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Luísa Castel-Branco

Nuvens no café

Luísa Castel-Branco, 24.06.08
 

Engraçado, há anos que ando com esta expressão na minha cabeça, a saboreá-la como quem tem um caramelo na boca, e o desfaz bem devagarinho.

Sempre que penso em dias doces, dias de tranquilidade, vem me à ideia as tais nuvens no meu café, como se o leite ou as natas fossem pedaços que retirei do céu.

Coisa estúpida mas se pensarmos bem, são os momentos mais pequenos, os factos mais singelos que nos marcam a memória para sempre.

O cheiro do pão quente, o perfume da terra molhada quando a chuva cai sem ser esperada e depois desaparece como por milagre, o fragrância misteriosa da pele de uma criança, o sentir o cabelo molhado e levado pelo vento, o olhar que fixamos em alguém e que por razão nenhuma nos fica na memória para sempre, instantes apenas mas muitos anos passados são muitas vezes o que nos leva para o a terra do que já foi, do que já fomos.

Cada um de nós tem a sua própria colecção de recordações, de fotografias a preto e branco onde somos meninos de laços no cabelo ou calções pelo joelho e contudo, lembramo-nos perfeitamente do tecido grosso que nos tocava o corpo ou do cetim leve que roçava a face.

Para mim, num dia perfeito, ou num momento perfeito, vêem-me à cabeça uma chávena de flores coloridas e lá dentro, nuvens no meu café com leite!

Depois, fico parada a olhar para a minha neta, que nos seus fantásticos três anos apenas é capaz de sair a porta da minha casa, sentar-se na relva e dizer-me: Que belo dia avó!

E eu por ali fico a descobri-la e nem consigo imaginar quais irão ser as memórias da minha princesa.
A vida corre hoje muito depressa!

 

in Destak 24.06.08

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