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Luísa Castel-Branco

O custo da desilusão

Luísa Castel-Branco, 23.10.07

Acredita que sei o quanto doem as desilusões. Nem falo sequer daquelas que pontuam a nossa vida, entre homem e mulher, nessa contabilidade do amor que faz pender a balança, uma vez para um lado, outra para o outro até que um dia tudo se desmorona dentro do nosso coração com um silêncio ensurdecedor.

Não. Falo de outros afectos, das relações de sangue que deveriam perdurar toda uma vida, que crescemos a acreditar que são sagradas e imunes a todos os males. Mas é mentira! A vida corrói a relação entre os adultos, porque quando somos crianças assemelhamo-nos aos animais, somos de quem nos dá carinho e comida. Depois, com o passar do tempo, vem a memória, vem o registo permanente desse deve e haver que, no final de contas, é tudo aquilo em que se resume a vida.

As pessoas crescem de formas diferentes e envelhecem muitas vezes com amargura, raiva e frustração. É triste mas é verdade. Mas também não deixa de ser menos verdadeiro, que existem jovens que são velhos e velhos que são jovens. Mas tudo isto para te dizer que tenho cada desilusão que a vida me trouxe cravada na pele como se fossem cicatrizes.

E tu, ainda tão novo, mas já há tanto tempo confrontado com o lado menos belo da realidade, só tens que lutar, com força, com orgulho, para não deixares que esse lado negro te tape a Luz e os milhares de coisas boas de que os outros são capazes. Todos os dias devemos registar mais uma história linda dentro de nós. Assim como quem alimenta a alma com o adubo da esperança na humanidade.

in Destak 23.10.07

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