Quarta-feira, 5 de Maio de 2010
Um dia de cada vez 03

 Em tempos tinham caminhado pela cidade de mãos dadas, sem vergonhas, sem pudor. Ele roubava-lhe beijos rápidos, mas que tinham o tamanho do Mundo. Em tempos tinham rido de coisas pequenas, eram dias plenos de satisfação e encantamento. Um encantamento que se propagava às coisas que os rodeavam, os objectos e as outras pessoas diziam: aqueles dois são felizes. Em tempos o tempo não chegava para se amarem. As obrigações dos dias eram espaços roubados ao tempo que só a eles pertencia. Depois, quando veio o primeiro filho, foi o espanto que partilharam a dois que os mais marcaria. Vê-lo crescer todos os dias e todos os dias descobrir algo de maravilhoso. E de repente os dias soltaram-se, os anos voaram, outros filhos vieram, outros desafios e, quando deram por eles, já só tinham as memórias saudosas, tristes, embaciadas, dessa paixão que um dia fora só deles. Agora viviam um dia de cada vez, dias cheios de turbulência, problemas e desgastes. Dias em que, cada um para seu lado, ainda relembrava quem tinham sido há tanto, tanto tempo. Mas era isto a vida, não era? A realidade pesava-lhes sobre os ombros e já não havia mais noites à janela a contar as estrelas e a olhar com espanto os telhados da cidade.

 

In Destak 4.4.10



publicado por Luísa Castel-Branco às 10:42
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5 comentários:
De sentimentos a 6 de Maio de 2010 às 16:09
Que pena...
Pena que esses momentos passem, mesmo quando achamos que connosco vai ser diferente, que não somos assim, que não vamos deixar que a vida se nos acomode.
Que não vamos deixar de beijar, de amar com todo o fervor de antigamente, de sentir a saudade de um sabor, de um cheiro, de um minuto ausente.
Que pena, as lágrimas caem-me pelo rosto de tristeza, de revolta, de mágoa por não ter sido diferente.
E por ter chegado a esta pasmaceira que é a vida sem sentido, sentido só mesmo os nossos filhos, que um dia também voarão e nós ficaremos ainda mais sem sentido do que hoje...
Choro de saudade desses beijos do tamanho do mundo.
Um beijo. Maria


De Diogo a 11 de Maio de 2010 às 10:54
Ó minha grande atrasada! Publica aqui a crónica de hoje do destak, e aceita os comentários todos que te fizerem! Desgraçadinha e imbecil és tu sua atrasada mental! Lá porque não gostas, não critiques os outros que gostam. Havias de ter ido ao marquês apresentar a tua crónica, queria ver a tua coragem de falar em frente aos 'desgraçadinhos e imbecis', em vez de te esconderes atrás duma crónica de jornal.


De Maria a 19 de Maio de 2010 às 10:30
Sem palavras para este imbecil...realmente.
Um beijo Luisa.


De Catarina a 11 de Maio de 2010 às 17:52
Boa tarde:) Gostei muito do seu blogue.
Deixo convite para visitar a minha casa

Um beijinho


De Manuela Santos a 23 de Junho de 2010 às 16:21
Todos necessitamos de quando em vez, parar um momento para reflectir, respirar fundo, expirar; limpar más memórias, acreditar na nossa força; não vender a alma, sentir que não temos preço; pousar no ombro de alguém que entenda isto e nos atribua o justo valor.

Nós somos sempre, nós e os outros.

Onde quer que estejamos, seja qual for o estado do nosso espírito, mesmo quando isolados ou emocionalmente sós,

Ainda assim, somos nós e os outros.

A consciência do Eu surge num momento do processo de crescimento e aprendizagem, quando já sabemos falar e dizer o que queremos para nos mantermos vivos. Choramos porque dói, temos frio, fome, ou desconforto; rimos porque estamos felizes ou somos afagados, reagimos aos estímulos. No entanto desconhecemos as causas e não nos interrogamos sobre elas, porque o Ego ainda não foi accionado e Eu não sei que existo. Nesta 1ª fase sabemos que dependemos dos Outros e temos a intuição da sua real existência.

Mais adiante, muito mais adiante, …o Ego impõe-se, viramo-nos para dentro e sem qualquer equilíbrio os outros são de menos importância, existem na medida do nosso bem-estar, ou simplesmente não existem.

Ou então…outra versão… são o Tudo, o valor mais alto, a razão da nossa existência; a razão do nosso Eu amarfanhado e encolhido à grandeza que conferimos ao Outro.

Tudo é ilusão.

O Universo é maior. Ou mais pequeno.

Nós estamos onde o infinitamente grande se cruza com o infinitamente pequeno.

Daí ser difícil distinguir entre nós e os outros.

Visto de fora estamos misturados, não há diferenças.



Beijos com muito amor, porque o «amor é real».


Eu, na personagem de mãe.



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