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Luísa Castel-Branco

Como se não bastasse!

Luísa Castel-Branco, 09.05.08

São nove e trinta da manhã do dia 30 de Abril. Em Telheiras, um casal atravessa a rua, e dirige-se à paragem de táxis.

Ele com 75 anos empurra a esposa na cadeira de rodas. Ela tem 72 e está confinada àquela cadeira vai para 8 anos, após um AVC.

Quando chegam ao veículo, o motorista recusa transportar o casal. A razão: Não quer estragar o seu carro ao colocar a cadeira de rodas no porta bagagens. Uma senhora assiste a tudo e fica de tal forma revoltada que disponibiliza-se a chamar a polícia.

Mas o casal agradece, dirige-se ao próximo táxi e pede o favor de os conduzirem até ao local pretendido.
Eles estão habituados. Não a uma recusa tão frontal, mas à falta de educação, aos maus modos, enfim, aquele penoso sacrifício em que se transformou qualquer deslocação na cidade.

Como se não bastassem os carros em cima do passeio. Os edifícios sem acesso próprio, até nos consultórios médicos.
Mas nesse dia, a ela doeu-lhe mais. E pela primeira vez, utilizando o único braço que ainda tem com vida, telefonou para a Antral.

Foram muito simpáticos. Claro que o motorista não podia recusar-se a fazer o serviço. Claro que sim, a senhora tem razão.

Mas quanto a apresentar uma queixa, que ela tinha anotado a matrícula, lá isso, não valia a pena. Era só trabalhos e maçada. Para a próxima é chamar a autoridade.
E ela agradeceu, desligou o telefone e para ali ficou que o marido afinal, tinha razão.

Não valia a pena. O melhor mesmo era aguentar!

P.S.
A situação relatada é verídica. Podia acontecer com qualquer um. Pode vir a acontecer com qualquer um.
Portugal é isto.

 

 

in Destak 6.05

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