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Luísa Castel-Branco

Quando as palavras não são suficientes

Luísa Castel-Branco, 06.08.08
 

Terça-feira, 15 de Julho de 2008

"Alma"

 
Eu sei... os meus últimos posts têm estado enormes e não consegues ler nem metade. Vou tentar controlar-me. ;)

 

Estava para aqui a pensar sobre que tema ia escrever hoje. No outro dia li um livro e pensei: "Tenho que falar disto no meu blog". E aqui está... "Alma e os mistérios da vida". Se calhar já ouviste falar. O meu interesse para tal leitura também foi despertado, imagine-se só, pelo "Você na TV".

Até parece mal eu dizer isto ( xD ), mas estava a ver o programa quando começaram uma entrevista com a Luísa Castel-Branco para apresentar o seu novo e primeiro livro.

 

O Manuel Luís Goucha falou tão bem daquilo e do facto de ter chorado "baba e ranho" no fim, que pensei: "Tenho de ler isto para confirmar a veracidade dos factos".

A minha mãe comprou o livro e pronto! Lá iniciei as minhas leituras.

 

Aquilo fala principalmente das "Marias" (ou seja, das criadas) do tempo da ditadura. Claro que com muitas outras peripécias pelo meio e que vais descobrindo ao longo do livro.

 

A primeira metade do livro tem várias histórias pelo meio, tipo Eça de Queirós com "Os Maias". Interrompe-se a narrativa para se contarem histórias do passado. No caso da Luísa Castel-Branco ela não excede tanto o número de páginas de "pequenas histórias" como o Eça de Queirós. Penso que seja q.b. e confere uma certa dinâmica à leitura.

 

Na segunda metade do livro (mais coisa menos coisa), a narrativa centra-se numa história só e é aí em que não consegues largar o livro porque queres ansiosamente saber qual vai ser o desfecho da personagem principal. Pelo menos a mim, aconteceu-me isso.

Tive a "infeliz" ideia de pegar no livro antes de dormir e estava prestes a chegar a essa tal parte caracterizada pelo "agora entras-te e já não vais conseguir sair". Devo salientar que o li em tempo de férias, ou seja, deitei-me tarde e como fui pegar no livro ainda foi pior.

 

Eram 5h15 da manhã quando finalmente li a última página. Tinha os olhos inchados e o rosto cheio de lágrimas. Já há muito que tinha ido buscar uns lenços para pôr na mesa de cabeceira porque o desenlace ainda ocupa umas boas páginas.

 

Acabei por dar razão ao Manuel Luís Goucha. Chora-se, mas chora-se bem. E devo dizer que ultimamente, eu que era uma "sensível nata", tenho perdido a sensibilidade toda e já não choro por qualquer coisinha. Já nem aqueles filmes de ir às lágrimas me convencem. Este ano tenho passado por cada coisa, que nesse sentido, me tem feito crescer muito.

Mas aquele livro... acho que já não chorava assim há muito tempo. Era impossível de controlar. Chorava, mas queria continuar a ler. Muito cativante. Gostei. Os meus parabéns à Luísa Castel-Branco! : )


 
. mágica .

 

http://raquelmagica.blogspot.com/

 

Raquel,

Mão amiga enviou-me o seu post.

E estou a coloca-lo aqui no meu blog (espero que não se importe) não pelas suas palavras sobre a ALMA mas pela forma como descreveu a sua leitura do meu livro.

Quando escrevemos, e muito mais quando nos aventuramos num primeiro romance, há um medo que nos correi as entranhas, que é muito mais do que o medo das pessoas não gostarei, é principalmente uma sensação para mim totalmente estranha, de que parte de nós, uma parte tão intima, deixa de nos pertencer e anda por ai, nas mãos de quem está a ler o livro.

Embora a imagem que as pessoas têm de mim seja de alguém forte e cheia de certezas, o mesmo não pode ser mais falso.

Quer dizer, sou forte porque a vida me foi dificil e tive que lutar. Quando a certezas, quando mais velha estou menos certezas tenho.

Quando li o seu texto tive vontade de chorar, de lhe agradecer do fundo do meu coração e da minha Alma como viveu a minha história, a vida das personagens que me assombraram durante mais de uma ano.

Por isso, aqui fica o meu obrigado, que não é suficiente para lhe dizer o quanto me soube bem as suas palavras.

Não me conhece e não espera nada de mim.

E por isso mesmo me tocaram desta forma.

Um grande beijo para si.

 

Luísa

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