Terça-feira, 25 de Setembro de 2007
«Fazer renda...»

Felizmente que somos livres de gostar ou não do que lemos, e de quem o escreve. Pessoalmente, sei que me arrisco mais por escrever sobre sentimentos, estados de alma, se quiserem, em vez de falar sobre a actualidade. É bem mais fácil resguardar-me por detrás do aumento alucinante do endividamento das famílias portuguesas, da falência do sistema de segurança social, da qualidade ou falta de qualidade do sistema de ensino ou de saúde, etc. Quem lê, pode ou não concordar, mas estamos a falar de coisas concretas.

Para alguns leitores do Destak , a minha escrita é uma perda de tempo. Outros leitores respondem-lhes e toda esta troca de opiniões é estimulante. Mas a razão deste texto é o comentário que é hoje o título desta crónica. Fosse eu um homem e o que me mandaria o RIMTIMTIM (?) fazer? Que tipo de insultos se podem atirar à cara ou à escrita masculina? - Vai ver futebol? Não, isso só abona em favor deles... - Vai às "meninas"? Homem que é homem assim o faz, sejam as ditas "meninas" quem forem...

Não me recordo de um único insulto que se possa dar a um macho que não seja sobre as mulheres da sua vida! Já repararam bem? O que tira qualquer homem do sério está sempre ligado à dignidade da esposa, mãe, irmã, ou filha. Querem maior machismo do que isto? E ainda me perguntam porque sou femininista!

Quanto aos leitores que se sentem incomodados com a minha prosa, estejam descansados que eu não me incomodo nada. Cheguei aos 53 anos e é-me totalmente indiferente o que os outros pensam. Vou continuar a escrever sobre sentimentos. Se não gostam, virem a página!

Publicado in Destak


publicado por Luísa Castel-Branco às 09:10
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14 comentários:
De Luar_Amigo a 25 de Setembro de 2007 às 10:04
Olá Menina Luísa. Certamente que não irei virar página alguma sempre que expressar a sua opinião, seja em página de jornal, revista ou outra qualquer.
No que diz respeito ao machismo, segundo me diz a pouca experiência da vida, em muitos homens da actualidade, isso pode assumir várias vertentes e, uma delas, pode ser a de para esconder o seu verdadeiro "Eu", isto é, se me entende...


Continue a expressar a sua opinião neste país democrático, pois cá estarei eu para a ler atentamente.

Bjnhs :)


De Koshdukai a 25 de Setembro de 2007 às 10:36
Realmente, agora que penso no assunto, mesmo os insultos que não referem entes queridos do sexo feminino, acabam sempre por rondar à volta do sexo, ou seja, da masculinidade do visado... o que, indirectamente (ou talvez não), acaba também por estar ligado ao referido machismo :)


...isto há coisas.


(E por mais que me esforce agora, não me consigo lembrar nenhum insulto fora deste âmbito... mas deve haver alguns, não!? ...de certeza que devem existir!)


De angel a 25 de Setembro de 2007 às 16:45
Adorei o final...eu não viro a página...quem fala assim não merece castigo..hehe..

Sabe eu acho que os homens não conseguem ter a mesma capacidade..e facilidade de falar de sentimentos...
Dizem eles-"isso é coisas mesmo de meninas"...

Uma óptima semana


De João Cordeiro a 25 de Setembro de 2007 às 18:31
Cara Luisa
Com 53 anos está na fase da vida em que nem sequer interessa os que os outros pensam de nós.
Perfeitamente de acordo. Eu com 48 tenho já a mesma filosofia. Escrevo e sempre escrevi e continuarei a escrever sobre sentimentos. Aliás a própria vida é um sentimento de nós...
Parabéns pela crónica que já tinha lido no DESTAK.
Até sempre


De Maria a 27 de Setembro de 2007 às 14:19
Bom dia,

Permitam-me o seguinte comentário: mal de nós quando já não nos interessar o que os outros pensam de nós! tenho 45 anos e não é a 1ª vez (nem será a última) que digo"não me interessa o que pensam de mim"; mas a realidade é que me interessa! Se pensam bem de mim, fico satisfeita, motivada e às vezes até orgulhosa porque, temos de viver em sociedade e é esta sociedade que, correcta ou incorrectamente, nos julga, nos abre e fecha portas, etc., etc . Quando pensam mal de mim, fico aborrecida e quase sempre irritada porque, efectivamente, lá terei os meus defeitos mas também tenho algumas virtudes.
O que me parece é que a vida e os aninhos que vamos ganhando ensinam-nos que tudo vale o que vale e temos é de tentar perceber o que nos merece alguma atenção, muita atenção, pouca ou nenhuma, mesmo quando se trata de um pensamento menos gratificante sobre a nossa pessoa. Precisamente por causa de alguns desses pensamentos menos calorosos, tenho corrigido algumas atitudes pessoais que compreendi (não aos 20 mas depois dos 40) serem prejudiciais ao meu próprio bem estar diário. Mas é claro que compreendo que pessoas com sucesso e mérito próprio, cujas caras conhecemos e vemos em revistas, jornais, na tv e em outros meios de comunicação, estão mais expostas à crítica destrutiva dos "pobres de espírito", aos pensamentos invejosos e por aí fora e, às tantas, desabafem que já não lhes interessa o que os outros pensam de si.

