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Luísa Castel-Branco

Hoje

Luísa Castel-Branco, 10.12.07

Escreve texto felizes, dizem-me. Coisas alegres. Escreves sempre sobre o mesmo, apontam-me.

Faz de conta que és outra pessoa, alguém me dizia outro dia.

Mas é isso mesmo que faço todos os dias, fora deste espaço de liberdade.

Transporto-me pela vida sem carregar os outros com as minhas dores, ou tristezas, ou estados de alma, ou simplesmente reflexões sobre a justiça da ordem das coisas. Porque tenho tantas perguntas por responder e tantas mas tantas revoltas interiores.

Portanto recuso-me aqui, pelo menos aqui, a ser a outra que sorri porque ninguém tem que carregar com as minhas queixas de alma ao desbarato, desorientada sem saber bem para onde ir ou porque questiona a todo o momento tudo.

As historias felizes não tem historia.

Haverá efectivamente pessoas felizes ou apenas momentos na vida em que sentimos esse estar especial de quem voou para as nuvens e lá se deixou estar?

Conheço tanta gente, se calhar a maior parte das pessoas com quem me relaciono, que não questionam o porquê do dia a dia ser como é, para elas próprias , para os outros.

Mas eu vivo como uma criança que não passou a fase de perguntar permanentemente porque.

E não escrevo só sobre mim, muito pelo contrario.

Muitas vezes roubo historias de vida a gente que mal conheço, ou um simples olhar perdido do homem sentado no café.

Tudo serve para conjecturaras sobre os seres humanos.

E se a minha janela dá directamente para o recreio dos meninos que brincam e pulam e riem, eu não consigo deixar de pensar na noticia que li hoje da criança de três anos espancada que aguarda no hospital que a justiça determine para onde vai.

Os meus filhos dizem que eu não sei ser feliz. Mais gente que me ama ou me amou o disse.

Mas para mim isto é apenas estar viva.

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