Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Luísa Castel-Branco

Onde estás?

Luísa Castel-Branco, 19.02.08

A saudade sabe a ti, transporto na minha boca o teu sabor, que se desfaz devagarinho, como se fosse um doce, caramelo que se pegou aos dentes. O teu corpo, esse ficou colado ao meu para sempre. Já desisti de tentar libertar-me dele.

Os meus passos solitários nas escadas, na calçada, esses vivem assombrados pelos teus passos.Acordo todos os dias a dizer que é hoje. Que vou conseguir começar de novo. Mas toda a casa tem ainda o teu perfume, a almofada perdeu a tua forma mas eu vejo-a lá.
Oiço as tuas palavras sussurradas nos meus ouvidos, e não estás aqui, ninguém está aqui a não ser eu e a minha solidão. Ah! Doem-me partes do corpo que eu não sabia ter, a alma fugiu-me e nunca mais a vi. Estou tão nua como a criança acabada de nascer e erro pelos dias, pelas noites, numa enorme confusão entre as memórias do que fomos e o que nunca aconteceu e eu sonhei.

Estou tão cansada, amor, tão prostrada que não tenho alento para as coisas mais simples e pergunto-me como vou continuar viva. Se tu partiste e levaste um pedaço de mim tão grande que me sinto cortada ao meio, metade de mim foi contigo e por isso que faço eu agora aqui?

in Destak 19.02.08

8 comentários

Comentar post