Sexta-feira, 2 de Outubro de 2009
Madrugada a dentro

 

Se pudesse
Fechava os olhos agora e adormecia profundamente, num sono sem sobressaltos, nem remorsos, sem monstros que aparasse, de repente por detrás da cortina no quarto escuro. Um sono vazio.
E quando acordasse.
Quando acordasse para a vida a vida tinha andado para trás e eu abriria os olhos e de nada ficaria surpreendida porque os mistérios devem ser abraçados.
Seria eu outra vez mas quando era aquela jovem com medo de tudo e de todos, tudo embrulhado numa força fingida, numa bravura de coração que nunca existiu.
Acordava e olhava-me no espelho e via-me pela primeira vez. E aprendia a gostar de mim porque depois, e só hoje o sei, não terei mais a possibilidade de me olhar no espelho e dizer: olha, estás ali e não tens que pedir desculpas!
Acordava e olhava a vida de outro modo, abraçava os dias de mil maneiras diferentes.
Se pudesse, deitava-me agora, qual bela adormecida, e dormia um sono infinito.
E depois, quando os meus olhos se abrissem, abriria a alma, e deitava pela janela fora os fantasmas, as lágrimas e as desilusões.
Se eu pudesse viver tudo de novo, sabendo o que sei hoje, a infindável lista de erros, de devoções tão erradas e labirintos que afinal eram tão simples de solucionar.
Mas se tal fosse possível, os meus filhos não existiriam.
A vida tinha corrido como açúcar e nada seria aquilo que foi.
Mas, então não valeria a pena.
Nada valeria a pena sem o amor incondicional, louco e infinito que sentimos por um filho.
Portanto, não vale a pena adormeceres, digo para mim mesma, nem chamar as fadas escondidas nas árvores do céu, nem pedir aos deuses por uma segunda chance.
O que fui teve que ser. O que fiz tive que fazer e hoje os arrependimentos e tristezas misturas com as memórias mais maravilhosas, todas elas presas a eles e a mais nada da minha vida.
Nada a fazer senão tentar dormir, deitar-me na cama e amanhã acordar para uma nova busca do que vem a seguir.
Pena que ninguém me tenha tido que a demanda não terminaria nunca.
Que a paz é algo que só conhecemos depois desta existência

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publicado por Luísa Castel-Branco às 01:46
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1 comentário:
De Marcelo a 13 de Outubro de 2009 às 11:56
Antes de mais peço desculpas por deixar neste espaço minha opinião, mas não sabia onde realmente escrever... venho por meio desta deixar meu comentário acerca do texto escrito no ULTIMA HORA de 13 de Outubro, acerca de Maitê Proênça. . e desde já, como nascido no Brasil que sou (repare que não digo ser brasileiro, pois neste momento, e graças a esta senhora, sinto-me temporariamente envergonhado de sê-lo), venho pedir desculpas aos portugueses, como manda minha consciência. Nunca vou a casa de ninguém , principalmente sendo convidado, como provavelmente foi a dita, para falar mal do anfitrião. É apenas uma questão de educação, que deveria reger-se toda a humanidade. Mas como tal, encontramos mal educados em qualquer lugar do mundo, seja no meio artístico, político, etc. Apenas para finalizar, sugiro que não se preocupe muito com essa senhora, pois sua opinião não é concerteza partilhada com a maioria dos brasileiros, que quando pensam em "fazer uma vida de primeiro mundo", lembram-se logo de Portugal e EUA. Mais um aparte se me é permitido, e só para avaliar o carácter de Maitê, ela é apenas conhecida como a 2ª artista global que subiu, não pelos seus próprios pés, mas pelo seu próprio corpo (vulgo teste do sofá). Adorava saber neste momento a opinião de Miguel Sousa Tavares...


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