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Luísa Castel-Branco

Peço desculpas uma vez mais

Luísa Castel-Branco, 29.12.08

 

Peço desculpas pelo silêncio.
Pelas palavras não ditas nem escritas.
Pela ausência das respostas.
Peço desculpas mas...
Às vezes a vida pesa-nos como um casaco molhado em cima do corpo.
Ou então é só a cobardia.
Ou o que lhe quiserem chamar.
É quando o Natal chega que a vida pesa mais.
É quando se aproxima um novo Ano que a vida pesa mais.
E ao mesmo tempo,
Eu sei.
Fica a certeza de que há tanta gente pior do que nós.
Mas,
Desculpem o silêncio que eu volto já.
É só deixar passar este tempo de esperança.
Quando a esperança não vem.
Quando sentimos tudo com mais força, com mais dor.
Eu volto já a seguir.
A fingir que 2009 vai ser fantástico.
Porque tento não ouvir as notícias.
Não ler as projecções das desgraças.
Que sabem eles, afinal?
A tristeza não depende do défice.
Por mim ainda ando à procura daquela paz interior.
Daquela magia que nos faz superar tudo.
Esquecer tudo.
Perdoar tudo.
 

Notícia de última hora: o PSD fechou

Luísa Castel-Branco, 09.12.08
 
 

O que os portugueses pensam sobre a classe política todos sabem.

O País parece dividir-se entre os que considera que "eles são todos iguais" e os outros, nomeadamente os jovens, que nem sabem quem são nem querem saber.

O que se passou no Parlamento, com a ausência de 30 deputados do PSD, foi mais uma boa ajuda.

Aliás, o PSD vem contribuído desde há muito não só para o descrédito da classe política mas e principalmente para esta noção de que como partido não é alternativa a coisa nenhuma. Surpreendidos com as sondagens que dão a maioria ao PS? Só quem estiver distraído, porque numa democracia em que não existe oposição o povo pensa que aquilo que tem é melhor do que nada.

A esperança da chegada de um novo D. Sebastião terminou com a geração que ainda estudava história, o que significa que já ninguém se recorda dessa imagem do salvador vindo das brumas.

O Bloco de Esquerda ultrapassa nas sondagens o Partido Comunista? Não são ventos de mudança. Apenas votos de descontentamento num partido que nunca poderá ser governo mas pode ser a consciência do regime (a dita esquerda do caviar e do champanhe!).

À direita, Paulo Portas, representante de um partido com meia dúzia de votantes, continua a não deixar passar uma oportunidade para atacar o Governo sem quaisquer consequências.

Quanto ao PSD, o nosso muito obrigada a todos os militantes que votaram Manuela Ferreira Leite pelo serviço prestado ao País. Pior era impossível.

No meio disto tudo, que se trame Portugal e a democracia!

O PSD fechou as portas e apenas quem por lá anda a brincar nos corredores da sede nacional ainda não deu por isso.

in Destak 09 | 12 | 2008  

Os senhores que se seguem

Luísa Castel-Branco, 03.12.08
 
 

Governar é difícil. Em qualquer circunstância e quando o mundo atravessa uma crise de proporções que ninguém imaginava, é óbvio que Portugal sofre ainda mais.

Mas, se os braços de ferro que as várias forças mantêm com o governo são uma manifestação de revolta contra as condições em que a maioria da população portuguesa vive, não é menos verdade que existe por parte de quem tem o poder uma atitude incompreensível, e que terá efeitos nefastos na futuro da democracia.

Tomemos o exemplo da luta dos professores. Sem tomar partido por um dos lados, a questão base é a seguinte: O Governo jurou a pés juntos que não recuaria, depois tivemos a maior manifestação que há memória. O Governo recuou. De seguida são os sindicatos que continuam irredutíveis e não aceitam as alterações. E o Governo volta a recuar.

Onde vai terminar esta saga? Fica tudo como dantes? Aceita-se a última proposta dos sindicatos e cada professor avalia-se a si mesmo? Ou adoptamos a medida de Alberto João Jardim?

Qualquer pessoa que tenha que educar um filho sabe que deve ter cuidado no que exige para se manter firme e não ceder.

Quando um jovem encontra um ponto fraco, quando descobre que é mesmo uma questão de levar os pais à saturação, vai conseguir tudo o que quiser.

Independentemente da razão ou não dos professores, um governo que recua perante as manifestações de rua, e não por considerar que estava errado, é um governo frágil.

Quem vem a seguir e repete este braço de ferro e o que vai o governo fazer?

in Destak 02 | 12 | 2008