Domingo, 9 de Setembro de 2007
Domingo à tarde
Acabo de ler os vossos comentários, e  de imediato me refugio neste cantinho seguro e doce que arranjei para mim, onde encontro paz e me afasto dos problemas para ficarmos apenas eu deste lado e todos vocês que surpreendentemente encontram tempo e paciência para aqui deixarei também as vossas palavras.
Veio-me à cabeça um presente que recebi há muitos anos, no meio de mais uma crise existencial, por mão amiga, o livro “Amor e Encantamento” de Alberoni .
Lá dentro, num pedaço de papel, vinham estas palavras: “É bom sabermos que não somos um bicho diferente dos outros”.
Apenas isto e nunca mais me esqueci. Li o livro e percebi que estava a embalar-me a mim mesma na necessidade de me rever nos olhos do outro, e que nada daquilo tinha a ver com amor ou paixão.
É realmente importante sentirmos que pertencemos a um grupo, ainda que de gente que desconhecemos, e que partilhamos os medos, as inseguranças e esta espécie de expectativa que nos mantém vivos, mas ao mesmo tempo nos desgasta profundamente.
Não imaginam como para mim é estranho, fascinante e já não assustador este mundo virtual.
Quando eu era jovem, tínhamos os nossos pen friends ”. Era uma excitação escrever a alguém que vivia num outro pais e trocar palavras e realidades.
Mas mesmo ai, ou antes já ai, eu era demasiadamente estranha para que este tipo de intercâmbio me mantivesse interessada por muito tempo.
Ai está mais um dos meus defeitos. Perco o interesse por tudo, começo vários projectos ao mesmo tempo e assim que consigo concretizá-los deixo de ter vontade de prosseguir.
É como se cada dia devesse apresentar um desafio novo!
Pensei que com a idade passasse mas não. Continuo ávida de descobertas e ao mesmo tempo apática e sem vontade de me mexer.
Mas voltando ao mundo virtual, a este ritual de ligar o computador e ler o que me escreveram e responder de volta, não sei como vos poderei agradecer por estes momentos de paz.
O mundo parece que está a ruir à minha volta, e sei que sou cobarde, que são as fases normais da vida, mas hoje em dia, apenas aqui convosco consigo ser eu, sem ter de representar ou fingir as forças que não tenho mas que os que amo necessitam .
A todos os meus novos amigos, um grande abraço. Infelizmente para mim, as vossas palavras não correspondem à pessoa que sou. Mas, o dedicarem-me uns minutos das vossas vidas, é o melhor carinho que posso imaginar, a seguir aos beijos e abraços da minha neta, claro! (gostava de saber inserir aqui um daqueles bonecos a sorrirem, mas não sei. Fica a intenção.)
 


publicado por Luísa Castel-Branco às 16:22
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5 comentários:
De João Cordeiro a 10 de Setembro de 2007 às 17:45
Pena que não tenha colocado o boneco. Mas, pode fazê-lo de forma fácil :-)

Obrigado pela partilha de vida e principalmente pela dávida de sentimentos.


O sonhadoremfulltime



De marta casal a 11 de Setembro de 2007 às 10:49
Olá Luísa,
Obrigada por partilhar connosco os seus sentimentos.
Nunca perca o sorriso!!! Infelizmente na vida vivemos muitos momentos maus e cabe-nos dar a volta da melhor forma. Espero quando cá voltar o seu post seja diferente e acima de tudo esteja feliz.
Bjs


De Patrícia a 11 de Setembro de 2007 às 18:57
Embora só tenha 25 anos já tive de perceber o que é a "vida real", os meus grandes problemas nunca foram " se aquele rapaz gosta de mim" , ou "que roupa usar numa festa" ... aquilo que é negativo tento encarar como um obstáculo que mais tarde vou perceber que me fez ser o que sou e que há algo melhor reservado para todos nós. Nunca desisti nem vou desistir e espero que faça o mesmo. Acho-a uma mulher fascinante, identifico-me com muito do que escreve e sem a conhecer pessoalmente consigo ter por si um sentimento de amizade, admiração , fascínio etc
Acho que nem lhe passa pela cabeça a grandiosidade que tem mas também entendo o porquê de achar isso e muito sinceramente ainda gosto mais de si por isso. Muitos beijinhos


De dolce_vita a 12 de Setembro de 2007 às 21:25
Olá Luísa
Para mim já se tornou uma necessidade ler pedaços de si,sei que entende que não é querer bisbilhotar, mas sorver a sua sabedoria e senti-la mais uma, das tantas mulheres que escrevem sobre si, os seus medos,os seus receios tristezas e alegrias...enfim dar-se aos outros e dizer que tem os mesmos problemas de todos os outros. Frágil e forte.
Seja feliz
RS


De arco íris a 12 de Setembro de 2007 às 22:29
Olá Luísa, delicioso como sempre poder ler os seus textos e sentir que felizmente estamos todos aqui, é que hoje na minha visita diaria ao hospital, na cama ao lado da minha mae estava como sempre, a senhora da nossa idade, em agonia, se eu pudesse, ter-lhe-ia acabado com o sofrimento. Ao sair pensei, que lamechas que nós somos, que conseguimos levantar-nos, comer pela nossa mão, fumar um cigarro, ir às compras e ao cabeleireiro, brincar com os netos, e a senhora da cama ao lado da minha mãe, que tem a nossa idade, nunca mais o poderá fazer... Beijo Grande.


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