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Luísa Castel-Branco

Dizeer adeus

Luísa Castel-Branco, 04.12.07

Dizer adeus naquele momento parece ser o mais doloroso. A missa, as pessoas em lágrimas, nós em lágrimas, os rituais, os abraços e uma vez mais as lágrimas. Mas afinal, a morte não é isso, nem a partida do corpo nem as despedidas sentidas é tudo o resto, todos os dias que sobram.

Segue-se um vazio tremendo, de vez em quando até esquecemos que a pessoa já cá não está, entre nós, e introduzimo-la na conversa, nos momentos do dia-a-dia. Até que nos damos conta que não é assim. Resta então essa imensa capacidade que temos de sobreviver, de tomar fôlego e andar em frente, mas não estamos sós, porque ao nosso lado, bem ao nosso lado, vai uma sombra a par.

A morte nunca é justa, tal como a vida não o é. E é nessa depuração das tristezas e dos ressentimentos, que vamos fazendo o caminho. Mas amar, das mais diferentes formas que o amor toma, é sempre um bálsamo para a alma. Mesmo que naquele momento só signifique mais dor, a verdade é que ninguém morre enquanto houver uma única pessoa que o relembro com saudade. A memória é uma bênção dos deuses. É aí que vamos buscar o alimento para a vida, e é aí que guardamos o que foi e já não é.

A amizade é a outra forma do amor, e dá-la e recebê-la torna-nos seres humanos muito melhores. É isso que significa envelhecer. É ver partir, chorar e depois sorrir com as lembranças e sempre que possível, dizer a alguém o quanto gostamos, o quanto essa pessoa é importante para nós. O que podemos ambicionar é que a idade nos leve o pudor das palavras e nos dê maior dimensão à alma.

in Destak 4.12.07

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