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Luísa Castel-Branco

Deus conta as lágrimas das mulheres

Luísa Castel-Branco, 06.08.08

Luisa...
Cá estou eu mais uma vez a visitar o seu cantinho.
Principalmente para lhe dizer que comprei o seu livro e que estou a adorar.
Tenho vindo aqui todos os dias, mas não tenho tido coragem sequer de desabafar o que me vai na alma. Tenho passado dias de extrema tristeza e profunda angustia. Desde o dia 1 de Julho passado que uma nuvem escusa se abateu sobre a minha cabeça e tema em não sair de cima de mim. Sinto o mundo inteiro nos ombros e senti-me sem forças.
Maldigo este homem que em segundos conseguiu tirar-me tudo o que tinha, tudo o que me fazia sorrir e viver... Tenho vivido em função de tentar perceber a cabeça dele e cada vez percebo menos... Sabe... Sinto-o arrependido agora e se calhar daqui a 5 minutos sinto-o distante... Neste momento já nem eu sei o que sinto!
Faço o que acho certo, já que não posso lutar contra algo que não sei o que é, faço o que o meu coração manda... Faço a minha vida em função dos meus filhos, optei por afastar a minha filha mais velha (para passar férias com a Avó) de modo a tentar protege-la, nem isso sei se fiz bem...
Não me imagino sozinha com eles os dois, pois para além de saber que não tenho condições financeiras para tal, também tenho consciencia da falta de condições psiquicas, uma vez que me sinto perdida.
Amo-o (será?) e isso doi-me... Deu-lhe tudo de mim, deu-me a ele e entreguei-lhe a chave da nossa felicidade e... agora... não tenho nada e não sei como recuperar o que ele já não quer...

Mais um desabafo... Mas talvez mais um testemunho de como um homem pode ser tão cruel ou ponto de destruir a vida de três pessoas em segundos... Três? ou serão quatro? É que segundo ele... Ele também não está bem! E a minha pergunta constante é: Porque é que ele não está bem se foi ele que escolheu este caminho?

Bjs e abraços a todas(os) e que este um bom dia para viver feliz.

 

Cara Amiga,

Não me dá elementos suficientes para eu compreender totalmente o seu problema, mas a minha leitura é a de que o seu marido/companheiro encontrou outra pessoa ou então pura e simplesmente decidiu que já não a ama.

A sua pergunta tem razão de ser mas a resposta possivel ao facto de tal acontecer não é fácil, nem muitas vezes real.

Porque se a relação estava bem, como foi ele envolver-se? Mas o que é uma relação estar bem? O desgaste dos anos é impossivel de não acontecer. Os problemas do dia a dia, a rotina, enfim, uma longa lista de pequenos nadas que nos fazem ficar fartos da vida que temos.

É natural que lhe doa terrivelmente aquilo porque está a passar. É natural que queira salvar o seu casamento e por isso tente adivinhar o que ele está a sentir ou a fazer a cada segundo.

Mas, infelizmente o exito da sua actuação está compremetido desde o inicio.

A unica forma de alguem medir o que sente pelo outro, quando quer partir e se sente infeliz e acredita ter encontrado alguém que lhe dá mais, é abrir a porta e deixa-lo voar!

Se ele um dia decidir voltar cabe-lhe a si aferir da confiança que sente pelas palavras dele.

Diz que enviou a sua filha para casa da Avó, para a proteger, o que significa que o clima é tenso e de discussão ou então daquele silêncio mais pesado do que a morte.

Tem outro filho, certo? E o que quer dizer quando afirma que não tem condições psicologicas para ficar só?

Nenhuma de nós tem, quando alguém que amamos nos deixa, mas a razão maior são os seus filhos e esses sim merecem o seu amor.

Quanto ás condições financeiras, se ele tomou tal passo, terá que prover o sustento da familia conforme a lei indica.

Minha amiga, o ser humano carece de felicidade como de pão. E procura-a nos locais mais certos e mais errados.

Uma familia só existe se algo unir todos os elementos: o amor e também o respeito.

Por muito que lhe doa, deixe-o partir.

Fale com os seus filhos e diga que vai chorar muito, e que isto é normal. Que o pai deles não é má pessoa simplesmente não a ama mais.

Um dia, vai ver que valeu a pena. Que foi bom ter engolido toda a raiva, toda a frustação de uma vida vivida para ele e em função dele, e que ele deita fora como um caco.

Um dia. Até lá relembro-lhe uma frase da Cabala, o livro sagrado dos judeus:

"Deus conta as lágrimas das mulheres"

Tenha força e volte sempre,

Luísa