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Luísa Castel-Branco

Como custa ser diferente

Luísa Castel-Branco, 08.07.08
 
 

Há pessoas que nascem assim, como se tivessem um buraco na alma, uma peça que falta no seu corpo.

Algo que não se vê e só se sente, e caminham uma vida inteira assim, diferente dos outros sem que se perceba.
É uma tristeza, uma não pertença a lado nenhum, como se estivéssemos a viver a vida errada, ou a olhar para nós mesmos sem nos reconhecermos. É um mal-estar que dói e nos aperta o peito. É sentir-se impotente por não conseguir explicar a ninguém exactamente o que é que está errado connosco.

Alguns amarguram-se por dentro. Sentem-se enganados pelo destino, menosprezados pela vida e culpam todos e tudo o que lhes acontece, encontrando na má sorte a resposta para este mal.

Outros inventam-se para poderem sobreviver no mundo dos vivos.

Comportam-se da mesma forma, sorriem quando é suposto, enfim, emitam as pessoas ditas normais, com medo da solidão, com medo do medo.

Ser diferente é difícil. É viver condenado a estar só mesmo quando acompanhado. E depois há a culpa, esse peso terrível que nunca nos abandona porque há sempre alguém que está pior, porque não conseguimos explicar a quem está a nosso lado porque de repente, sem razão alguma, as lágrimas nos assomam aos olhos e as memórias do que foi ou nunca aconteceu, toldam o mais lindo pôr do Sol, o beijo mais doce.

Deveria haver forma, maneira de conseguir fugir deste destino.

Mas nem o passar dos anos alivia a carga, apenas nos permite encontrar num silêncio profundo que os outros tomam por bom senso, maturidade, um reduto onde nos esconder de tudo, de todos e principalmente de nós.

 in Destak08 | 07 | 2008  

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