Quarta-feira, 7 de Abril de 2010
Nós merecemos

Vou cobrir a nossa cama de pétalas, encher as jarras de folhas de hera, a caírem pelos móveis, como se um jardim encantado tivesse tomado conta da casa. Depois, espalharei velas pela casa, velas de todos os tamanhos e cores, e perfumes, incensos e folhas de eucalipto em lume brando. A música suave, doce, embalar-nos-á de mansinho. Enganaremos as horas, a noite transformar-se-á em dia e o dia mergulhará nas trevas e nós dois sem darmos por nada. Com amor e com afecto vou fazer o teu prato predilecto como dizia a canção. E fecharei a porta a cadeado, as janelas bem cerradas porque o mundo inteiro não nos interessa mais. Lá fora ficaram os outros, os problemas, as desilusões e todos os medos. Vamos dançar descalços na sala, a sentir a pele roçar no tapete, a sentirmo-nos voar e voar para tão longe. Adormeceremos abraçados um no outro, como se fôssemos um só corpo, um só ser, um único coração a bater compassada e docemente. Porque sabes, meu amor, nós merecemos. São já muitos os anos passados a dois, a lutar diariamente, a educar os nossos filhos, olha para eles, homens feitos e tão perfeitos! Agora é o nosso tempo. O tempo está todo à nossa disposição, os tempos que ainda temos juntos. Porque o nosso amor é isto mesmo, as recordações de mais de trinta anos em comum, as mesmas lágrimas e os mesmos risos. E não te rias de mim quando entrares a porta e vires as primeiras velas, e saboreares a miscelânea de perfumes e o som da música, a música com a qual dançámos a primeira vez. Recordas-te, meu amor? Éramos tão jovens e tudo era possível!


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publicado por Luísa Castel-Branco às 11:02
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Quarta-feira, 5 de Novembro de 2008
Uma valsa a dois

 

 
Saíste de casa e o teu perfume ficou preso no meu corpo, nas paredes, um cheiro misto de ti e de mim, como se fossemos ainda um só.
Saio para a rua, como se fosse um fantasma, como se me cruzasse contigo e também tu já não tens corpo, já não me pertences és apenas uma névoa que me acompanha, sinto os teus passos no passeio e contudo, estou sozinha.
A cidade traz-me imagens de quem fomos em todo o lado e a todo o momento.
Aqui fora, com NY como se fosse um palco gigante, ou tão pequenina que nos cabe dentro do coração, as esquinas têm o nosso nome escrito em letras invisíveis.
E por onde ando revejo os nossos beijos, risos, abraços e descobertas.
É por isso que quero sair do apartamento para a rua, e tu também.
Porque o que foi o nosso lar agora está carregado de lágrimas e palavras gritadas que escorrem pelas paredes.
Será que é de vez?
 
Não ouvi a porta da rua. Estava cá em cima, na varanda do telhado, com a cidade a dormir e ao mesmo tempo tão acordada, tão plena de vida e de cor.
Uma melodia surgiu não sei de onde. Nina Simone? Não sei, deixei-me ficar e não sinto frio, não sinto nada.
 
Foi quando te chegaste a mim, envolto no silêncio ou então eu estava adormecida na música, pegaste-me no braço e dançámos, dançámos.
Ah! Meu amor!
Neste momento e por magia, NY desapareceu, as estrelas e as luzes da cidade fundearam-se numa amálgama de outro mundo e a música tomou conta dos nossos corpos.
 
Ah! Meu amor, vamos ficar aqui para sempre, envoltos no escuro que tem milhares de luzes, nos múltiplos ruídos da cidade que se desvaneceram porque a música os devorou, vamos ficar aqui só nós dois porque o mundo não existe para além dos nossos corpos que de tão unidos se transformaram uma vez mais, num só!
 
 

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publicado por Luísa Castel-Branco às 18:30
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Quarta-feira, 17 de Setembro de 2008
O Poder do Amor
Sofia disse sobre Paixão ou Amor? na Quarta-feira, 17 de Setembro de 2008 às 16:25:

     

 

Luisa
Tantas vezes a visito e leio atentamente tudo o k escreve..talvez por me identificar consigo em algumas coisas,senão todas...
È bom saber que alguém nos "escuta" e tem uma palavra a dizer-nos quando procuramos ajuda neste mundo virtual que a cada dia que passa vai ganhando espaço na nossa vida.
Digo isto porque hoje me sinto impotente e triste perante uma circunstancia adversa que eu julgava ultrapassada.
Apesar de ter muitos amigos, a minha voz parece não querer soltar-se e repetir aquilo k me atormenta.
Tenho medo de que alguém muito querido se perca, não tenha mais forças para lutar contra uma doença após já o ter feito com todas as suas forças e vencido...embora momentaneamente.
Para quem só tinha poucos meses de vida, resistiu 7 anos, foi dificil e doloroso, mas . vive!Tornou a sorrir, e eu tive a felicidade de lhe dar uma netinha ...a luz dos olhos dele!
E agora, passados 7 anos, aí está ele de volta...o famoso tumor no colon ...e ...até onde iremos chegar?
Até onde eu consigo ter animo e força paar transmitir-lhe?
Sinto-me envergonhada por parecer cobarde ...desculpe !Hoje só consigo chorar como uma criança que não quer perder os eu porto de abrigo...

