Quinta-feira, 7 de Janeiro de 2010
Manuel Luís Goucha

 

05 | 01 | 2010  
A linha que separa o humor da afronta é muito ténue. Seja esse humor dirigido a pessoas, grupos sociais ou a uma nação. Por sorte nossa, vivemos num país pequenino, e se algum cartoonista ou qualquer outro humorista decidir fazer uma rábula a Maomé, não haverá atentados à bomba e outras consequências do mesmo género. Mas a coberto da liberdade de expressão fazem-se insultos gratuitos e ainda por cima quem não acha graça é que está errado.

Vem isto a propósito do que aconteceu no programa 5 para a meia--noite, na RTP2. Se já viram o programa sabem que é um programa onde o humor se mistura com as entrevistas, e muitas vezes o resultado alcançado é bastante interessante. Mas perguntar a um jovem apresentador de televisão quem é a melhor apresentadora e apresentar-lhe três nomes, sendo um deles o de Manuel Luís Goucha, só terá graça para quem escreveu a pergunta e ninguém mais.

Se o ridículo matasse, metade deste país já tinha caído para o lado! Andam para aí todos a discutir se sim ou não ao "casamento" ou "união" dos homossexuais, e depois as mesmas pessoas tão "prá-frente", tão jovens e politicamente correctas, são aquelas que insultam quem se assume, com profunda dignidade como pertencente a essa minoria.

Eu, por mim, estou farta de tantos adolescentes pouco mais que incultos, provenientes de uma geração praticamente analfabeta, criados na arrogância de que ser jovem é poder tudo. Até insultar quem há mais de 20 anos se apresenta diariamente perante todos os portugueses, com o profissionalismo e humanidade que lhe são reconhecidos pelo grande público

in Destak 05 | 01 | 2010



publicado por Luísa Castel-Branco às 17:21
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13 comentários:
De carla a 7 de Janeiro de 2010 às 22:00
Depois de alguma hesitação não pude deixar de comentar...

Foi sem dúvida um realce merecido e especial!
É possível mostrar através da força das suas palavras o modo de sentir, pensar e viver...de muitos de nós...

Aplauso merecido para este Senhor que sempre foi discreto e respeitador!

Se alguma coisa há a esperar não é concerteza a abertura certas mentalidades da nossa sociedade!

Aproveito para desejar lhe um ano repleto de saúde e, faço votos para que continue a fazer-nos companhia tanto aqui como no Jornal Destak....que faço sempre questão de ler o de terça feira!!!!

Abraço

PS: sabe sou sua fã....há imenso tempo!


De António Jorge a 8 de Janeiro de 2010 às 09:18
Prabéns pela postagem, de facto vivemos uma crise de valores gritante e preocupante. A essa geração, que refere, eu não gostaria de chamar "geração rasca", mas que devem muito à inteligência não é menos verdade.
Este país bateu no fundo, vivemos uma grande crise de valores e atingimos um patamar tal, que ninguém respeita ninguém.
Por mim, recrutava esta espécie de gente e mandava-os plantar batatais, é para isso que eles servem!


De Rute C. a 8 de Janeiro de 2010 às 22:14
Desde pequenina que me lembro de ver o Manuel Luís Goucha, e sempre gostei dele profissionalmente, em termos pessoais não tenho conhecimento como seja, mas se se assemelhar ao que ele demonstra ser na TV, então tem todo o meu carinho e admiração.

Por isso mesmo já sai em defesa dele imensas vezes, principalmente apos ele ter assumido a sua relação com outro homem. Termos como “paneleiro”, “bicha”, ou mesmo criticarem-no profissionalmente por este ser homossexual, deixam-me num estado de raiva total.

Infelizmente a ignorância de muita gente ainda leva a certos comentários e humor insultuoso e sem graça. O que muita gente não entende, é que “graças” a isso, muitos jovens homossexuais ainda vivem fechados e a viver numa mentira que muitas vezes os levam a profundas depressões onde põem em causa a própria vida, como já pude as,sistir.

Em relação ao Manuel luís Goucha, fiquei muito feliz por finalmente se puder ter assumido, em relação à sua pessoa, ou termos profissionais de nada muda, pois acho incorrecto que alguém tenha que andar com autocolantes se é Bi, Gay ou Hetero, mas desejo apenas que ele tenha finalmente um pouco mais de liberdade, onde não tem que esconder o seu companheiro nem ter medo de ser julgado, mas principalmente que seja feliz ao lado de quem quiser.

Pessoas ignorantes, ou homofóbicas, há-se sempre haver, mas fico sempre com esperança que com o passar do tempo as coisas mudem…


De jonasnuts a 12 de Janeiro de 2010 às 09:21
Este post está em destaque na Homepage do SAPO, tab "TV".


