Terça-feira, 29 de Janeiro de 2013
Um sonho repetido

Sonho sobre ti vezes sem conta. Mesmo quando estou acordada. Às vezes dou comigo na rua e de repente, do nada, vejo a tua silhueta a mover-se por entre as gentes. Ou então é o teu perfume de lavanda que me apanha desprevenida obrigando-me a fixar-me em alguém que acabou de passar rente a mim. A tua falta é tão permanente que os anos não lhe retiram nem força, nem dor.

É uma dor que vive comigo, encaixada dentro de mim e escondida. Mas sabes pai, tenho contigo longas conversas. Maiores do que as que tive enquanto vivias. Pergunto-te muitas vezes o que pensas de mim, daquilo em que me tornei, sei lá, coisas sem importância talvez. E o facto de já teres partido há tantos anos não me fez esquecer os teus traços, o teu sorriso pequeno, as tuas mãos perfeitas.

Perfeitas. Onde eu hoje queria estar, sabes pai, abraçada por ti e ouvir-te dizer, tudo vai correr bem.Quando sonhamos podemos imaginar tudo o que queremos. E eu imagino-me novamente ao teu lado a dizer-te tudo aquilo que não tive tempo. 

A vida é tão estranha, como estranha é esta saudade permanente de ti, esta imensa solidão que nunca vai desaparecer. Mas todos os dias as gaivotas rondam a minha janela e como sempre, é contigo que falo quando lhes digo adeus.

 

in Destak 29.1.12


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publicado por Luísa Castel-Branco às 10:45
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Quarta-feira, 9 de Setembro de 2009
A saudade nunca morre
 
 

Apareces assim de repente, sem aviso. Por vezes é o teu perfume, alfazema e tabaco, que vem de sítio nenhum. Outras, poderia jurar que sinto o teu respirar no meu ombro, uma sombra que não está lá mas que eu vejo, sei lá, sinto-te por todo o lado, sem descanso, ainda hoje e já passaram vinte sete anos desde que partiste.

Seguramente que tal acontece por pensar em ti com tanta frequência. Por sentir a tua falta dia após dia. Sem descanso.

O que pensarias do que faço? De quem sou?

A saudade não morre, e não se transforma em nada.

É tão-somente saudade do que não te disse, do que não me chegaste a dizer. De tudo o que deveríamos ter vivido, de todas as conversas adiadas porque havia tempo, e depois, partes aos cinquenta e um anos, e deixaste-me para aqui neste desassossego de alma, nesta culpa tão profunda do que não fiz e das palavras que não disse.

Queria tanto abraçar-te de novo, meu pai! Encostar a cabeça no teu ombro, envolvida pelo teu perfume e sabendo de antemão o quanto te incomodava qualquer manifestação de ternura.

Se fosse hoje, se eu pudesse voltar atrás por breves minutos, cobriria o teu rosto de afagos e beijos molhados, e dir-te-ia vezes sem conta: Amo-te. Talvez por isto tudo, não me canso de dizer aos meus filhos o quanto os amo.

Não creio que eles compreendam esta necessidade absurda. Mas não me importo. Temo partir de repente, como tu, e não lhes ter feito sentir que eles são tudo para mim, absolutamente tudo. As pessoas não choram assim após vinte e sete anos, eu sei.

Ou talvez eu esteja errada. E alguém quando ler este texto reconheça a dor na alma, a dor imensa da ausência de quem se ama.

Que importa? Hoje sonhei contigo. Sorrias para mim

in Destak 08 | 09 | 2009 


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publicado por Luísa Castel-Branco às 01:21
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Segunda-feira, 22 de Junho de 2009
Etc

 