Sofia,

Não há forma de diminuir a dor, não há existe maneira alguma de nos prepararmos para a partida de alguém que amamos, e muito menos para ver o sofrimento físico e psicológico sentindo-nos totalmente inúteis, incapazes de minorar ajudar a quem amamos.

E por isso mesmo, as lágrimas devem correr livremente, temos todo o direito à revolta e à tristeza.

Mas, tenho para mim que só morre verdadeiramente quem não é amado.

Porque ainda hoje conservo viva a memória do meu pai que partiu aos 51 e que me acompanha todos os dias, ao longo da vida.

Mas querida Sofia, ainda que o meu conselho ( se tal lhe posso chamar) seja doloroso e em nada a alivie neste momento, peço-lhe que faça o que eu não tive oportunidade para fazer: Diga-lhe quanto o ama, diga-lhe tudo o que guarda dentro do seu coração, sem vergonha ou pudor.

Aproveite até ao limite o tempo disponível a dois, e recorde esse amor que sinto nas suas palavras, relembre-o com ele, e saboreiem os dois um amor que será eterno.

 

Só e quando chegar o momento de dizer adeus, só ai poderá recolher-se dentro de si mesma e então, saber que não ficou nada por dizer, e chorara a saudade.

 

O poder do amor é infinito.

E, mesmo para alguém como eu, cuja fé é fraca, acredito que de alguma forma inexplicável existe mais do que esta vida e esta dimensão e que até hoje sempre fui protegida pelo meu pai.

Peço desculpa por não poder ser de maior ajuda.

Mas não duvido que a Sofia seja capaz de tudo isto e muito mais.

Pobres dos que não amam e não são amados.

Pobres dos que passam por esta vida sem conhecer o sofrimento que o verdadeiro amor transporta.

Um grande abraço,

 

 



publicado por Luísa Castel-Branco às 17:28
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Paixão ou Amor?
Loris disse sobre Tenham vergonha! na Terça-feira, 9 de Setembro de 2008 às 22:03:


 

     

 

Olá Luísa boa noite.. gosto do seu blog e de facto insurjo-me contra os que atacam pessoas gratuita e cobardemente quem emite opiniões. eu também vou escrever sob anonimato porque quero falar de uma fase emocional que quero partilhar, neste espaço. A propósito de traições... estas surgem quando menos se espera e podem tomar proporções não previstas. apenas o fiz uma vez ao fim de 23 anos de casamento. Um casamento que não é complemento em muitas vertentes importantes, incluindo a sexual. Numa festa de fim de ano, começou uma troca de e-mails, passados 3 meses encontrámo-nos.ele vive no estrangeiro. foi de tal ordem q ficou uma relação séria mas impossível para mim. Não consigo conceber largar filho e marido casa e partir para o desconhecido. quebrar a minha pequena rede social, familiar e tudo o q envolve. ele programa e eu refreio, mas é mto difícil acabar depois de descobrir sensações e sentimentos adormecidos. estou entalada e a dar em doida, sem falar com ninguém. alguém que fale comigo sem julgamentos básicos seria muito bom. um abraço

 

Minha Cara,

Não há nada a julgar. Quanto mais a vida avança mais nos apercebemos que nada é a preto e branco, e que a verdade é diferente para cada pessoa.

A verdade da sua relação é o que conta para si.

E 23 anos em comum é muito tempo, por isso mesmo compreendo que esteja confusa e amargurada com o que vive em termos de sentimos, da necessidade de decidir entre a sua família e aquilo que considera amor.

Quem sou eu para a aconselhar? Mas percebo que deixar o seu filho seja sem duvida o maior dos entraves a uma nova vida.

Nos dias de hoje, em que cada dois casamentos termina em divorcio ao fim de um ano, a sua realidade é totalmente diferente.

E também a sua consciência do que vai deixar para trás.

Mas, se me permite, o que a espera do outro lado?

Porque a paixão que sente, por definição adultera os sentidos e transforma-nos ao ponto de apenas sentirmos a dor da falta do outro, a urgência do outro e nada mais.

Mas a seguir à paixão, ou vem o amor, ou o deserto.

E o amor precisa de estabilidade, de alicerces.

Ninguém pode ser feliz sem ter pelo menos assegurada a base do seu dia a dia.

O que a espera, pergunto-lhe?

Pare um pouco para pensar friamente. Tente afastar de si a culpa que a consome e ao mesmo tempo a incapacidade que vai aumentar de dia para dia em aceitar a sua vida como é hoje.

