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Luísa Castel-Branco

Eu e eu mesma

Luísa Castel-Branco, 10.04.08

Ontem, em noite longa de insónia, desabafei com um leitor sobre o meu novo projecto, não, não estou a ser exacta, porque seria um projecto novo se fosse de agora, mas tenho-o dentro de mim desde que me lembro, e a execução essa é que vai ser agora.

Estou a falar do livro que vou publicar, do meu primeiro romance, e apercebo-me de como é fácil conversar aqui neste cantinho.

Nem é ainda tempo para falar do assunto, mas sinto-me em casa, aqui convosco.

Daí o desabafo sobre o medo, a insegurança que é ver crescer um texto, as personagens tomarem forma, e de repente, quer dizer, mais de ano e meio, e só em momentos roubados ao dia a dia, ali está ele, o livro.

Agora ando na fase da revisão.

E podem não acreditar, mas não tinha lido o texto todo nestes quase, quase dois anos e quando o fiz por ser necessário, deu-me um aperto no estômago que nunca mais saiu. Nem vai sair.

Dêem-me os directos de televisão e rádio que quiserem, mas um livro, é coisa séria, coisa que fica para sempre e não, como tudo o resto, que não tem validade nenhuma, nem memória.

Estou com as dores de parto, segundo me diz a editora!

Uma leitora enviou-me um amável comentário.

Mas eu tenho um enorme medo de falhar, de ser incompleta, de desiludir as pessoas.

O que é que isto faz de mim senão um ser humano normal, igual a todos?

Conto os dias. Efectivamente parece que vou ter um filho ( com as devidas proporções, claro) mas conto os dias com os dedos e quanto mais se aproxima o dia em que o dito livro vai estar nos escaparates, mais insónias tenho!

Há dias li um cronista/escritor dizer que o seu livro estava a vender lindamente porque era excelente.

E pensei para mim: Aqui está algo que eu não posso dizer!

Excelência é a forma como a Agustina tricota as palavras. Como o Lobo Antunes nos agride na cara, enfim, talvez seja a idade, mas tenho a perfeita noção da minha pequenez.

Obrigada por me aturarem os desabafos!

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