Terça-feira, 20 de Setembro de 2011
OLÁ A TODOS! ESTOU DE VOLTA AO MUNDO DOS VIVOS!

Desculpem-me a tão longa ausência mas foi por uma boa causa. E pronto! mal acabo a frase percebo a incorrecção da mesma. Quem dirá se foi ou não por uma boa causa serão os leitores do meu novo romance. E cada um terá a sua verdade.

Por mim foi pura incapacidade física em escrever outra cousa que não desenrolar do meu romance.

Este meu novo livro é um caso estranho, mesmo para mim que sou em tudo estranha e fora dos parâmetros da normalidade.

Comecei a escrever-lo há mais de uma ano e depois parei. Não era capaz de contar aquela história. Não queria contar aquela historia, aquelas vidas.

Mas não funciona assim. Pelo  menos comigo.

Atirei-me de cabeça a outro romance do qual escrevi mais de cento e cinquenta páginas e contudo, a minha cabeça, as minhas noites e os meus dias eram de uma enorme confusão e frustração.

O meu processo de escrita é uma forma estranha de estar viva, de acordar de manha e percorrer as horas.

O meu editor acalma-me sempre dizendo-me que cada escritor tem a sua própria forma de actuar.

E um dia, a minha querida Rosa Lobato Faria deu-me a maior ajuda possivel quando eu estava perdida a escrever a minha "Alma e os Mistérios da Vida" e ela me sossegou dizendo que fizesse como sentia que o tinha que fazer e nada mais.

E contudo, eu sei como se deve fazer. Li livros e mais livros sobre escrita criativa, cheguei a frequentar umas aulas que tive de desistir para ir trabalhar num novo projecto, enfim, as bases do que é correcto estão lá, na minha consciência,

Mas nada se passa assim.

De repente, uma cor, um som, um perfume, qualquer coisa ridícula traz até mim divagações. Apenas isso. E então começa o processo.

Tenho que estar ocupada a fazer seja o que for, senão não acontece esse estranho transe em que o meu subconsciente vive a par do consciente.

Pouco a pouco ELAS começam a surgir. Como fantasmas, como intrusos, nunca por convite.

ELAS, as personagens, começam uma dança na minha cabeça preenchida por diálogos, situações, pequenos apontamentos.

E é assim,  dia após dia, noite após noite.

Muitas vezes estou no meio de uma conversa e sinto perfeitamente que deixo de estar ali. O meu cérebro responde automaticamente aos outros mas o que é mais verdadeiro dentro de mim está a assistir a uma conversa entre as personagens, a um pormenor que de repente me ocupa toda a atenção.

E isto corre durante meses. Muitas vezes quando acordo de manhã estou exausta. Tanta coisa que aconteceu durante a noite!

Quando finalmente me sento ao computador, não sem antes ter tentado escrevinhar num papel os nomes, locais, momentos mais importantes, é como se alguém que não eu me possuísse,  tomasse conta do meu corpo e os dedos correm no teclado, marcando as teclas sem parar, até as dores me obrigarem a tomar um comprimido para poder retomar a faina.

 

 

Este novo romance esteve a crescer dentro de mim durante muito tempo. Escrevi desenfreadamente durante meses e depois parei. Não queria contar aquela trama, não queria continuar dia após dia a viver aquelas vidas.

Passado mais de seis meses desisti. Dei-me como derrotada e voltei á historia e acabei-a.

 

Cada vez acredito mais numa frase que li não sei onde e que dizia "É a narrativa que encontra o narrador e não o inverso".

 

As minhas personagens são os fantasmas que me enchem a cabeça, o corpo, os dias e as noites e a casa.

Meu Deus! A minha casa está um caos!

Ao longo de todo o tempo em que escrevo começo inúmeros projectos que me ocupem as mãos, porque não as consigo ter quietas.

E depois fica este desnorte de desarumação, desordem e caos.

 

Agora vou entrar na parte difícil de revisão do texto. É como olhar e ler e cheirar algo desconhecido mas que sei de cor e salteado.

"Quem foi que escreveu isto?

 

A editora ficou muito entusiasmada com o novo romance.

E eu também me senti entusiasmada por ter conseguido acabar a historia e dar descanso as almas que queriam nascer,viver,morrer.

Mas como sempre, é sol de pouca dura.

Este fim de semana estive a ler a pré publicação do próximo romance de Lobo Antunes.

Fico do tamanho de um alfinete!

O génio deste homem fascina-me.

Eu sou apenas uma relatora de historias que vêem não sei de onde.

 

 

Porém, o publico tem tido a amabilidade de gostar dos meus livros. E cada vez que alguém vem falar comigo no meio da rua, ou me envia um email e diz como as minhas palavras o tocaram, só posso agradecer com humildade.

Porque mais não mereço.

 



publicado por Luísa Castel-Branco às 16:33
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4 comentários:
De Luís Carlos a 23 de Setembro de 2011 às 10:59
Olá Luísa! Permita-me que a trate assim... Queria dizer-lhe umas breves palavras sobre a sua "Alma" mas em apenas uma julgo que direi tudo: Obrigado!
De uma forma tão simples e por isso tão bonita conseguiu dar a quem leu o seu livro uma imagem tão real do nosso Portugal de outrora (que ainda guarda alguns resquícios desse tempo), das dificuldades da vida que as gentes da província viam em dobro e mostrar que ser especial é ser quem somos. A "Alma" deu-me o brilho da arte nos sons da música que a inebriou, a capacidade de não guardar rancor, o romance na vida que a alcançou (como um dia a todos nós alcança), a sensibilidade, o amor de uma Mãe que sem esperar sê-lo o foi com entrega plena... deu-me ainda as lágrimas que correram por minha face num misto de felicidade, tristeza e uma confusão de sentimentos que só alguém bafejado pela paixão pelo que faz é capaz de transmitir em palavras... Por tudo o que senti ao ler as palavras que escreveu, pelo prazer enorme que me deu ao ler dos melhores livros que já li (e já li algumas centenas), obrigado Luísa.
Cumprimentos
Luís Carlos


De ana silva a 25 de Setembro de 2011 às 14:18
ola luisa o meu nome é ana sou da zona centro de portugal bombarral ), mas estou a viver em wien na austria a 6 anos, fiz anos a semana passada e a minha mae mandou me como presente o seu livro.
nunca li nada seu só a conheco como apresentadora de tv
e estava um pouco ansiosa por ler o livro Alma e os misterios da vida .
só posso dizer que adorei amei ,gosto muito de comecar a ler um livro e ficar presa a ele e querer o ler em todos os bocadinhos livres que tenho li-o em 4 dias.
continue a escrever um grande beijinho de uma nova admiradora. ana luisa silva


De Sentido por Pensamentos ao Acaso... a 30 de Setembro de 2011 às 14:14
Olá Luísa
Os seus livros são uma lufada de ar fresco para os meus dias, anseio sempre pelo próximo.
Sua fã
Sandra Melo


De Sandra Campos a 5 de Novembro de 2011 às 22:20
Luísa, li os seus livros anteriores e estou ansiosa para ler esse novo. Gosto muito da sua escrita e das suas histórias. Sou sua fã :) muitas felicidades para uma pessoa muito especial, beijinho e abraço
Sandra


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