Mas agora pergunto eu e não ficam a "remoer"? Julgo que sim, umas vezes mais, outras vezes menos; acho que dependerá de quanto valorizamos esse tal pensamento e é aqui que entra a sabedoria e inteligência de cada um.

Grata a esta GRANDE SENHORA, com tão GRANDE VALOR e "SEM PAPAS NA LÍNGUA", por permitir todos estes nossos comentários, mesmo sabendo que alguns deles não lhe serão favoráveis. Mostra isso também a sua INTELIGÊNCIA, SABEDORIA e SENSIBILIDADE.

Margarida






De Patrícia a 25 de Setembro de 2007 às 19:22
Se não gostassem não andavam semper á procura para criticar. Aliás criticar é a única coisa que também conseguem fazer porque nem se quer são criativos para fazer algo apenas para falar dos outros.
Eu gosto e muito e sinceramente eles também se não nem se quer saberiam do que se trata...


De Nanda a 25 de Setembro de 2007 às 19:46
Cara Luísa, num mundo doentio como o nosso, onde todos se atropelam na ânsia de chegar mais alto, de ter mais e melhor, de superar os bens materiais ( e só estes), é bom que alguém apele ao sentimento e chame a atenção para os pequenos grandes valores tão esquecidos. E concordo consigo, mal grado toda a evoluçãoos homens continuam machistas embora, sem o conseguirem, tentem disfarçar.


De zelite a 26 de Setembro de 2007 às 00:00
tenho o privilégio de trabalhar maioritariamente com homens. E penso que a capa de machismo esconde muitas vezes insegurança, por isso rapidamente um insulto é dirigido para o um elemento exterior e na lógica masculina, mais fraco (a mulher, a mãe, a irmã).
Tendo em conta que tudo na nossa vida gira em volta de sentimentos, dos mais básicos como cobiçar o carro novo do vizinho, até aos mais complexos como amar alguém, não percebo porque é que algumas pessoas ficam afectadas quando se fala em sentimentos. A única justificação é o desconforto que certas palavras às vezes nos causam.
E termino a minha intervenção com um agradecimento à Luísa por dizer aquilo que pensa e por nos fazer também pensar. Se assim não fosse as suas crónicas perdiam todo o interesse.


De Anónimo a 26 de Setembro de 2007 às 00:17
" Tenho dito! "...
É por estas e por outras que tenho tanta empatia por si. Não a conheço , não me conhece...mas há sempre um sexto sentido (feminino ou não) que me leva a gostar de certas e determinadas pessoas. O homem tem como seu aliado , anos de masculinidade deturpada. A mulher, por sua vez, carrega anos de analfabetização , luta por direitos e utopias ainda por cumprir. O que me admira em nós, mulheres, é a capacidade de autogestão e a rapidez com que conseguimos equiparar-nos ou superar aos homens.
Carla *


De Paulo Cardoso a 26 de Setembro de 2007 às 10:33
Fale de sentimentos sim,sem eles a vida não tem sentido.Será que ninguém vê isso?Ou será que o importante é o Mercedes ,o Bmw,a casa á beira mar,o telemóvel topo de gama,o restaurante caro e chic,o fato do Rosa e Teixeira,a mulher bonita,?Que importa ter tudo isso e não ser feliz.Ou ter uma felicidade comprada como muitos?Vivemos num país de aparências sem sentimentos.O machismo dos homens continua mas creio que já foi pior,a mulher evoluíu mais que os homens,algumas realmente cairam também no exagero.Mas apesar de tudo a mulher continua a ser muito mais inteligente do que o Homem eles é que não acreditam nisso,é fisiológico.Abraço.


De Luisa a 26 de Setembro de 2007 às 17:13
Olá Luisa, descobri o seu blog através da crónica - Quantas de nós fazemos aquilo que sonhamos um dia?... Que me deixou a pensar e com a certeza de que no próximo momento de calma e serenidade vou pegar numa caneta e num papel... A seguir vim até aqui e li coisas maravilhosas, em especial o post "Sintra dos meus olhos" e "sorriso perdido". Ainda não li tudo, mas vou voltarei com certeza.
Beijinhos
Luisa Neves


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