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Luísa Castel-Branco

Noite de lua cheia

Luísa Castel-Branco, 27.06.08

 

Dei comigo a outra noite, quando me disseste que me amavas, e nos enroscamos um no outro, embalados pela noite de luar, as noites de lua cheia são doces quando se chega a esta altura da vida, doze anos de pequenos e grandes gestos, dei comigo, dizia eu, a pensar o que será de mim no dia em que partires para sempre.
Chorei em silêncio, sei-me estúpida mas chorei, como se vale-se a pena sofrer pelo que um dia há-de ser.
Mas a vida deixará de fazer sentido, isso eu sei.
Porque tu és a continuação de mim mesma, acabas as minhas frases, suportas os meus silêncios ou as minhas tiradas de mau génio.
Porque só tu conheces o meu corpo desgastado, este corpo que aos 54 anos já sobreviveu a muitos sustos e não há espaço em mim para preocupações de estética antes medo de voltar a estar doente.
E mesmo assim, tu amas este corpo, amas-me de verdade porque realmente sabes quem eu sou e mesmo assim...
Chorei de mansinho, com a lua cheia a lamber a almofada, a minha mão a afagar os teus cabelos brancos e tu a respirares profundamente.
O amor, muito mais do que o sexo, as carícias e toque de pele é isto.
Uma noite de luar em que o medo de saber que um dia partirás me tira o sono e me faz chorar das saudades que vou ter de ti.
Ah! Quando partires uma boa parte de mim partirá também e por isso devo estar agradecida, meu amor.
Por ter conhecido este sentimento tal pleno, tão belo e quase sempre tão assustador.

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