Veja com clareza e frieza o que lhe propõem essa pessoa. Se existe solidez nessa proposta para além do amor/paixão.

Se a sua identidade como mulher pode existir nesse novo local, porque não quererá de certeza ficar presa dentro de quatro paredes e dependente financeira e emocionalmente de alguém.

Se depois de tudo isto, acreditar que tem condições para ser feliz, que aquilo que sentem ambos é já amor e não apenas o encantamento dos primeiros tempos, então talvez tenha chegado o momento de dar direito a si mesma a ser feliz.

Claro que vai pagar um preço. Claro que terá que conseguir chegar a acordo com o seu marido sobre a custodia do seu filho.

Mas se valer a pena a luta, se sentir que pode proporcionar ao seu filho um lar, então a única coisa que lhe posso desejar é muita força.

 

Se pelo contrário sentir no fundo do seu coração que não existem condições para um futuro, então minha querida, chore sem parar, faça o seu luto e ande para a frente, mesmo que pense que está quieta no mesmo local.

Porque depois desta experiência nada vai ficar igual.

Qualquer que seja a sua decisão.

Um abraço e volte com noticias.



publicado por Luísa Castel-Branco às 12:19
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Quarta-feira, 20 de Agosto de 2008
Como não deixar morrer o romance

Mariana disse sobre O Feitiço da Lua na Terça-feira, 19 de Agosto de 2008 às 11:15: 
 

Olá querida amiga Luisa, quando me falou no meu Alentejo (sou de Portalegre), vieram-me também a mim memórias da minha juventude, o meu lado romantico veio de novo ao de cimo, sim porque nós queiramos ou não, achamos que o romantismo é para os miudos e só sobrevive na adolescencia depois apaga-se, desvanece-se a vida também nos leva a isso verdade? mas teremos nós culpa por isso acontecer? Deveríamos nós ser sempre uns eternos românticos? Talvez, mas como fazer o romance existir, por exemplo, numa casa com três filhos e outro que trago no ventre a caminho, e com isto ser romantica ? Entende o que quero dizer? Ando numa azáfama todo o dia e á noite estamos mortinhos para cair na cama e dormir o sono dos justos e confesso que o romantismo é coisa que ficou, não extinta, mas que se tem vindo a adiar...mas não o deixemos morrer Luisa. Uma grande beijoka com a minha amizade e admiração.

 

Mariana,

Quem passou por ai sabe bem o quanto é dificil, para não dizer a maior parte do tempo impossivel, criar um ambiente romantico, ou se quiser, espaço para viver o tal romantismo que nos vai na alma.

A rotina é aniquiladora dos sentimentos, das cumplicidades e as crianças então, é como se de repente o nosso mundo começasse e acabasse com eles, com o medo de que algo lhes aconteça, enfim, tudo.

Mas, há sempre um mas, se a relação a dois sobrevive, então para o futuro existem milhares de recordações que nos vão alimentar para o resto da vida.

Na verdade, as mulheres e os homens vivem esta experiência de forma diferente e muitas vezes os nossos parceiros sentem-se afastados do nosso universo de mãe.

A mensagem que gostaria de lhe deixar é apenas uma, se ama e é amada, saboreie cada momento e considere que também isto é intimidade e romantismo.

Um grande beijo para si e para a sua familia e também para o novo membro do clâ.

 

 

 



publicado por Luísa Castel-Branco às 09:26
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Quarta-feira, 28 de Novembro de 2007
A ausência de ti

Acordava todos os dias, a esticar os braços e a procurá-lo na almofada, as mãos a perfurarem o espaço para lhe fazer o carinho habitual.

Esquecia-se. Como num ritual, esquecia-se todos os dias que o corpo dele já ali não estava, que o frio do lençol era a resposta diária aos seus movimentos.

O mesmo se passava pela casa toda, pelos dias que corriam e ela sempre num estado de semi-inconsciência, que outra coisa se podia chamar aquela incapacidade de aceitar que ele partira para sempre?

Muitas vezes, quando caminhava na rua, o frio a bater-lhe no rosto, como agora, nestes dias em que o Natal se aproximava e a cidade cobria-se de cores, falava sozinha pelo passeio, como se o tivesse a seu lado e ambos, naquelas conversas que mantinham ao longo dos anos, pontuadas pelo pormenor de cada um acabar as frases do outro, como se efectivamente ele ali estivesse.

Contudo, perante os outros, mantinha a sua postura, embora a névoa que lhe cobria o rosto fosse indisfarçável, tentava que ninguém tivesse pena dela e, principalmente, que ninguém referisse o nome dele.

Ele que tinha partido para sempre era grande de mais para pequenas conversas de circunstância.

E, assim, mantinha-se viva, vivendo com a sua ausência, numa dor que era um misto de surpresa e uma força tenaz de ignorar a realidade.

O amor não morre. E quem o disser não sabe do que fala.

in Destak 27.11.07


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publicado por Luísa Castel-Branco às 14:31
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