmo que nós... nesta tarefa tao dificil que é ser mãe e em que certos momentos pomos tudo em causa, até as nossas capacidades, o modo como os educámos e que julgamos ser sempre o melhor. Secalhar o nosso maior erro é mimá-los demais, mas só damos por isso 20 ou 30 anos depois, e mesmo assim continuamos a mimar.
Somos Mães....


De Ana a 26 de Agosto de 2009 às 16:57
Olá Luísa !
Tenho 35 anos e sou mãe de dois rapazes com 3 e 9 anos.... Por vezes dou por mim a pensar, no trabalho que dei aos meus pais, para eles me criarem! E como a vida era difícil naquela altura... Quando somos novos somos os reis do mundo, só nós é que sabemos, mas agora sei dar muito valor aos meus pais, não que não o desse antes, mas tem um sabor diferente!
Um grande beijinho e Parabéns pelo seu blog, que descobri apena hoje....


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