Segunda-feira, 23 de Junho de 2008
Dificuldades, parolas e desabafos!
Ser mãe não é nada disto. Isto é a visão tonta de uma mulher que desconhece o significado de "dificuldades"... Cambada de parolas!
AD MATREM | 22.06.2008 | 18.51H
 

Tenho inúmeros comentários para responder, quer neste meu blog quer no Consultório e juro que era isso que estava a começar a fazer, quando fui fazer a minha visita diária ao Destak e aos comentários "on line" sobre a minha coluna.

Desde que descobri o mundo da Net, que todos os dias apreendo alguma coisa, e não deixo de me maravilhar com as possibilidades incríveis que a Net oferece.

Mas, há o outro lado. A coberto do anonimato, já tive no Destak on line comentários mais do que insultuosos, diria que surpreendentemente raivosos.

Fui lá buscar aquele que acima transcrevo, porque me pareceu exemplar.

Alguém, que nem eu nem todos os que leram ou aqui deixaram os seus comentários sobre este texto conhece o autor/a.

E claro que ele/ela tem todo o direito à sua opinião sobre a minha escrita.

Mas não lhe dou a ele ou a ela o direito de me julgar.

Não aqui neste canto onde estou como em minha casa, com os meus amigos, também eles desconhecidos, mas onde trocamos desabafos, dores e alegrias.

Aqui reservo-me o direito de por uma vez não ter que acatar toda e qualquer idiotice que alguém decida dizer sobre mim, porque ao ter-me tornado uma "figura mediática" a tal tenho que me sujeitar!

Já o disse em entrevistas á o escrevi aqui: sei o que são dificuldades porque criei três filhos sozinha, com vários empregos e muito sufoco.

Mas mesmo que assim não fosse? Se eu tivesse tido uma vida fácil como desejo para os meus filhos, da mesma forma que todos os leitores, isso retirava-me o direito a escrever sobre os meus sentimentos?

Porque são parolas as pessoas que gostaram do texto?

Porque quem não está connosco está contra nós?

Não há duvida. A Net é um bom exemplo do que de melhor e pior têm os seres humanos.

Estou atrasada, vou voltar ás respostas aos vossos comentários mas, tive mesmo vontade de desabafar convosco!


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publicado por Luísa Castel-Branco às 12:15
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Terça-feira, 3 de Junho de 2008
Estados de alma e coração
 

Os ingleses têm uma expressão muito engraçada: «sentir borboletas no estômago».

Tem múltiplas utilizações ainda que todas queiram abarcar o mesmo sentimento, o mesmo estado de alma: a paixão, a ansiedade perante algo que ansiamos, o momento exacto antes de saber se conseguimos ou não alcançar algo com que sonhávamos, enfim, tanta e tanta emoção que cabe nesta expressão!

Em português seria mais «um nó no estômago» mas sinceramente, a imagem das borboletas no estômago parece-me muito mais bela.

Deve ser assim que se sentem as crianças quando começam a descobrir a vida, dos primeiros passos às primeiras palavras.

Vem isto a propósito do dia de hoje, em que apresento o meu primeiro romance. As ditas borboletas andam para aqui que nem umas doidas no meu estômago e com esta simbologia escuso de falar do medo.

Porque efectivamente, é medo da responsabilidade de criar algo que deixou de me pertencer a partir do momento em que coloquei a última palavra no texto.

Mas, se algo me apoiou durante estes longos meses, de escrita solitária em momentos roubados à vida, porque todas as obrigações têm que ser cumpridas, tudo tem que continuar e foi madrugada a dentro que escrevi, foi sem dúvida a reacção que recebo continuamente dos leitores do Destak.As pessoas interpelam-me na rua para darem a sua opinião sobre as minhas crónicas, agradecem-me, outras retiram da carteira recorte de um qualquer texto.A todos vós que semana após semana me acompanham aqui no Destak, nos meus Instantes que são quase sempre estados de alma e coração, o meu muito obrigada pelo vosso apoio.

