Quarta-feira, 25 de Janeiro de 2012
Dizer adeus
Tenho um buraco onde antes estava o meu coração e o corpo,

esse, de tão moída pela dor assemelha-se mais a um monte de farrapos caído no
chão. Os olhos de tanto chorar sumiram-se e deram lugar a duas
névoas sem vida.

Queria gritar e não consigo. Queria fugir e não tenho para onde. Queria pedir ajuda, mas como ajudar quem se maltrata?

Mesmo quando tememos que um dia haja um fim, nunca estamos
preparados para esta dor tão monstruosa.

E de repente, todas as boas recordações desaparecem, todos
os encantos partilhados, os perfumes saboreados, tudo deixa de ter existência.

Fica apenas a raiva, mas uma raiva surda, apática. Como se sempre soubéssemos que ia terminar assim, como se
tivéssemos chegado junto do abismo, só para descobrir que já ali estávamos há
tanto, tanto tempo, num equilíbrio instável.

Ah! Esta dor que não se mede, não se vê, mas que se agarra à
pele de tal forma que não desaparecera nunca mais! E ao nosso redor nada mais do que o silêncio, um silêncio
pesado e prenhe de sons.

Houve tempos em que fomos só um, recordas-te? Houve tempos em que o amor era suficiente.

De que vale a pena pensar nisso? Queria fechar os olhos e adormecer, num sono profundo que me
trouxesse o esquecimento.

Em vez disso sobram os dias e a obrigação de colocar a
mascara e fingir que está tudo bem. Dizer Adeus é morrer por dentro.

 

In Destak 16 | 01 | 2012

 



publicado por Luísa Castel-Branco às 22:43
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7 comentários:
De . margarida . a 29 de Janeiro de 2012 às 23:14
Queria tanto acreditar que tinha escrito uma « história ».
Temo que seja mesmo a « sua » história.
E pouco tenho a dizer.
Excepto que é fundamental viver um GRANDE amor na vida.
E que seja eterno enquanto dura.
Poderia...quase, ser sua filha,gosto imenso de si,i.e,aquilo que dá a conhecer de si.
Amanhã o sol voltará a brilhar.

um beijinho . margarida .


De ERA UMA VEZ a 1 de Fevereiro de 2012 às 12:45
Olá Luisa

O princípio do ano levou-me a minha mãe e tenho tido pouca vontade de passar pelos meus blogues de sempre.

Ontem fiz de novo esta viagem e percebi que continua mal.
Aquilo que há uns tempos parecia um estado depressivo...parece agora um desgosto com razão, nome, fundamento e cheiro.

Posso estar enganada...mas os sinais estão lá todos.
Não adianta muito que todos lhe digam que vai ter de superar. Todos o fazem com a melhor das intenções, é evidente.
Mas o coração é seu, o vazio é seu, o tempo também.

A mulher de força que conhecemos há-de cansar-se de sofrer e encontrar, dentro ou fora de si mesma "as razões" que precisa para trepar até ao cimo e gritar de novo lá do alto:

ATENÇÃO PESSOAL: Ó pra mim aqui!!! Vamos a isto!

Julgo conhece-la. Ou talvez não.
Se precisar de conversar, de limpar a alma, de chorar ou de rir...basta um estalar de dedos, um sinal...

Ontem numa agenda antiga, encontrei o seu telefone e lembrei a tarde em que ficámos desalmadamente a falar as duas...sobre nós e sobre os nossos meninos.

Rezo para que saibamos encontrar a paz que precisamos para juntar à saudade que sentimos.
Força .

E um abraço. Tamanho XXXXXL




De fatima antonio a 1 de Fevereiro de 2012 às 17:25
Será sempre uma forma de começar de novo, uma opurtunidade para reviver e não um precauso.
Beijinhos


De Sabdra Campos a 7 de Fevereiro de 2012 às 00:18
Luísa, deixou-me triste ler esse seu último post... senti a sua tristeza como sendo a minha tristeza... o que é que alguém como eu pode dizer que ajude alguém como a Luísa? Sou sua grande fã, adoro lê-la, como eu muitas pessoas. Pense em nós e em quanto nos inspira... pense na dor que sentiu quando o seu filho foi atropelado... pense que atrás duma grande tristeza vem uma alegria. Não deixe que o vazio leve a melhor :)
Um abraço amigo


De João a 18 de Maio de 2012 às 11:44
Fiquei tão tocado...vi-me tão reflectido...
Muitas vezes penso nas últimas palavras do coronel Kurtz no filme Apocalypse Now: "Horrour...horrour..."


De João a 29 de Maio de 2012 às 17:15
Dolorosamente bem escrito...


De João a 30 de Maio de 2012 às 11:56
Dolorosamente belo...


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