Quarta-feira, 17 de Setembro de 2008
Paixão ou Amor?
Loris disse sobre Tenham vergonha! na Terça-feira, 9 de Setembro de 2008 às 22:03:


 

     

 

Olá Luísa boa noite.. gosto do seu blog e de facto insurjo-me contra os que atacam pessoas gratuita e cobardemente quem emite opiniões. eu também vou escrever sob anonimato porque quero falar de uma fase emocional que quero partilhar, neste espaço. A propósito de traições... estas surgem quando menos se espera e podem tomar proporções não previstas. apenas o fiz uma vez ao fim de 23 anos de casamento. Um casamento que não é complemento em muitas vertentes importantes, incluindo a sexual. Numa festa de fim de ano, começou uma troca de e-mails, passados 3 meses encontrámo-nos.ele vive no estrangeiro. foi de tal ordem q ficou uma relação séria mas impossível para mim. Não consigo conceber largar filho e marido casa e partir para o desconhecido. quebrar a minha pequena rede social, familiar e tudo o q envolve. ele programa e eu refreio, mas é mto difícil acabar depois de descobrir sensações e sentimentos adormecidos. estou entalada e a dar em doida, sem falar com ninguém. alguém que fale comigo sem julgamentos básicos seria muito bom. um abraço

 

Minha Cara,

Não há nada a julgar. Quanto mais a vida avança mais nos apercebemos que nada é a preto e branco, e que a verdade é diferente para cada pessoa.

A verdade da sua relação é o que conta para si.

E 23 anos em comum é muito tempo, por isso mesmo compreendo que esteja confusa e amargurada com o que vive em termos de sentimos, da necessidade de decidir entre a sua família e aquilo que considera amor.

Quem sou eu para a aconselhar? Mas percebo que deixar o seu filho seja sem duvida o maior dos entraves a uma nova vida.

Nos dias de hoje, em que cada dois casamentos termina em divorcio ao fim de um ano, a sua realidade é totalmente diferente.

E também a sua consciência do que vai deixar para trás.

Mas, se me permite, o que a espera do outro lado?

Porque a paixão que sente, por definição adultera os sentidos e transforma-nos ao ponto de apenas sentirmos a dor da falta do outro, a urgência do outro e nada mais.

Mas a seguir à paixão, ou vem o amor, ou o deserto.

E o amor precisa de estabilidade, de alicerces.

Ninguém pode ser feliz sem ter pelo menos assegurada a base do seu dia a dia.

O que a espera, pergunto-lhe?

Pare um pouco para pensar friamente. Tente afastar de si a culpa que a consome e ao mesmo tempo a incapacidade que vai aumentar de dia para dia em aceitar a sua vida como é hoje.

Veja com clareza e frieza o que lhe propõem essa pessoa. Se existe solidez nessa proposta para além do amor/paixão.

Se a sua identidade como mulher pode existir nesse novo local, porque não quererá de certeza ficar presa dentro de quatro paredes e dependente financeira e emocionalmente de alguém.

Se depois de tudo isto, acreditar que tem condições para ser feliz, que aquilo que sentem ambos é já amor e não apenas o encantamento dos primeiros tempos, então talvez tenha chegado o momento de dar direito a si mesma a ser feliz.

Claro que vai pagar um preço. Claro que terá que conseguir chegar a acordo com o seu marido sobre a custodia do seu filho.

Mas se valer a pena a luta, se sentir que pode proporcionar ao seu filho um lar, então a única coisa que lhe posso desejar é muita força.

 

Se pelo contrário sentir no fundo do seu coração que não existem condições para um futuro, então minha querida, chore sem parar, faça o seu luto e ande para a frente, mesmo que pense que está quieta no mesmo local.

Porque depois desta experiência nada vai ficar igual.

Qualquer que seja a sua decisão.

