Quarta-feira, 9 de Setembro de 2009
A saudade nunca morre
 
 

Apareces assim de repente, sem aviso. Por vezes é o teu perfume, alfazema e tabaco, que vem de sítio nenhum. Outras, poderia jurar que sinto o teu respirar no meu ombro, uma sombra que não está lá mas que eu vejo, sei lá, sinto-te por todo o lado, sem descanso, ainda hoje e já passaram vinte sete anos desde que partiste.

Seguramente que tal acontece por pensar em ti com tanta frequência. Por sentir a tua falta dia após dia. Sem descanso.

O que pensarias do que faço? De quem sou?

A saudade não morre, e não se transforma em nada.

É tão-somente saudade do que não te disse, do que não me chegaste a dizer. De tudo o que deveríamos ter vivido, de todas as conversas adiadas porque havia tempo, e depois, partes aos cinquenta e um anos, e deixaste-me para aqui neste desassossego de alma, nesta culpa tão profunda do que não fiz e das palavras que não disse.

Queria tanto abraçar-te de novo, meu pai! Encostar a cabeça no teu ombro, envolvida pelo teu perfume e sabendo de antemão o quanto te incomodava qualquer manifestação de ternura.

Se fosse hoje, se eu pudesse voltar atrás por breves minutos, cobriria o teu rosto de afagos e beijos molhados, e dir-te-ia vezes sem conta: Amo-te. Talvez por isto tudo, não me canso de dizer aos meus filhos o quanto os amo.

Não creio que eles compreendam esta necessidade absurda. Mas não me importo. Temo partir de repente, como tu, e não lhes ter feito sentir que eles são tudo para mim, absolutamente tudo. As pessoas não choram assim após vinte e sete anos, eu sei.

Ou talvez eu esteja errada. E alguém quando ler este texto reconheça a dor na alma, a dor imensa da ausência de quem se ama.

Que importa? Hoje sonhei contigo. Sorrias para mim

in Destak 08 | 09 | 2009 


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publicado por Luísa Castel-Branco às 01:21
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15 comentários:
De AnaD a 9 de Setembro de 2009 às 02:16
Obrigada, é só o que posso dizer!


De Sandra Melo a 9 de Setembro de 2009 às 11:09
Senti-me arrepiada ao ler o artigo, pois hoje também faz anos que alguém muito importante para mim partiu, fisicamente, porque a soudade nunca morre... Consegiu escrever precisamente aquilo que sinto, mas que nem sempre consigo passar cá para fora. Também digo vezes sem conta à minha filha que a amo, para se alguma vez ela tiver duvidas não as tenha. Obrigado pelo seu artigo, sinto que ganhei o dia.
Nunca comentei o seu livro porque só à poucos dias o li, depois de encontrar o seu Blog, obrigado, adorei e já coloquei as mulheres da família em fila de espera para o ler. Quando o próximo?
Abraços desta leitora assídua do seu BLOG.
Sandra Melo


De carla a 9 de Setembro de 2009 às 14:01
Boa tarde

Há muito não deixava comentário mas, HOJE especialmente hoje ao ler seu texto reconheci a mma dor... nem o tempo que passa consegue cicatrizar...
Que importa??? Se tantas noites me fazes companhia em meus sonhos...

Luisa tb eu faço questão em dizer ao meu filho o quanto ele é especial para mim...que o adoro mais que tudo na vida.... porquê?

Porque carrego a culpa de "ele" ( meu pai) ter partido....sem nunca o dizer...

Grande abraço desta sua fã


De lc a 9 de Setembro de 2009 às 22:00
Olá Luisa, em primeiro lugar desculpa a intimidade, mas tenho por hábito ler o teu blog e acho que já criei com ele uma intimidade que me permite tratar-te assim.
Em segundo lugar quero dizer-te que também o meu pai, o meu idolo, partiu há 25 anos, e ainda hoje passados estes anos lamento nos seus ultimos dias não ter tido tempo de lhe dizer como gosto dele e como foi e continua a ser o homem mais importante na minha vida.
Espero um dia juntar-me a ele e então ter a oportunidade, que não tive antes, de lhe dizer tudo o que tenho guardado nestes longos anos sem o ter em corpo junto de mim.
Pois, é que o meu pai tem-me acompanhado na jornada que é a vida sempre a velar por mim.

Obrigado Luisa por tão bem me fazeres


De Paula a 9 de Setembro de 2009 às 23:32
Venho sempre que posso ler o seu blog, e fico sp emocionada da forma como consegue transmitir através da escrita as emoções e pensamentos.

Hoje uma vez mais mas de uma forma muito intensa o seu post me tocou.
Compreendo muito bem da saudade de fala, do sentir o nosso pai sp ali ao nosso lado, também a vida me levou o meu há 13 anos quando ainda só tinha 52 anos. Não teve tempo nem a oportunidade de ver os netos, ou melhor dos netos o conhecerem e conviverem com ele. Lá em cima acredito que todos os dias ele olha por nós os 3 filhos e os 5 netos.
Mas passados 13 anos continuo cada vez que falo dele a sentir um nó na garganta pela vontade enorme de chorar, é uma dor constante esta saudade imensa que acredito que o tempo nunca conseguirá apagar.
Hoje também digo muitas vezes às minhas filhas o quanto são importantes para mim, o quanto as amo!!! e que são os meus maiores tesouros!
Aos nossos pais um bem haja. Que no lugar onde estão que continuem a ser as estrelinhas que nos guiam e protegem.