De Paula a 12 de Janeiro de 2010 às 10:48
Faço minhas as suas palavras!!! Tenho dito!!!!


De 25abrilsempre a 12 de Janeiro de 2010 às 11:05
Cem por cento de acordo. Espero que esta opinião tão acertada não se fique só por este caso mas que se estenda a outros insultos que se ouvem nas ruas aquando das "manif's" das forças "progressistas".


De Jorge a 12 de Janeiro de 2010 às 13:43
D Luisa,

desde sempre apreciei deveras o seu excelente trabalho, a todos os níveis, mas depois deste seu artigo simplesmente EXTRAORDINÁRIO só me ocorre felicitá-la vivamente.

ABRAÇO



De Sara Ferreira a 12 de Janeiro de 2010 às 13:58
Cara Luisa Castel-Branco. A "geração praticamente analfabeta" de que fala, que gerou adolescentes pouco mais que incultos, é a sua. Não deveria cuspir para o ar. Esmiuçando as suas palavras, a sua geração é que produziu a geração de pais que, por sua vez, produziu esses adolescentes pouco mais que incultos. E se bem me lembro, a sua geração era muito mais inculta e intolerante que a actual. Eu, que tenho 35 anos e já estou a produzir a próxima geração de adolescentes, não me senti nada chocada com a brincadeira. Porque não passou disso, uma brincadeira. Foi o Manuel Luis Goucha porque ele saiu do armário. Os outros, que não se assumem, talvez tivessem razão para se sentirem ofendidos. E a brincadeira teria passado despercebida caso não fosse alvo de tanto "choque". Como apresentador e profissional que acredito que seja por trás das camaras , aprecio muito o Sr. Goucha. Mas acho que caiu em desgraça ao ofender-se com a liberdade de expressão que pauta as sociedades desenvolvidas. Quem anda à chuva molha-se e se o silêncio tivesse imperado, e não saísse do armário (que eu até elogio), não seria alvo fácil para este tipo de chalaças.
Bem haja


De Marta Andrade a 3 de Fevereiro de 2010 às 10:59
Sara Ferreira disse: "Quem anda à chuva molha-se e se o silêncio tivesse imperado, e não saísse do armário (que eu até elogio), não seria alvo fácil para este tipo de chalaças."
Cara Sara, este seu último parágrafo diz tudo sobre si. Que é preconceituosa. Que, para si, as pessoas podem ser como elas querem desde que não saiam do armário. Desde que se calem. Pois, se tiverem a audácia de se apresentarem como são, de não terem problemas em se assumirem, aí, coitadinhos, ficam à mercê de gente como você que, sob a capa da permissividade, humor e liberdade de expressão, não passa de um bando de preconceituosos sem capacidade nem coragem de se mostrarem como são, a todos os níveis.
Muitos parabéns à Luísa Castel-Branco pelas suas palavras. Como se diz e muito bem, a minha liberdade termina quando começa a dos outros. Ofender por dá cá aquela palha é próprio dos pobres de espírito.
Marta Andrade


De Marta Estácio da Veiga a 15 de Janeiro de 2010 às 00:21
Gosto muita da Filomena Cautela mas não estava nada à espera deste tipo de brincadeira por parte dela que até me parece uma menina com a cabeça no lugar. E por menos intencional que fosse, só lhe ficava bem um pedido de desculpas ao senhor que tem idade para ser pai dela. A meu ver, daria assim e com luva branca, uma tremenda bofetada nas tantas mentes preconceituosas deste país...mas que agora como está na moda até não o são. Agora somos todos tolerantes, não é verdade? É fashion!


De vanessa a 18 de Janeiro de 2010 às 15:45
Olá Luísa
Pela primeira vez decidi ler um dos seus livros, e estava na prateleira: "Não digas a ninguém". Li-o durante uma semana, é um record tenho a dizer-lhe... simplesmente adorei!!!

Ao longo dos dias que o ía lendo, só pensava nos próximos capitulos. Adorei a sua forma de escrever e descrever tudo sobre as personagens e como o fez com alteraçoes do tempo entre o passado e o presente, sem ser muito massacrante para quem lê.

Adoro ler todo o tipo de historias, sejam pequenos ou volumosos livros.... mas tenho-lhe a dizer que adorei principalment a sua forma de descrever as personagens/ locais sem ser demasiado cansativo (como se passa em muitos livros) e, também a mensagem transmitiu com este livro, o amor é mesmo uma das melhores coisas na nossa vida, nao haja duvida.

Obrigado por partilhar conosco (leitores) a sua forma de ser e escrever e, principalment a sua forma de pensar

Cumprimentos


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