Um abraço e volte com noticias.



publicado por Luísa Castel-Branco às 12:19
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Quarta-feira, 20 de Agosto de 2008
Como não deixar morrer o romance

Mariana disse sobre O Feitiço da Lua na Terça-feira, 19 de Agosto de 2008 às 11:15: 
 

Olá querida amiga Luisa, quando me falou no meu Alentejo (sou de Portalegre), vieram-me também a mim memórias da minha juventude, o meu lado romantico veio de novo ao de cimo, sim porque nós queiramos ou não, achamos que o romantismo é para os miudos e só sobrevive na adolescencia depois apaga-se, desvanece-se a vida também nos leva a isso verdade? mas teremos nós culpa por isso acontecer? Deveríamos nós ser sempre uns eternos românticos? Talvez, mas como fazer o romance existir, por exemplo, numa casa com três filhos e outro que trago no ventre a caminho, e com isto ser romantica ? Entende o que quero dizer? Ando numa azáfama todo o dia e á noite estamos mortinhos para cair na cama e dormir o sono dos justos e confesso que o romantismo é coisa que ficou, não extinta, mas que se tem vindo a adiar...mas não o deixemos morrer Luisa. Uma grande beijoka com a minha amizade e admiração.

 

Mariana,

Quem passou por ai sabe bem o quanto é dificil, para não dizer a maior parte do tempo impossivel, criar um ambiente romantico, ou se quiser, espaço para viver o tal romantismo que nos vai na alma.

A rotina é aniquiladora dos sentimentos, das cumplicidades e as crianças então, é como se de repente o nosso mundo começasse e acabasse com eles, com o medo de que algo lhes aconteça, enfim, tudo.

Mas, há sempre um mas, se a relação a dois sobrevive, então para o futuro existem milhares de recordações que nos vão alimentar para o resto da vida.

Na verdade, as mulheres e os homens vivem esta experiência de forma diferente e muitas vezes os nossos parceiros sentem-se afastados do nosso universo de mãe.

A mensagem que gostaria de lhe deixar é apenas uma, se ama e é amada, saboreie cada momento e considere que também isto é intimidade e romantismo.

Um grande beijo para si e para a sua familia e também para o novo membro do clâ.

 

 

 



publicado por Luísa Castel-Branco às 09:26
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Quarta-feira, 28 de Maio de 2008
Este buraco no estômago!

Faltam exactamente 4 dias, 100 minutos, 6.000 minutos e 36.000 segundos.

Estou a ser ridícula eu sei, mas venho aqui quando preciso de desabafar ou se quiserem, pôr por palavras os meus medos.

Deveria falar alto, mas já o fiz com quem posso, o que quer dizer com quem está ao meu lado, que os meus filhos, quando lhes falo deste buraco no estômago que sinto com  a proximidade do lançamento do meu livro, riem-se de mim.

Ainda vivem com a certeza de que eu posso fazer tudo. Se calhar foi por eu os ter ensino que os únicos desafios na vida são connosco mesmos e que vale sempre a pena tentar superar o medo e voar.

Depois disto não posso esperar que digam outra coisa a não ser: Vai tudo correr bem.

Aliás, eles nem sequer percebem o que estou a dizer.

E será que o meu companheiro de vida o percebe?

E eu?

Não estou com medo que as pessoas não gostem do meu livro. Claro que preferia que algumas gostassem. Não estou a pensar se vou vender muito ou pouco., Claro que gostava de vender. Não estou em competição com ninguém. Mas não me saem da cabeça as palavras mágicas de Agustina, Lobo Antunes, e muitos mais.

A única forma que tenho de explicar este buraco no estômago é ...que parte de mim ficará para sempre naquelas paginas que vão andar pelas mãos das pessoas e é como se ...parte de mim passasse a ser pertença dessas mesmas pessoas.

A televisão é algo tão descartável, tão instantâneo. A rádio idem.

Mas os livros, ah! esses são aquilo que nunca desaparece, mesmo quando já ninguém se lembra deles a não ser quem escreveu aquelas palavras!



publicado por Luísa Castel-Branco às 23:43
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