Quem tem que agradecer sou eu do fundo do coração!



publicado por Luísa Castel-Branco às 13:07
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Terça-feira, 18 de Setembro de 2007
Questão de tempo

Todos o diziam: «vais ver que te habituas, pá!», afiançavam os amigos enquanto outros iam mais longe: «é como voltar ao tempo de solteiro. Vais-te divertir à grande!». Donde, devia ser verdade. Mas, por enquanto, a única coisa que sentia era um peso enorme, um peso que lhe fazia um buraco no estômago.

O silêncio da casa, as noites longas sem os ouvir a chamar por ele. Tudo arrumado. Tudo limpo e asséptico, como se ali já não vivesse ninguém e ele fosse apenas um fantasma que não deixava impressões digitais.

Nunca, nem nos piores pesadelos, sonhara que seria um pai de fim-de-semana. Exactamente como fora o seu. Com a diferença abismal de que ele sempre estivera presente, sempre estivera ao lado deles, a partilharem brincadeiras e sonhos.

E agora, porque o amor acabara entre dois adultos, ou só para um deles, não importava, agora tinha à sua frente todos os dias e noites em branco. Ver os filhos de quinze em quinze dias, era nada.

Nada. E sem saber como, a guerra que tinha estalado entre os dois adultos fizera deles os únicos prisioneiros. Ele chegava a casa e ficava a olhar à volta como se estivesse aparvalhado, como se se tivesse enganado na porta e entrado pela casa dum vizinho. Era uma questão de tempo.

Mas enquanto o tempo não vinha, ele sentava-se, noite após noite, no quarto dos miúdos, as lágrimas a correrem pela cara, os olhos perdidos nos desenhos mal colados nas paredes. Podia dizer quantas horas faltavam exactamente para os voltar a beijar. Mas só ali, tão-só como se estivesse nu, podia deixar correr as lágrimas. Fora da porta daquele quarto, colava uma expressão no rosto e dizia em voz alta: «É tudo uma questão de tempo!»

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P.S.

Obrigado a quem me avisou do erro ortográfico


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publicado por Luísa Castel-Branco às 09:17
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Terça-feira, 11 de Setembro de 2007
Sorriso perdido
 

 

Saiu de casa a correr, atrasada para apanhar o autocarro, a mala a abarrotar e a bater-lhe no peito, o suor a escorrer pelo rosto, a empapar-lhe o cabelo. A chuva miúda tinha transformado as pedras da calçada em tecido mole, e ela a fazer força nos sapatos para não cair, ao mesmo tempo que acelerava os passos, o coração a bater forte.

Eram oito horas de um dia cinzento, peganhento e quente, e ela já estava exausta. Levantara-se, arranjara os miúdos, pegou neles, nas lancheiras, nos casacos e correram para o autocarro. Depois de os deixar na escola, ali estava ela, em pé, a tentar segurar-se na pega do segundo autocarro, entalada entre gente desconhecida, a pensar que ia chegar atrasada ao trabalho, no que havia de fazer para o jantar, na roupa para passar, que aquela chuva miudinha não deixava secar nada.

Foi aí, entre um abanão e uma pisadela e lá à frente duas mulheres que discutiam, foi aí que deu por ter perdido o sorriso. Pensou para si mesma que teria ficado pelo caminho, com as pressas. Ou na cozinha, ou no quarto, talvez na mesa-de-cabeceira, junto à imagem da Virgem. Logo, quando chegasse a casa, tinha que o procurar. E assim, despedida do seu sorriso, foi trabalhar, cumpriu o ritual dos seus dias.

Quando entrou a porta, recordou-se do seu sorriso, e ainda deu uma volta rápida à procura. Mas o tempo urgia para tanta coisa, que desistiu. Anos mais tarde, quando o marido a deixou, ela recordou aquele dia, e o cheiro da chuva e sentiu que fora ai que tudo começara. Quando perdera para sempre o sorriso.

 

Publicado in DESTAK


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publicado por Luísa Castel-Branco às 11:05
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