Paula


De Susete Barros a 10 de Setembro de 2009 às 20:15
Não pude deixar de me emocionar fortemente ao ler a sua mensagem de saudade a alguém tão querido que cedo partiu e a deixou! Comunguei por breves instantes as mesmas emoções, necessidades afectivas e ternurentas, o que gostaríamos de ter feito e não fizemos porque havia tempo... Pensávamos nós! E pensávamo-lo porque ainda nos sentíamos garotas, sabendo ter sempre aquele ombro amigo que nos bastava para alicerçar os nossos sonhos, expectativas e eu sei lá que mais!
De minha parte somente lhe digo que, após a perda do meu pai, senti que a vida é deveras difícil e parece que vai fugindo, escoando-se por entre os dedos, mesmo que fechada na palma da mão!
Ainda assim, continuo a não revelar o que sinto, guardando só para mim estas emoções, estando certa , contudo, que já não há tempo como outrora!!!
Obrigada pela conversa que mantivemos, mesmo com ausência das vistas, mas perto dos corações.

Susete.


De PAULA a 10 de Setembro de 2009 às 22:30
NÃO HÁ DÚVIDA DISSO MESMO, QUE DIZ COM TANTA SAUDADE E AMOR, QUANDO SE PERDE ALGUÉM QUE SE AMA É MUITO DOLOROSO, EU SEI PORQUE JÁ PASSEI POR ISSO,MAS UMA COISA É CERTA AINDA BEM QUE DIZEMOS AOS NOSSOS FILHOS QUE OS AMAMOS POIS ISSO É MUITO IMPORTANTE PARA ELES E PARA NÓS.
CONTINUE ASSIM PORQUE VAI MUITO BEM NESSE SEU CAMINHO CHEIO DE ALMA
BEIJO


De Carlos J. a 11 de Setembro de 2009 às 16:45
Boa tarde Luisa, permita-me que a trate assim.
A saudade é efectivamente algo difícil de definir, não esteja esta no nosso coração ou na nossa alma e facilmente haverá a tendência para a confundir com recordação e como tal esquecimento.
Não resisti a partilhar dessa saudade que sentiu e que só pode vir de alguém que seja um ser humano enorme.
Essa, a saudade de que nos fala, eu chamaria de amor eterno, que não se esquece e quão bom é acordar como diz a Luisa "...Hoje sonhei contigo. Sorrias para mim".
Mesmo que seja um sorriso dos sonhos, felizes os que sonham, mesmo com aqueles que apenas neles nos fazem sorrir.
Um bem haja, pelo que nos tem dado, pela sua clareza de ideias e, por sentir a mesma saudade que eu.
Beijinho
Carlos


De JORGE PAULO RAMOS a 13 de Setembro de 2009 às 05:52
Antes de mais, quero lhe dizer que foi através da sua entrevista no "5 para a meia noite" na RTP2, e que revi hoje numa gravação que fiz, que percebi que a Luisa tem um Blog. Cheguei a ir a um programa que co-apresentava com o Claudio Ramos no Canal21... Mas a Luisa é um Ser que admiro muito, e tenho-a como referência profissional. Eu e a sua filha, tiramos o mesmo curso, na Arte6. Eu embora tenha feito uma pausa na representação, ela está muito bem. Tenho muito orgulho nela, e em todos os meus colegas da Arte6 que estão a vingar, finalmente.

Depois desta observação, pergunto se a saudade é um "bicho" tipicamente português, ou somos um tipo de Seres, que gosta de sofrer?

Embora veja a saudade com dois polos - como tudo na Vida alias - tem um lado menos bom e um bom.

Saudade de alguém que amamos, ou gostamos de Verdade. Porque acredito que não se tem saudade de algo que nos fez sofrer. Mas enfim. Há de tudo e para tudo.

Mas enquanto podemos respirar, movimentar o nosso corpo, pensar e sentir com alguma clarividência, estamos sempre a tempo de concretizarmos o nosso sonho. "O sonho faz pular o mundo em constante mudança". Se gosto de alguém, vou dizê-lo enquanto tenho a oportunidade de o fazer. E é tão bom dizer: "Eu Gosto de ti."

Até breve e jinhos Luisa.

Gostei muito deste momento de partilha.


De Cristina Haanwinckel a 13 de Setembro de 2009 às 12:59
Olá Sra. Luisa,

Vi esta matéria no Destak, fiquei muito emocionada pois perdi meu pai há 15 dias, fiquei muito abalada ainda mais por não poder ir ao enterro no Brasil, faz pouco mais de 1 ano que vivo em Portugal. Mas, me sinto confortada pelo anos que convivi com um pai que foi exemplar na educação dos filhos, do qual herdamos o gosto pela leitura e a boa conduta. Sinto falta dele, mas, como minha mãe que partiu mais cedo, não há um só dia que não estejam em meu coração e mente.
Obrigada pela mensagem.


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