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Luísa Castel-Branco

Hoje não estou para ninguém

Luísa Castel-Branco, 14.09.06

Há dias assim. 

 

Sem razão, sem sentido, sem nada que nos pegue à vida e nós aqui.

 

Hoje não estou para ninguém, era assim o titulo da crónica de Lobo Antunes que me marcou para sempre.

 

Talvez para me recordar que muita gente, neste preciso momento, chora com mais dor e mais razão.

 

Mas a dor é tão pessoal como o cheiro do nosso corpo, o olhar que deitamos sobre as coisas e as deixamos entrar no coração.

 

Ultimamente, gente demais tem partido do meu coração e da minha memória.

 

Arranco-os a ferros, pego na palma da mão e rasgo as memórias: as imagens, os risos, as lágrimas, tudo.

 

Nem os laços de sangue sobrevivem à vida. Ao desgaste dos dias, à erosão dos anos que nos apanham na esquina de uma rua qualquer e de repente, sem eu ter dado por isso, os meus filhos abriram asas e voaram, a porta da rua fechou-se e o silêncio pesa como a chuva que não vem.

 

Hoje não estou para ninguém. Digo para mim mesma e repito-o sabendo que é mentira.

 

Demasiada gente habita a minha dor.

 

E a amargura começou a juntar-se me ao canto da boca, nas lágrimas que já não choro e aquela que fui partiu para sempre.

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