Quarta-feira, 2 de Dezembro de 2009
Silêncio...

 

 

Chorei-te tanto que o Tejo transbordou sem que ninguém entende-se porquê.
As colinas de Lisboa começaram a verter aguas e toda a gente a procurar as fontes, por entre os prédios, os automóveis e a calçada que veste a cidade.
Os dias ficaram baços, pesados, e as pessoas sentiram no peito a mesma dor que eu sentia, como se a pujança deste sofrimento fosse maior do que a própria mãe natureza.
Chorei-te dias a fio e depois parei.
Parei de chorar. Parei de pensar. Parei de viver.
E quando ontem te encontrei na rua, e trocamos palavras de circunstância e me disseste quão bem eu estava, o meu rosto sorriu, tenho a certeza, arredei delicadamente uma madeixa de cabelo que teimava em cobrir-me o rosto, o vento lambia-nos aos dois, conversamos sobre o vento e a chuva.
Estou segura que acreditaste que era eu que ali estava. Aliás toda a gente acredita. É absurdamente fácil fingir que estamos vivos.


publicado por Luísa Castel-Branco às 21:20
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5 comentários:
De Gabriela a 3 de Dezembro de 2009 às 19:19
Querida Luísa..emende, por favor, o entende-se para entendesse.
Ficam tão mal erros ortográficos.
Desculpe o meu comentário e não o publique.
Sou uma grande fã sua...ainda não comprei o 2º livro, mas vou faze-lo amanhã
:-)
Bom Natal


De Xekim a 7 de Dezembro de 2009 às 21:09
Olá Inês.

Sou mais um bloguista no meio de milhares.
Gostei do texto acima descrito.
Beijinhos e muita saúde.

Feliz semana.

(Se achar oportuno visite meu blog e verá quem me acompanha) quase todas guerreiras na luta contra o cancro da mama.)


De Alma Nova a 10 de Dezembro de 2009 às 16:52
É tão fácil, tão fácil... que acho que existe uma grande maioria que é assim que vai existindo mesmo sem de tal coisa se aperceber...apenas fingem que estão vivos!!!


De Fátima Bernardo a 17 de Dezembro de 2009 às 01:12
Sublime!!!!!!

Tambem já me aconteceu fingir estar viva quando esta teimava em me dizer que podia partir...

Nas adversidades da vida
Surge uma força que vem da alma
Que nos empurra e nos segura
E entre lágrimas engolidas
Vamos dando grandes sorrisos

Houve um tempo em que sorrir me parecia fácil
Hoje sorrir me parece mágico

Vou por aí
No horizonte vejo sempre a mesma imagem
A imagem da luta
Da luta diária
A imagem de um corpo diferente
Ausente de peito
Mas com um peito que é alma
Um peito que não existe
No lugar…por detrás da sua ausência
Um coração imenso
De amor
De esperança
De alegria

Mas vou por aí
Sem saber quantos dias
Quantos mais nesta ansiedade de nostalgia vestida


Da dor que outrora me cobria
Existe uma imagem no espelho que lembra a agonia

Vou por aí e sorrio como um louco
Que sem ver nada vê uma imensidão vestida de um pouco
Um pouco que é imenso

Vou por aí e vou convicta
Dentro de mim para além de tudo
Existe uma alma cheia de vida

A vida me escorregou pelos dias um dia
A notícia foi dada em Castelhano…
Que ironia logo eu que tanto a entendia
“ – que tienes un cáncer!!!!! Es grave….que vas a hacer quimo…..Ahora!!!!
E fiz com o mesmo sorriso que sempre me acompanha
Caminhei e fui por onde me levaram os meus passos cansados e cada vez mais fracos
Mas fui e fui e lutei e lutei com força
E quando a força parecia fraquejar vinha sempre mais e mais
Vinda certamente da convicção de que a vida chamava por mim

Perdi-me nessa caminhada
Confesso que no entanto sempre animada… continuava
A força chegava-me por mail,
Pelo telemóvel chegavam-me palavras de esperança

E algumas lágrimas se ouviam
E eu sorria
Não podia abrir as comportas da barragem que exista dentro do meu peito
Segurando-me segurei e sustive a esperança à minha volta
Nas explosões que o meu corpo emitia vinha a vontade de cruzar os braços
E deixar vencer a agonia
Mas NÂO! Não podia…

Fui e vou em frente… não sou a mesma…
Ou serei eu…. A de sempre acompanhada pela amiga LUTA DIÁRIA
Todos nós!!! … certo!!! Mas quem me colocou esta espada?

Só se vive uma vez
Eu renasci!
Não foi só um reset talvez até um upgrade…
E vou por aí sorrindo como um louco
Com a ânsia de viver mais um dia
Hoje dois anos decorridos
No peito vazio um medo constante de uma recaída
Mas a força necessária para sorrir todo o dia

Hoje sei que fui por aí
Do futuro
Querer continuar a ir por aí
Sorrindo de alma
Porque de alma se fazem os meus dias…


De Rute C. a 19 de Dezembro de 2009 às 00:15
Há dias que me sinto tão só mesmo estando rodeada de pessoas que me dão atenção e querem estar comigo... e eu sorrio, sorriso enquanto choro por dentro e também finjo que estou viva, mas na verdade há um sentimento de vazio em mim... Falta-me uma peça, uma enorme peça na minha vida e eu não a encontro ou há muito que já a perdi...

"Chorei-te tanto que o "Douro" transbordou sem que ninguém entende-se porquê."

E as casas na ribeira enchem-se de sombras e gemidos de dor, e os pássaros deixaram de querer voar. As pessoas andaram mudas e cabisbaixas sem saberem porque, e eu, eu caminhei, como uma objecto inanimado, programado para andar, pois por dentro há um vazio, apenas preenchido por uma imensa dor...


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