Quando ligo o computador vejo a imagem. "Donde vimos; o que somo, para onde vamos". O quadro de Gaugin continua para mim a ser uma janela sobre a minha própria alma.
Chegada aos meus 55 anos contínuo sem respostas.
Pelo contrário.
Cada dia que passa tenho mais duvidas, mais perguntas, mais remorsos do que fiz.
Tantos erros!
Mas como podia eu saber?
E porque razão existem outros que passam por aqui sem estes desassossegos de alma e coração? Pessoas que parecem não necessitar de respostas ou sequer de equacionar as perguntas.
E contudo, a vida está prenhe de mistérios.
Sorte duns, azar de outros.
O bem que não compensa, o mal que parece florir, cobrir os dias e dar frutos doces, eternos.
Como percorrer este caminho? Como lidar com as desilusões que a idade nos traz?
Acreditar cada dia em menos pessoas, não saber a razão das coisas.
Como eu gostaria de ser outra!
Sem conflitos e perguntas! Sem este vazio que nada preenche!
Porque viemos aqui?
Que deixarei eu de mim quando o meu corpo tiver desaparecido senão o que transmiti a quem amei?
E se esses refutarem essa minha herança?
Afinal, de que serviu tanta luta?
Só sinto o silêncio, as sombras e as saudades.
 
 


publicado por Luísa Castel-Branco às 13:00
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Quarta-feira, 17 de Setembro de 2008
O Poder do Amor
Sofia disse sobre Paixão ou Amor? na Quarta-feira, 17 de Setembro de 2008 às 16:25:

     

 

Luisa
Tantas vezes a visito e leio atentamente tudo o k escreve..talvez por me identificar consigo em algumas coisas,senão todas...
È bom saber que alguém nos "escuta" e tem uma palavra a dizer-nos quando procuramos ajuda neste mundo virtual que a cada dia que passa vai ganhando espaço na nossa vida.
Digo isto porque hoje me sinto impotente e triste perante uma circunstancia adversa que eu julgava ultrapassada.
Apesar de ter muitos amigos, a minha voz parece não querer soltar-se e repetir aquilo k me atormenta.
Tenho medo de que alguém muito querido se perca, não tenha mais forças para lutar contra uma doença após já o ter feito com todas as suas forças e vencido...embora momentaneamente.
Para quem só tinha poucos meses de vida, resistiu 7 anos, foi dificil e doloroso, mas . vive!Tornou a sorrir, e eu tive a felicidade de lhe dar uma netinha ...a luz dos olhos dele!
E agora, passados 7 anos, aí está ele de volta...o famoso tumor no colon ...e ...até onde iremos chegar?
Até onde eu consigo ter animo e força paar transmitir-lhe?
Sinto-me envergonhada por parecer cobarde ...desculpe !Hoje só consigo chorar como uma criança que não quer perder os eu porto de abrigo...

Sofia,

Não há forma de diminuir a dor, não há existe maneira alguma de nos prepararmos para a partida de alguém que amamos, e muito menos para ver o sofrimento físico e psicológico sentindo-nos totalmente inúteis, incapazes de minorar ajudar a quem amamos.

E por isso mesmo, as lágrimas devem correr livremente, temos todo o direito à revolta e à tristeza.

Mas, tenho para mim que só morre verdadeiramente quem não é amado.

Porque ainda hoje conservo viva a memória do meu pai que partiu aos 51 e que me acompanha todos os dias, ao longo da vida.

Mas querida Sofia, ainda que o meu conselho ( se tal lhe posso chamar) seja doloroso e em nada a alivie neste momento, peço-lhe que faça o que eu não tive oportunidade para fazer: Diga-lhe quanto o ama, diga-lhe tudo o que guarda dentro do seu coração, sem vergonha ou pudor.

Aproveite até ao limite o tempo disponível a dois, e recorde esse amor que sinto nas suas palavras, relembre-o com ele, e saboreiem os dois um amor que será eterno.

 

Só e quando chegar o momento de dizer adeus, só ai poderá recolher-se dentro de si mesma e então, saber que não ficou nada por dizer, e chorara a saudade.

 

O poder do amor é infinito.

E, mesmo para alguém como eu, cuja fé é fraca, acredito que de alguma forma inexplicável existe mais do que esta vida e esta dimensão e que até hoje sempre fui protegida pelo meu pai.

Peço desculpa por não poder ser de maior ajuda.

Mas não duvido que a Sofia seja capaz de tudo isto e muito mais.

Pobres dos que não amam e não são amados.

Pobres dos que passam por esta vida sem conhecer o sofrimento que o verdadeiro amor transporta.

Um grande abraço,

 

 



publicado por Luísa Castel-Branco às 17:28
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