Quarta-feira, 17 de Setembro de 2008
O Poder do Amor
Sofia disse sobre Paixão ou Amor? na Quarta-feira, 17 de Setembro de 2008 às 16:25:

     

 

Luisa
Tantas vezes a visito e leio atentamente tudo o k escreve..talvez por me identificar consigo em algumas coisas,senão todas...
È bom saber que alguém nos "escuta" e tem uma palavra a dizer-nos quando procuramos ajuda neste mundo virtual que a cada dia que passa vai ganhando espaço na nossa vida.
Digo isto porque hoje me sinto impotente e triste perante uma circunstancia adversa que eu julgava ultrapassada.
Apesar de ter muitos amigos, a minha voz parece não querer soltar-se e repetir aquilo k me atormenta.
Tenho medo de que alguém muito querido se perca, não tenha mais forças para lutar contra uma doença após já o ter feito com todas as suas forças e vencido...embora momentaneamente.
Para quem só tinha poucos meses de vida, resistiu 7 anos, foi dificil e doloroso, mas . vive!Tornou a sorrir, e eu tive a felicidade de lhe dar uma netinha ...a luz dos olhos dele!
E agora, passados 7 anos, aí está ele de volta...o famoso tumor no colon ...e ...até onde iremos chegar?
Até onde eu consigo ter animo e força paar transmitir-lhe?
Sinto-me envergonhada por parecer cobarde ...desculpe !Hoje só consigo chorar como uma criança que não quer perder os eu porto de abrigo...

Sofia,

Não há forma de diminuir a dor, não há existe maneira alguma de nos prepararmos para a partida de alguém que amamos, e muito menos para ver o sofrimento físico e psicológico sentindo-nos totalmente inúteis, incapazes de minorar ajudar a quem amamos.

E por isso mesmo, as lágrimas devem correr livremente, temos todo o direito à revolta e à tristeza.

Mas, tenho para mim que só morre verdadeiramente quem não é amado.

Porque ainda hoje conservo viva a memória do meu pai que partiu aos 51 e que me acompanha todos os dias, ao longo da vida.

Mas querida Sofia, ainda que o meu conselho ( se tal lhe posso chamar) seja doloroso e em nada a alivie neste momento, peço-lhe que faça o que eu não tive oportunidade para fazer: Diga-lhe quanto o ama, diga-lhe tudo o que guarda dentro do seu coração, sem vergonha ou pudor.

Aproveite até ao limite o tempo disponível a dois, e recorde esse amor que sinto nas suas palavras, relembre-o com ele, e saboreiem os dois um amor que será eterno.

 

Só e quando chegar o momento de dizer adeus, só ai poderá recolher-se dentro de si mesma e então, saber que não ficou nada por dizer, e chorara a saudade.

 

O poder do amor é infinito.

E, mesmo para alguém como eu, cuja fé é fraca, acredito que de alguma forma inexplicável existe mais do que esta vida e esta dimensão e que até hoje sempre fui protegida pelo meu pai.

Peço desculpa por não poder ser de maior ajuda.

Mas não duvido que a Sofia seja capaz de tudo isto e muito mais.

Pobres dos que não amam e não são amados.

Pobres dos que passam por esta vida sem conhecer o sofrimento que o verdadeiro amor transporta.

Um grande abraço,

 

 



publicado por Luísa Castel-Branco às 17:28
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