Terça-feira, 6 de Julho de 2010
Um outro amor de mãe

Queria tanto abraçá-la, aninhá-la no seu colo como quando era criança e lamber-lhe o rosto com beijos molhados, beijos que escondiam lágrimas, que fingiam que a tristeza não estava ali.

Ou então, bastava-lhe que ela se sentasse e conversasse uns minutos apenas, o suficiente para sentir que fazia parte da sua vida, daquela menina que continuava a ser para o seu coração de mãe. Os filhos nunca crescem. Nunca são adultos suficientes que não necessitem do amor incondicional de uma mãe.
Mas não sabia que fazer perante aquele silêncio, um silêncio que nascera com ela e que ela mantinha como se de um muro se tratasse, um muro alto e impenetrável.

Claro que sabia o quanto ela a amava. Mas não era suficiente, não era nada do que sonhara, quando nascera tivera finalmente uma rapariga e vira a vida toda na sua frente. As duas de mãos dadas, as duas a discordarem em muito mas sempre as duas como se fossem só uma.

A realidade, como sempre, trouxera outras vidas à vida. Sentia-se tão isolada da vida daquela que era uma parte do seu corpo, como se fosse uma estrangeira em demanda de algo que não sabe sequer o que é.

Mas ela sabia exactamente o que procurava. Um pouco de intimidade, um pedaço de partilha de esperanças e tristezas, o seu ombro vazio porque ela não o escolhia para se encostar, na felicidade como na tristeza.

O amor de mãe também é isto. Anularmo-nos, desaparecermos como uma névoa e só falarmos quando for indispensável. Com cuidado.
Ninguém disse que ia ser fácil.

in Destak 05 | 07 | 2010 

 



publicado por Luísa Castel-Branco às 14:09
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1 comentário:
De Rosa Mar a 11 de Setembro de 2010 às 23:46
Que triste este texto!!!!


O tempo cura todas as feridas!!!!!

A vida continua... cada amanhecer traz o esplendor de um novo dia....


lute....sorria... e jamais desista de ser FELIZ


Beijinho de Luz
Rosa Mar


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